Mostrando postagens com marcador pecado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pecado. Mostrar todas as postagens
sábado, 19 de agosto de 2017
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Para conversar procuremos as similaridades
Pergunta – Me identifico muito com o budismo, por isso estou aqui, mas é possível seguir o budismo tendo outra religião?
Monge Genshô – As técnicas de meditação sim. Mas se formos aprofundando a prática e os conhecimentos, vai ficando incompatível, por exemplo, o budismo não considera a existência de um deus criador. Em determinado momento a pessoa terá que escolher. Do ponto de vista místico ou virtuoso, as diferenças são poucas. Se você comparar os mandamentos bíblicos com os preceitos budistas, eles são em espírito praticamente os mesmos, com algumas diferenças, é claro, por exemplo, o budismo não vê no sexo um pecado, o preceito é “não usar sua sexualidade de forma a causar sofrimento”. Se você, como forma de castigar sua esposa ou marido, se recusar a fazer sexo com ela ou ele, está causando sofrimento, e é errado.
No cristianismo, por exemplo, todos nascem com um pecado original e necessitam ser batizadas para tirar esse pecado. No budismo não existe o conceito de pecado, muito menos de um pecado original. O budismo vê ação e consequência, cada ato seu terá retorno e não há um deus que irá lhe castigar, você é quem terá que lidar com seus erros, pois também não há ninguém para absolvê-lo de seus atos errados. Outro conceito inexistente no budismo é a visão eternalista da alma, no budismo nada eterno existe. Está em suas mãos mudar tanto essa vida como as outras que virão, mas que não será você mesmo. São muitas diferenças.
Pergunta – Na verdade eu pensava mais na questão das transmissões de Jesus sobre o amor, como amar à Deus sobre todas as coisas...
Monge Genshô – Pois então, aí já começa uma diferença aguda, não amamos um deus lá fora e que pode nos salvar ou algo parecido. Temos que amar à todos os seres e pessoas e sermos compassivos, não poderia haver um povo escolhido com direito a matar e conquistar outros, na realidade, como falei antes, “eu” e “outro” não existe. Se eu ando com um amigo cristão e conversamos superficialmente sobre as similaridades do budismo e cristianismo, nos daremos muito bem.
Pergunta – Uma sensação que tenho é que no inicio de minha prática parecia que havia uma grande evolução e agora pareço estacionado sem avançar muito, isso é normal?
Monge Genshô – Isso acontece com quase todas as pessoas quando iniciam sua prática do Dharma, tudo parece maravilhoso e que há um grande progresso. Depois parece que há uma parede de ferro na sua frente e é impossível avançar um passo sequer. É preciso entender que é assim mesmo, caso contrário nos sentiremos desmotivados para continuar. É muito bom quando você fala para seu mestre que não sabe mais porque senta, uma vez que não consegue mais avançar, mas continua mesmo assim, é sinal que você desistiu dos seus objetivos.
Pergunta – Às vezes a gente percebe que uma pessoa fala tolices por falar, mas outras vezes as coisas ditas podem prejudicar a sangha, o que devemos fazer?
Monge Genshô – Você pode contestar essa pessoa e dessa forma todos terão a oportunidade de aprender, é como falei no começo, a sangha é como arroz no pilão. A sangha é um lugar de harmonia, mas isso não significa que não deva haver atrito, isso tem que existir. Para que existir sangha se todas as pessoas fossem maravilhosas? É como ir ao hospital e ler na fachada, “Casa de Saúde” e você perguntar como pode ser casa de saúde se todos aqui dentro estão doentes? Todos que vêm à sangha têm sofrimento, senão não viriam. Se vocês estão aqui é porque não são iluminados. Parece-me lógico que tenhamos conflitos e atritos. Mas isso deve ser feito com sentimento de compaixão e amorosidade e não com raiva.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Nada para se agarrar
Pergunta – Por e-mail recebo alguns trechos de textos budistas e gostei muito do último que dizia que “a infelicidade, depois que você começa a praticar o Dharma, é um indicador da evolução do seu caminho”. Gostaria que o senhor esclarecesse isto.
