Mostrando postagens com marcador emoção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador emoção. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Ver o vazio dos agregados elimina o sofrimento
Quando o Boddhisattva vê claramente o vazio dos agregados, livra-se de todo o sofrimento, ele ainda sabe como é a dor do outro. Assim como você, que vê uma pessoa tendo um pesadelo. Ele sofre, geme, sua, você vai lá, sacode o ombro, acorda, ele leva um susto, acorda de um sonho. Ele livrou-se de um sofrimento. Mas aquele sofrimento era real. O sofrimento mesmo imaginário, é real. Os sofrimentos de todos os seres do mundo são reais embora todos eles sejam sonhos. E não adianta dizer que vai passar. Tem que trazer a pessoa para a realidade, para que ela possa acordar do sonho, que é a única solução definitiva.
Por isso às vezes o que a gente diz é muito duro. Há que trazer a pessoa para a racionalidade, mas às vezes não há como retirar o sofrimento. O sofrimento vai continuar lá porque o sofrimento é emoção e não é racionalidade.
“Sharishi” é uma forma abreviada, carinhosa, de chamar Shariputra.
Shariputra era um dos principais discípulos de Buda e famoso por sua sabedoria. Ele era mais velho que Buda e morreu antes de Buda. Shariputra já era mestre espiritual e tinha muitos discípulos. Ele ouviu Buda, se sentiu um ignorante, tornando-se discípulo de Buda e todos os seus alunos foram junto com ele.
Isso aconteceu várias vezes na vida de Buda. Eram grupos inteiros de pessoas para acompanha-lo. Mestres com seus discípulos. Este é o caso de Sharishi-Shariputra.
Aí o Sutra do Coração da Sabedoria diz: “Forma não é mais que vazio, vazio não é mais do que forma”. Saikawa Roshi diz que meditou 4 anos apenas nesta frase, para resolver isso, quando voltou da Tailândia onde por anos fora monge Theravada. Então, não é tão fácil de resolver, de sentir profundamente este conceito.
Marcadores:
agregados,
budismo,
Coração,
emoção,
pesadelo,
racionalidade,
sabedoria,
Shariputra,
sofrimento,
sonho,
Sutra,
Vazio,
zen
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Basta ouvir ensinamentos?
Aluno – No vocabulário Zen, existe a palavra samadhi, que significa concentração. Existe algum foco especial no budismo a respeito da meditação/concentração, ou é apenas uma coincidência?
Monge Genshô – Não, não é coincidência. O Zen budismo se vê como budismo contemplativo, ele enfatiza, e a diferença entre os budismos, é essa, a ênfase. A escola Theravada enfatiza o estudo dos sutras. O budismo Zen enfatiza a prática da meditação, sempre digo que essa prática no Zen deve ser feita em quantidades industriais, mas a mesma coisa acontece na prática do Theravada, pois existe grande similaridade nessa ênfase.
Embora se diga frequentemente no zen, que as escrituras e os textos são o dedo que aponta para a lua, mas que não são a lua, são mapas para que se possa seguir um caminho. Não são o caminho. São indicações, você tem que trilhar o caminho por seus próprios pés para chegar lá. Não basta ler ou ouvir ensinamentos. Costuma-se dizer no Zen que enquanto nele se falar, ele não estará presente. Quando estávamos calados experimentando a prática da meditação, o Zen estava presente. Agora é só conversa a respeito.
A palavra chan vem do sânscrito dhyanna que significa meditação, então, o budismo Zen significa o budismo que enfatiza a prática da meditação. Na verdade, no Zen, embora diga-se frequentemente, como acabei de dizer, que os ensinamentos são apenas o mapa, dificilmente você encontrará tantos textos quanto existem sobre o Zen, e os professores estão sempre escrevendo. Aqui, por exemplo, tem um gravador para documentar a palestra. Por quê? Porque acabarão virando texto. Na realidade, existe estudo no Zen e Dogen ZenJi diz que o estudo dos sutras é a base do caminho. Não se chega à outra margem sem saber, e mesmo que Hui Neng seja declarado um patriarca analfabeto, leia seu o texto e você verá quantas citações nele há; ele parece um erudito. Mesmo que ele guardasse de memória por não saber ler, ele ouvia, guardava, sabia citar e raciocinar. Sem esse instrumento não vamos longe.
