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domingo, 3 de junho de 2012

Encontro de escolas buddhistas


Grande encontro entre Sanghas...


Marcado por um delicioso chá e muitas conversas sobre o futuro do Budismo no Brasil e a elaboração de novas metas e propostas para para o Colegiado Buddhista Brasileiro.

Escolas variadas mas apenas uma Sangha, a do Buda!— Rev. Wagner, com sua espôsa Sayuri Sakane Bronzeri e Monge Genshô em Apucarana, Paraná.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Os meios hábeis


P: Uma coisa que esse discurso budista sempre procura esclarecer (pelo menos nas experiências que já tive) é o não-julgamento de tais religiões, embora esteja implícito um certo julgamento de valor, evolução ou escala gradativa. Lembro de uma situação em que me disseram algo como: "Não julgamos tais práticas. Apenas seguimos o caminho do Buda e servimos de exemplo que eles possam tomar como referência". Essa ideia de "servir de exemplo" não carrega consigo certa lógica de superioridade? Ainda que somente no plano soteriológico, doutrinário e, até, metafísico...?

R: (Do Prof.Dr. Monge Ricardo Mário Gonçalves)
Muito pertinente seu questionamento sobre preconceito, que vou tentar responder.
Existe, no Budismo Mahayana uma chamada "Filosofia da Assimilação" pela qual lidamos com as divindades das demais religiões. Essa filosofia repousa sobre dois pilares:
1.O conceito de "hábeis meios salvíficos (sanscrito "upaya"; japonês "hôben").

2.Os conceitos de "essência e manifestações" (japonês "Honji-Suijaku).

Segundo o conceito de "hábeis meios salvíficos", os Budas e Bodhisattvas, em sua infinita Compaixão, assumem inúmeras formas e emitem discurso em vários níveis, adequando-se à índole e às características dos diferentes seres viventes para intruí-los e conduzí-los à Iluminação. Aplicando esse conceito "lato sensu", praticamente todas as religiões seriam "hábeis meios salvíficos", do ponto de vista budista, convergindo para o mesmo.

A teoria do "Honji Suijaku" que foi usada no Japão medieval para harmonizar o xintoísmo com o Budismo, diz que uma divindade cuja essência (Honji) é budista, faz emanar de si múltiplas manifestações (suijaku) que correspondem aos deuses nacionais dos diferentes povos, para conduzir esses povos ao Dharma. Para dar um exemplo, o mestre do Shinshû Zonkaku (século XIV)aplicou essa teoria ao Budismo Shin: aproveitando o fato do Buda Amida apresentar características "solares" - Shinran se referia a ele como "Sol da Sabedoria", interpretou a deusa solar do xintoísmo Amaterasu como uma emanação -suijaku - de Amida - honji.

Nada nos impede de aplicar essa filosofia aos Orixás e outras divindades do panteão afro-brasileiro, vendo nelas emanações dos Budas e Bodhisattvas.

Existe, porém, um único ponto em que o Budismo expressaria uma nítida reserva em relação aos cultos afro: trata-se do sacríficio sangrento de animais. A mesma reserva tinha o próprio Buda em relação aos sacrifícios adotados por alguns cultos hindus, como lemos nos Sutras. Em seu relacionamento com religiões étnicas, o Budismo sempre aconselhou a substituição de sacrifícios sangrentos por oferendas incruentas como lamparinas, flores, água, incenso, etc.

As religiões monoteístas procuraram eliminar os deuses das religiões étnicas, demonizando-os ou rotulando-os de falsos deuses. O Budismo, pelo contrário, absorveu-os, dando uma interpretação budista aos mesmos.

Concluindo, verificamos que o Budismo lida com as religiões étnicas não de um ponto de vista evolucionista, mas sim do ponto de vista oposto, ou seja, um emanacionismo. Usando uma metáfora taoísta muito empregada no Japão, Budas e Bodhisattvas "atenuam seu brilho" para "misturar-se à poeira" das divindades étnicas.