Monge Genshô – O Dharma, ao invés de dar algum consolo, retira da pessoa todos seus apoios, de tudo o que você pretende agarrar-se, deuses, anjos, etc.., tudo isso o Dharma tira. Muitas vezes as pessoas, ao viver esta desconstrução da fé, ficam muito perdidas e há um choque. Eu acho este choque muito bom, mas sei que carrega sofrimento. “Tudo que eu tinha o senhor tirou”. Esta é a tarefa do professor no Zen. Caso alguém não se sinta confortável com isso, deve talvez procurar um outro lugar mais confortável.
Sei que isto não é tranquilizador, mas sei que despertar e acordar das ilusões é muito feliz. Sei que isto não é fácil e exige grande esforço. Então, no início pode ser assim, infeliz. Mas pode não ser. Você pode chegar aqui, ouvir todas essas barbaridades que eu disse, e sentir uma sensação de grande alívio. Eu tive isso quando ouvi um Monge Zen a primeira vez.
Pergunta – Fui educada dentro de uma religião e o Zen para mim foi um grande alívio. Pensar em pecado, juízo final, purgatório, traz uma sensação de uma saga sem fim.
Monge Genshô – O conceito de pecado não interessa para o budismo. Na realidade nossas ações tem consequências. E nossa vida baseia-se nisso. Você tem que tentar fazer o bem, e isto vai automaticamente lhe trazer felicidade. Não há ninguém lá fora nos julgando não. Mas os resultados das nossas ações são muito mais implacáveis do que se houvesse alguém para nos perdoar. Se fizermos algo errado, teremos que consertar. É assim que o budismo pensa. Despertar das ilusões.
Temos um método, com raciocínios claros e não estamos dispostos a sermos enganados. Não estamos confiando em crenças. Um monge não tem a verdade para vender e ninguém precisa acreditar nele. Desejo que as pessoas tenham grande dúvida e nunca percam sua independência mental. Por isso, o trabalho do professor do Zen é difícil, pois os alunos sempre estão trazendo perguntas, dúvidas. E isto é muito bom, significa ter alunos de verdade. Quando alguém apenas tem fé e acredita sem questionar, acho que não passa de um tolo.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Ria de seus erros
Aluno – O senhor poderia falar um pouco mais sobre o caminho do meio?
Monge Genshô – O caminho do meio, é o caminho budista. Isto é caracterizado por uma célebre história de Buda, uma metáfora. Você tem uma cítara, um instrumento musical. Se você aperta demais a corda, ela não toca, pode arrebentar. Se você aperta de menos, você não consegue som. Então deve afiná-la no tom justo e para afinar um instrumento no tom justo, existe um meio. Os instrumentos musicais são afinados com a nota “lá”. Quando uma orquestra vai tocar, o primeiro violino, o spalla, toca o “lá” para toda orquestra. Ela é afinada ali, naquele momento. Por que os instrumentos não vêm afinados lá de trás? Porque ali temos outra temperatura e os instrumentos com pequenas variações de temperatura mudam sua afinação. Então o spalla dá o “lá”, e todos afinam. E esta é uma nota média. A partir do caminho do meio nós podemos produzir música. Quando nós exageramos para qualquer lado, nós não conseguimos.
Mas isto é muito típico na prática espiritual. Se você tentar ser um santo perfeito, não cometer nenhum erro, não ter nenhum pensamento errado, não dizer nenhuma palavra errada e punir-se cada vez que você comete um erro, você não fará mais que viver em culpas, tentando ser um santo. No Zen nós dizemos que não queremos santos. Nós queremos pessoas despertas e pessoas despertas riem dos seus erros. Eles não querem ser santos, sabem que cometem erros, sempre. Do outro lado, algumas pessoas imaginam: o budismo não tem pecado, não tem mandamentos, nem um Deus para nos castigar, não existe um inferno nos esperando nem um céu para nos premiar, então tudo é permitido e poderei fazer o que EU quero.
