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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Basta ouvir ensinamentos?



Aluno – No vocabulário Zen, existe a palavra samadhi, que significa concentração. Existe algum foco especial no budismo a respeito da meditação/concentração, ou é apenas uma coincidência?

Monge Genshô – Não, não é coincidência. O Zen budismo se vê como budismo contemplativo, ele enfatiza, e a diferença entre os budismos, é essa, a ênfase. A escola Theravada enfatiza o estudo dos sutras. O budismo Zen enfatiza a prática da meditação, sempre digo que essa prática no Zen deve ser feita em quantidades industriais, mas a mesma coisa acontece na prática do Theravada, pois existe grande similaridade nessa ênfase. 

Embora se diga frequentemente no zen, que as escrituras e os textos são o dedo que aponta para a lua, mas que não são a lua, são mapas para que se possa seguir um caminho. Não são o caminho. São indicações, você tem que trilhar o caminho por seus próprios pés para chegar lá. Não basta ler ou ouvir ensinamentos. Costuma-se dizer no Zen que enquanto nele se falar, ele não estará presente. Quando estávamos calados experimentando a prática da meditação, o Zen estava presente. Agora é só conversa a respeito. 

A palavra chan vem do sânscrito dhyanna que significa meditação, então, o budismo Zen significa o budismo que enfatiza a prática da meditação. Na verdade, no Zen, embora diga-se frequentemente, como acabei de dizer, que os ensinamentos são apenas o mapa, dificilmente você encontrará tantos textos quanto existem sobre o Zen, e os professores estão sempre escrevendo. Aqui, por exemplo, tem um gravador para documentar a palestra. Por quê? Porque acabarão virando texto. Na realidade, existe estudo no Zen e Dogen ZenJi diz que o estudo dos sutras é a base do caminho. Não se chega à outra margem sem saber, e mesmo que Hui Neng seja declarado um patriarca analfabeto, leia seu o texto e você verá quantas citações nele há; ele parece um erudito. Mesmo que ele guardasse de memória por não saber ler, ele ouvia, guardava, sabia citar e raciocinar. Sem esse instrumento não vamos longe. 

A ênfase do Zen é mais do tipo, “não me diga as palavras de Buda, me diga as suas”. É a verdade que você está praticando, e essa é a verdade do Zen, e não as indicações ou os textos. Como você está vivendo, como está sua mente agora, essa é a verdade. Mas existem três portas de acesso: emoção, estudo e ação. São três portas de acesso para o caminho. As pessoas são diferentes, existem pessoas que naturalmente estão preparadas para o caminho intelectual, outras para o caminho da emoção e outras para o caminho da ação. Cada uma deve praticar com a escola mais adequada para o seu coração, para o seu sentimento, devendo praticar naquele lugar com o qual ela sinta que tem conexão. Por isso, é tão importante escolher o seu mestre e sua escola. Nesse sentido, recomendo a vocês o texto de um famoso escritor, o professor Ricardo Sasaki, intitulado A que Escola pertenço. (um toque de humor, o Prof. Sasaki era o anfitrião nesta palestra ministrada em sua Sangha Theravada em BH)

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A vida é um sonho nítido

(continuação)
Há uma outra história, com balde, num famoso conto Zen, sobre uma monja que carregava um balde cheio de água, era noite e a luz da lua se refletia na superfície da água do balde, de repente o fundo do balde partiu-se, a água toda escorreu e ela viu: nem água nem lua, e neste momento despertou. O que é que vemos nas nossas vidas de sonhos, tão nítidos, que não é um reflexo na superfície, como a lua que se reflete na água? Esta vida é um sonho nítido, um discípulo perguntou a Joshu que morria: - "Mestre, diga alguma coisa! " e ele já com 118 anos disse: - "Não tenho nada para dizer." O discípulo insistiu: - "Mas nos diga alguma coisa, nos deixe alguma coisa !", e Joshu respondeu: - “A vida é um sonho”, e expirou.

Sim a vida é um sonho, mas um sonho muito nítido e como é tão nítido, nos perdemos nele. Sempre acorremos quando temos um amigo sofrendo de um pesadelo, vemos que ele sua, geme, sofre. Nos vamos lá, sacudimos seus ombros e dizemos: - "Acorda! Acorda! Ei, acorda!" E ele despertando diz: - Ah! Ai...era só um sonho"" , mas ainda o coração está acelerado. Nós nos perguntamos se é tudo ilusão, se a vida é um sonho, por que os mestres estão ensinando? Porque se compadecem do sofrimento do pesadelo e por isso tentam acordar seus alunos para que eles possam dizer: "Ah! Era só um sonho!"

Como o poema de Fayan:
“Por toda parte que eu vá, a lua da noite gelada cai como quer, nos vales adiante”, demonstrando o caminho incomparável da verdade última.

Monge Genshô, (Palestra como Shusô, na noite que antecedeu seu Hossenshiki, outubro de 2008)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Busca


"O macaco busca a lua na água
Até que a morte o encontre, não desistirá
Se apenas abandonasse o galho e sumisse no lago profundo
O mundo inteiro brilharia com surpreendente claridade"

sábado, 29 de agosto de 2009

Abandonar o galho


"O macaco busca a lua na água
Até que a morte o encontre, não desistirá
Se apenas abandonasse o galho e sumisse no lago profundo
O mundo inteiro brilharia com surpreendente claridade"

segunda-feira, 16 de julho de 2007

A Lua , é a mesma para o mestre e para o discípulo?

Em termos absolutos a lua não tem existência inerente (por si mesma, ela é Lua porque está neste universo, tem a Terra para ser sua Lua, é interdependente). Se o mestre é iluminado sua percepção de um objeto não é maculada por marcas adventícias, mas o discípulo certamente tem suas idéias sobre a Lua, as palavras que a ela se referem, o que sabe sobre a dita Lua, assim o que ele vê não é a Lua mas sua idéia de um satélite natural.
Estas perguntas estão todas maculadas pelas palavras e portanto as próprias respostas não podem ser puras nem perfeitas, desde que são expressas por meio destes símbolos verbais, desta forma a verdadeira comunicação, por este meio, é obrigatoriamente imperfeita. Por esta razão a insistência no zen em uma comunicação "ï shin den shin", de mente a mente, sem palavras.