A ênfase do Zen é mais do tipo, “não me diga as palavras de Buda, me diga as suas”. É a verdade que você está praticando, e essa é a verdade do Zen, e não as indicações ou os textos. Como você está vivendo, como está sua mente agora, essa é a verdade. Mas existem três portas de acesso: emoção, estudo e ação. São três portas de acesso para o caminho. As pessoas são diferentes, existem pessoas que naturalmente estão preparadas para o caminho intelectual, outras para o caminho da emoção e outras para o caminho da ação. Cada uma deve praticar com a escola mais adequada para o seu coração, para o seu sentimento, devendo praticar naquele lugar com o qual ela sinta que tem conexão. Por isso, é tão importante escolher o seu mestre e sua escola. Nesse sentido, recomendo a vocês o texto de um famoso escritor, o professor Ricardo Sasaki, intitulado A que Escola pertenço. (um toque de humor, o Prof. Sasaki era o anfitrião nesta palestra ministrada em sua Sangha Theravada em BH)
terça-feira, 25 de setembro de 2012
A emoção perturbadora
(continuação)
Pergunta: Quando ele usa a expressão “apagamento da memória”, não é bem assim, não é um apagamento da memória.
Monge Gensho: Não, se fosse simples assim, se apagaria a memória e estaria tudo resolvido. Na realidade, tudo está disponível, mas existe pleno domínio, você vai acessar o que quiser, como acontece no computador, onde você só acessa o arquivo que deseja. A emoção perturbadora é como um vírus que se encarrega de abrir arquivos que você não quer abrir. Você deixou que o computador fosse infectado por uma emoção e, daí, ele abre arquivos que você não quer, quando ele quer, e estes arquivos estão sempre retornando na tela, ativados por um vírus destruidor que traz lembranças e emoções de volta, e você não tem mais domínio nenhum. Domínio zero, esse é o estado em que as pessoas normalmente vivem.
Observação de um aluno: Mas isso é como uma crise...
Monge Gensho: Mas as pessoas vivem normalmente assim, as pessoas que estão andando na rua, elas estão numa espécie de sonho que elas não dominam, elas estão andando na rua, mas não estão vendo a rua, não estão no momento presente, estão pensando: “a conta que tenho que pagar, será que isso vai dar certo, será que Fulano gosta de mim?” Pensam em qualquer coisa, é uma sucessão sem fim, rodando uma depois da outra, mas não estão realmente andando na rua, estão vivendo um sonho, por isso não estão acordadas. No budismo nós treinamos nossa mente para despertar, para sermos donos do sistema, para abrirmos os arquivos que quisermos quando quisermos, para não sermos dominados por uma emoção invasiva. Estamos treinando. O termo para meditação em sânscrito é “bavana”, e significa “treinamento”. Na verdade, nós estamos criando uma habilidade, a habilidade de sermos senhores da mente e não sermos levados pela torrente. Podemos fazer o que quisermos, quando quisermos. Podemos abrir o arquivo que quisermos, não sofrer inutilmente, não sermos arrastados por emoções. Podemos ser sensatos.
Observação: (...) “pare de chorar e chore depois”. Há um tempo atrás eu pensei “como é possível? Chorar, parar para depois poder voltar a chorar? Isso é possível, eu escolho?”
Monge Gensho: Você pode escolher “eu vou chorar agora, na frente dessa pessoa para mostrar a minha emoção, eu quero mostrar”, ou, “agora não é o momento de mostrar emoção”. Não significa que a emoção “NEN” não exista, mas você tem o controle sobre fazer aflorar ou não deixar aflorar uma emoção. Não é que não exista, não é que seja fingida, não é isso. Posso mostrar, ou não. Posso mostrar a ira para mostrar para uma pessoa que o ato dela é profundamente errado; então, naquele momento, tem que mostrar ira e isso é um meio hábil para corrigir uma situação.
Observação: (...) os mestres podem se mostrar irados?
