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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Nada a adquirir. Apenas caminhar.



E claro que no início todo mundo vem para a sangha e para a prática querendo alcançar alguma coisa, todo mundo quer seguir os preceitos para sofrer menos, praticar para ter mais serenidade, mais paz, todos começam assim com objetivos egóicos, mas se você sentar em zazen, só sentar em zazen,  todo este esforço, esta dor nos joelhos, essa dor nas costas, isso não parece compensar, porque sesshin após sesshin, prática após prática, não parece que você andou muito para a frente, então não funciona bem para querer “adquirir algo”.

A prática começa a ficar bonita quando a gente pergunta para o aluno: “porque você continua sentando?”, e ele diz: “eu não sei mais, não consigo nada, mas continuo indo ao sesshin, indo na sanga, eu não alcancei nada e já perdi a esperança”. E quando ele perde a esperança, aí sim fica muito bom, fica muito melhor, você não conseguiu nada, mas vai praticar para ajudar os outros. Ele vai para a sangha  pensando em ajudar outros, aí ele esquece de si mesmo e começa a ficar maravilhoso. Foi isso que Dogen disse: “Praticar o Zen é estudar a si mesmo, e estudar a si mesmo é esquecer de si mesmo, e esquecer de si mesmo é  ser iluminado por todas as coisas”. Simples.