Gasshô,
Shaku Riman (nome monástico Shin do Prof)
(copiado de uma brilhante resposta do Prof em uma lista Shin)

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

É sesshin ou seshin? Gasshô ou gashô?



Para mim pessoalmente, acho que é só uma questão acadêmica. Em português não faz a menor diferença.
Quando as línguas ocidentais (alfabéticas) encontraram as orientais (ideográficas e silábicas), tiveram que criar sistemas de transliteração. Vários sistemas foram criados e o mais aceito internacionalmente no caso da língua japonesa é o sistema Hepburn. No Brasil, já fizemos algumas tentativas de melhor adaptação, mas ainda fica confuso. Por exemplo, em português a palavra Zen poderia muito bem ser escrita com "m" no final, mas convenhamos que ficaria estranho escrever Zem ou Xim (Shin) ou Candizai-Bossatsu, embora eu já tenha visto muitas vezes a palavra Xaquiamuni. Acho que não precisamos chegar a tanto.
Mas vamos lá....

Uma das regras gramaticais japonesas diz que certas palavras compostas (aglutinadas, na verdade), quando formadas por vocábulos como Setsu+Shin, o "tsu" é escrito em tamanho menor e há uma espécie de pequena parada, onde o som da próxima sílaba aparece dobrado. Seria mais ou menos como escrever SE(tsu)SHIN e a pronúncia fica Sesshin (outra alternativa seria usar apóstrofe Se'shin). O mesmo acontece com Gatsu+shô = Gasshô.
Parece complicado ao se explicar, mas no dia-a-dia japonês, isso é o comum. Seria talvez como em português, quando dizemos "copo de água" = "copo d'água".
No Hannya Shingyô isso acontece com freqüência, em palavras como Ha-ra-mi(tsu)-ta = Haramitta, ou i(tsu) sai = issai e assim por diante. Mas são apenas purismos da fonética.
Em português não faz diferença, mas a pronúncia para o idioma japonês faz. Por exemplo apalavra "kite" (forma imperativa do verbo kiku, que significa ouvir) e a palavra "kitte" (sêlo), na expressão japonesa não podem ser confundidas, pois numa expressão como:
"kite kusasai" = Ouça, por favor. (ficaria assim) "kitte kudasai" (com uma paradinha entre o ki e o te) = (Um) sêlo, por favor.
Esses detalhes fonéticos criam situações quase de Koan:
"O monge Haku-shin entra numa agência do correio e pede: Sêlo, por favor. E o balconista responde:
Estou ouvindo..." (hehehe)

Não sei se deu para explicar, mas estou à disposição para qualquer outro esclarecimento que esteja ao meu alcance.

gasshô,

Rev. Wagner - Sh. Haku-Shin ..... ou será que vai ficar "racu-xin" ;)

(Resposta gentilmente dada pelo meu especial amigo, o erudito Rev. Wagner, do Budismo Shin)

domingo, 1 de abril de 2007

Jigoku no soran

Falava com meu precioso amigo Mauricio Ghigonetto, presidente atual do Colegiado Buddhista Brasileiro, sobre os egos que fervem em todas as atividades. E que, vez por outra, afloram entre os budistas, seres humanos que são. Abrem conflitos, sentem-se ofendidos, agem como crianças birrentas. E ele falou sobre os ensinamentos de Shinran, o grande mestre do budismo Shin:

Ele disse: - Sabe que isso me fascina? Por quê? Perguntei. E ele:
- Olhar de fora e ver isso tudo mostra que somos finitos, incompletos, ignorantes....
afirma mais ainda minha satisfação em seguir o Budismo....eu sou tão egóico e vejo que os outros também são....Isso é fascinante mesmo, claro que essa é uma visão muito Shin da situação....
"o inferno está garantido" como disse Shinran: "vivemos no jigoku no soran" "no teto do inferno" vendo tudo isso, vemos que o Dharma tem que ser ensinado..... o remédio tem que ser ministrado aqueles que tem a doença..... os que estão sãos não precisam do Dharma....."se até os bons podem se salvar, mais ainda podem os maus" "os bons já estão salvos".