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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A mente que se engana


Pergunta – O senhor falou da mente que se engana, como eu sei que estou enganado?

Monge Genshô -  O que você pensa sobre isso, como você sabe que sua mente está enganada? Como você sabe que está separada das outras pessoas? Você olha para todas essas pessoas e as vê separadas de você. Mas você não vive sem elas. Não vive sem nada que existe, sem sol, sem chuva, árvores, pássaros, na realidade você é tudo isso misturado. Se você pensar sobre o que é esse guardanapo de papel em sua mão, do que ele é formado? Chuva, sol, árvore, carbono, tudo igual a você. Você é tudo isso junto, no entanto você olha para tudo isso e diz: “Eu estou separado”. Isso em si só já é uma grande ilusão. Por acreditar nessa ilusão é que você nasce e morre. Chamamos isso de ignorância. Por sermos ignorantes nascemos e morremos e acreditamos estar separados. 

 Os homens criam muitas histórias para acreditar, todas são ilusórias. As crenças são ilusões, quando você chega no budismo ele não lhe oferece nada em que crer ou algo do tipo, “acredite no que o professor está dizendo”. O budismo é experiencial. Teste e experimente, se funciona para você é bom se não funciona, desista. Se você não gosta do professor porque ele é muito desagradável dizendo coisas desoladoras, pode ir embora. O budismo não faz força para atrair pessoas, mais ainda, costuma dizer coisas para as pessoas irem embora. O Zen Budismo é para despertar, não para acreditar. Uma pergunta que sempre surge é: “Em quê o Budismo acredita?”, a resposta, não sei, isso é problema seu que acha que é preciso alguma crença.

Sempre conto essa historinha ilustrativa, se vem alguém na Sangha dizendo que acredita em homenzinhos verdes de uma galáxia distante, não há problema algum nisso, podem sentar e meditar. Agora, se os homenzinhos falarem com você então o caso é grave e é melhor procurar tratamento. O Zen tem sempre muitas histórias. Conta-se uma história de um monge que sentado em meditação dizia estar vendo os discípulos de Buda em seu redor cantando mantras. O mestre então mandou que os outros monges lhe dessem um banho de água gelada e dessa forma resolveu o problema.