Monge Gensho: Sim, porque eventualmente o mestre precisa da ira, mas isso se dá da seguinte forma: “Isso está muito errado”. Pode até gritar e acabou, ele sai e deleta tudo, só mostrou porque era necessário naquela hora fazer aquilo, mas, se a mesma pessoa for falar com ele dez minutos depois, não existirá mais nada. Foi necessário demonstrar ira somente naquele momento, porque é a maneira de você agir no mundo, tem que usar o eu e as emoções também.
Observação: Mas é preciso controle total...
Monge Gensho: Sim, mas não é nada milagroso, porque quando você está sentado em zazen, você está treinando isso. Surge um pensamento e você pode controlá-lo, um impulso de pensamento, você pode parar a respiração e fazer com que ele não surja, como na técnica do bambu. Você pode rotular o pensamento pensando sobre isso, para enfraquecê-lo. Mil vezes ele surge, um pensamento corrente perturbador no zazen, e você pode rotular, “pensando sobre isso de novo”, daí volta para samadhi, e tenta voltar para o momento presente.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Casamento zen budista - Celso e Tatiana
As núpcias no ritual zen budista, tem como marca a emoção. Esta cerimônia se destina a pessoas que não desejam estar filiadas a uma fé, ou cumprir exigências ligadas a um sistema de crenças. Não há qualquer pré-requisito religioso. Apenas o pedido para que as pessoas redijam e façam em público o compromisso que desejam assumir para com seu cônjuge. O oficiante conduz uma cerimônia em que os nubentes se casam, não são casados por ele. Dentro do zen o casamento, marcado pela impermanência da própria vida, não é um sacramento, mas um ritual civil. Porém a beleza da emoção causada por uma participação tão ativa dos noivos e dos agradecimentos as famílias, troca de alianças, incenso perfumando o ar e flores, transforma tudo em uma lembrança inesquecível.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Decisões

Pergunta – Quanto é de destino e quanto é de livre arbítrio?
Monge Gensho – De livre arbítrio é muito pouco. Essa história toda demonstra mais ou menos isso. Você está numa corrente de carma, é como se estivesse num rio arrastado pela corrente. Essa corrente é muito forte e você não consegue voltar a subir o rio novamente, não consegue ir para a margem; às vezes, acontece de surgir um remanso e você até poderia se deslocar para a margem e sair do rio. Há, como essas, poucas ocasiões em que isso é possível. Normalmente todos ficam na torrente e vão sendo arrastados por seu próprio carma sem conseguir escapar. Existem momentos em que você pode fazer escolhas que mudam sua vida, digamos que o rio se divida em determinado ponto, e que com um pouco de esforço você pode ir para um dos lados. É comum surgir o pensamento, “ah, se tivesse escolhido o outro caminho...” Aquele momento teria mudado a vida inteira. Mas normalmente você está no fluxo da própria vida e não consegue facilmente sair dele, você fez uma filha há alguns anos, não é? Agora ela teve um filho; você consegue escapar de ser avô? Mesmo que você quisesse, mesmo que tentasse, pensando, “não, não vou prestar atenção, não vou me ligar a esse neto, não colocarei nenhuma paixão nessa relação e irei morar no Butão”, ainda assim, você seria o avô. Você até poderia fazer isso, mas eu aposto que não faria.
Aluno – Por isso que eu penso que quando a gente vai tomar uma decisão, tem que estar muito seguro, muito certo sobre o que vai decidir.
Monge Gensho - E como estar certo? Você não sabe. Você só sabe depois. E mesmo assim, é um saber suposto, porque você não sabe realmente como seria se você não tivesse tomado a decisão. Temos uns amigos que estão tentando migrar para a Austrália, estamos observando o que pode acontecer; talvez eles consigam. A grande diferença será para seus filhos pequenos, eles sofrerão, não é fácil fazer isso. Nossos antepassados fizeram; gente muito corajosa.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Ciência e o zen
P. Esta a questão de que as palavras são duais e não funcionam, sinto que o zen conseguiu burlar este problema usando as palavras para transmissão, mas jogando com esta dualidade.Isto ninguém conseguiu fazer. A ciência e outras filosofias não conseguiram fazer. Isto é uma das coisas fantásticas do Zen. As palavras são imperfeitas, mas os métodos conseguiram mudá-las.