Este é um grande erro, porque Buda disse: para evitar o sofrimento você precisa seguir tais caminhos, e ensinou o Caminho Óctuplo. E este caminho é composto de muitas regras morais e virtuosas. Regras para falar, para pensar, para agir, trabalhos para viver, o que é bom e o que não é. Buda não escapa do certo e errado no Caminho Óctuplo. Você não pode ficar com algo que não lhe é dado espontaneamente, ou seja, você não pode roubar. Se você roubar, isto será um caminho para grande sofrimento. Existe certo e errado, bem como regras. Então o Caminho do Meio é um caminho de moderação, nem o exagero do ascetismo, da tentativa de ser um santo, nem o caminho da licenciosidade, onde tudo é permitido e corremos atrás de prazeres. Isto é o Caminho do Meio.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Qual a diferença entre a salvação cristã e a iluminação budista?
Sorriso de monja zen. Myoren San, de Parma , Itália, em Yokoji, 2010.
O objetivo no cristianismo tradicional não é a extinção do ego, é a salvação da condenação pelos pecados, esta é conseguida pela intermediação do Salvador, que carrega os pecados do mundo sobre si, para que o arrependimento seja suficiente sem que a punição sobrevenha. Neste diferente contexto a alma vai diretamente ao paraíso, os que recusam a salvação são condenados por toda a eternidade ao inferno. A alma é individual e isto jamais muda, o paraíso é estar na presença de Deus.
Como já vimos a iluminação budista é a extinção do eu individual, a descoberta de nossa verdadeira natureza. Não há uma divindade envolvida nisto, nem mandamentos, nem pecado, nem salvadores, nem castigos divinos nem prêmios divinos.
Marcadores:
alma,
budismo,
cristianismo,
divindade,
eu,
iluminação,
pecado,
salvação,
Salvador
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Você nasceu com eles
Silhueta de estátua de kanzeon, representação da virtude da compaixão. Yokoji. Foto Jinshin.
P: Tenho vergonha de minhas inclinações sexuais, que fazer?
R: O budismo não vê pecado, não vê transgressão, o que ele vê é que todos somos frutos de nossos impulsos cármicos, você não escolheu seus impulsos, nasceu com eles, mas quaisquer desejos de qualquer natureza conduzem ao sofrimento, pois em algum momento nos frustraremos.
Em primeiro lugar não se culpe, em segundo tente iniciar uma prática espiritual budista em que você não será acusado de pecador ou algo semelhante. A partir daí comece lentamente a buscar sua libertação deste mundo de ciclos repetidos em que sempre voltamos para realizar as mesmas coisas e sofrer do mesmo modo com a impermanência e transitoriedade de tudo.
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
O Cristianismo também pretende a iluminação?
O objetivo no cristianismo tradicional não é a extinção do ego, a iluminação, é a salvação da condenação pelos pecados, esta é conseguida pela intermediação do Salvador, que carrega os pecados do mundo sobre si, para que o arrependimento seja suficiente, sem que a punição sobrevenha.
Neste diferente contexto a alma vai diretamente ao paraíso, os que recusam a salvação são condenados por toda a eternidade ao inferno. A alma é individual e isto jamais muda, o paraíso é estar na presença de Deus.
Como já vimos a iluminação budista é a extinção do eu individual, a descoberta de nossa verdadeira natureza. Não há uma divindade envolvida nisto, nem alma, nem mandamentos, nem pecado, nem salvadores, nem castigos divinos nem prêmios divinos.
Neste diferente contexto a alma vai diretamente ao paraíso, os que recusam a salvação são condenados por toda a eternidade ao inferno. A alma é individual e isto jamais muda, o paraíso é estar na presença de Deus.
Como já vimos a iluminação budista é a extinção do eu individual, a descoberta de nossa verdadeira natureza. Não há uma divindade envolvida nisto, nem alma, nem mandamentos, nem pecado, nem salvadores, nem castigos divinos nem prêmios divinos.
Assinar:
Postagens (Atom)