R.Agora veja também que o texto que eu li é um poema, quantas vezes os mestres Zen usam poema ou arte para expressar aquilo que está acontecendo.
P.Antes de usar as palavras tem o pensamento e a intenção, então não seria a intenção que conta para ter valor a palavra?
R. Não estamos mais no mesmo assunto do que é a linguagem. Estamos no assunto do julgamento acerca dos atos, palavras e pensamentos e isto existe dentro do budismo a intenção está em primeiro lugar. A intenção diz muito sobre o karma que é gerado, criamos karma muito de acordo com a intenção. Isto é verdadeiro.
P. Conhecimentos milenares estão sendo estudados e desvendados pela neurociência, que explica, por exemplo, que determinados estímulos visuais ou olfativos geram vibração em determinadas ondas do cérebro. Estas percepções mentais que estão sendo desvendadas parecem infinitas.
R O interessante sobre este aspecto é que por mais que nós avancemos neste tipo de análise ela tem as limitações que a anatomia tem para examinar o amor, muitas vezes aparecem coisas interessantes como: eletro-encefalograma de um monge em meditação, ah, ondas teta, muito interessante, mas isto nada diz essencialmente sobre a experiência espiritual em si, é apenas uma aparência grosseira, uma coisa que aparece, vamos dizer assim, é como nós vermos uma pessoa chorando de emoção e pegarmos suas lágrimas num vidrinho, levarmos num laboratório e dissermos, agora eu vou entender a emoção e examinamos a lágrima e vemos que é salgada e que na realidade é parecida com a urina em muitos aspectos. Agora o que isto me disse sobre a emoção do chorar? Estas são as limitações das análises deste tipo.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
De onde ela vem?
Monges em Yokoji, após meditação no sodô.
P: Mas tenho uma dúvida: e quando surge uma emoção? No meu caso percebo uma espécie de 'angústia'. Deixo onde está? Procuro o que a causa ?
R: Pergunte-se, de onde ela vem? Provavelmente você concluirá que vem de uma marca cármica fácil de identificar, como "meu orgulho", quando reconhecer isto apenas a rotule: "orgulho". E volte para o momento presente. O simples reconhecimento de sua origem lhe tira a força progressivamente.
terça-feira, 10 de março de 2009
Presente aqui e agora

Às vezes se pensa que o zen é desligar-se do mundo, dos sentimentos, para isto uma boa história zen:
Um mestre zen ia, com discípulos, por uma pequena cidade, numa casa de subúrbio, um velório, as pessoas choravam um morto, ele entrou na casa, abraçou-se com as pessoas e chorou copiosamente. Uma hora depois ele saiu, o rosto inchado, e os alunos espantados:
- O senhor conhecia esta pessoa? Era seu amigo?
- Não..
- Então porque se emocionou tanto? Por que entrou lá?
- Ah! ... Eles estavam muito tristes...e eu me entristeci com eles...
domingo, 2 de março de 2008
A paz é uma emoção? Ou ela é a ausência emocional? Um estado de ataraxia.Ou outra coisa?
Um mestre zen recebeu uma carta comunicando a morte de um ente querido. Sentou-se em uma pedra e pôs-se a chorar desconsoladamente. Um discípulo se aproximou e disse:
- Não entendo! O senhor nos ensinou a extinguir as paixões, e que os apegos são ilusões, sendo a morte e o nascimento fenômenos ilusórios perante a iluminação, agora com uma notícia está chorando???
O mestre parou de chorar e o olhou:
- Escute aqui seu idiota! Eu estou chorando porque eu quero! E pegando a carta virou-se para o outro lado e voltou a soluçar desconsoladamente.
- Não entendo! O senhor nos ensinou a extinguir as paixões, e que os apegos são ilusões, sendo a morte e o nascimento fenômenos ilusórios perante a iluminação, agora com uma notícia está chorando???
O mestre parou de chorar e o olhou:
- Escute aqui seu idiota! Eu estou chorando porque eu quero! E pegando a carta virou-se para o outro lado e voltou a soluçar desconsoladamente.
Assinar:
Postagens (Atom)



