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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O décimo preceito



10. Eu decido não desrespeitar os Três Tesouros (Buddha, Dharma e Sangha), mas sim nutri-los e apoiá-los.

Como os Três Tesouros são inseparáveis uns dos outros, o despertar modela a nossa prática e a nossa vida comunitária, a prática modela a nossa vida comunitária e o nosso despertar, e a vida comunitária modela o nosso despertar e a nossa prática. O desrespeito a qualquer um dos três tesouros acarreta também danos para os outros dois. Reconhecer as nossas transgressões, buscar reconciliação,  harmonia e renovar o nosso compromisso com os preceitos é o trabalho da Natureza Búdica e a reafirmação de nosso lugar na Sangha. Quando a integridade da Sangha é honrada e protegida, os Três Tesouros se manifestam.


 Fonte: http://monjaisshin.wordpress.com

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Os três refúgios



Os Três Refúgios

1. Eu tomo refúgio no Buda.
Refugiamo-nos em Buda porque ele é nosso grande mestre. Ao tomar refúgio no Buda, nós reconhecemos a Natureza Búdica de todos os seres. Embora haja diferentes níveis de autoridade administrativa e religiosa na sangha, nós reconhecemos que todos nós somos, igualmente, a expressão da Natureza Búdica.

2. Eu tomo refúgio no Dharma.
Refugiamo-nos na Lei porque é um bom remédio. Ao tomar refúgio no Dharma, nós reconhecemos a sabedoria e a compaixão do modo de vida Budista. É através do Dharma que nós exprimimos e tornamos acessíveis os ensinamentos de Buda tal como nos foram transmitidos através da linhagem de nossos professores. O termo “Dharma” é freqüentemente traduzido como “Lei”, e nesta perspectiva nós podemos ver os ensinamentos de Buda como diretrizes para nosso comportamento em todas as áreas de nossas vidas.

3. Eu tomo refúgio na Sangha.
Refugiamo-nos na Comunidade Budista porque é composta de excelentes amigos. Ao tomar refúgio na Sangha, nós reconhecemos o importante papel que a vida comunitária na sangha desempenha na nossa prática. A fim de que a Sangha seja um refúgio, nós aspiramos criar um ambiente inclusivo, com espaço para compreensão e aceitação de nossas diferenças.

 http://monjaisshin.wordpress.com/os-preceitos-do-bodisatva/

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Por trás de um grão de arroz


É importante que revisemos a importância das cerimônias e alguns de seus significados. Por exemplo, quando recitamos os refúgios, devemos ter um sentimento de gratidão por estas três jóias. O Buda, um ideal, um homem que conseguiu se elevar por seus próprios meios. O Dharma, o ensinamento, a lei e a sabedoria. A Sangha, que em contraposição em levantar-me por meus próprios meios, significa que na verdade necessitamos muito uns dos outros. Sem as três jóias a prática seria impossível. Dificilmente sentaríamos para praticar por tanto tempo sozinhos, fazemos isso porque existe uma estrutura a nos apoiar e conduzir. Todos nós, unidos, temos uma força que é maior que a força individual de cada um. Isso serve para todos, inclusive monges e professores, eu não sentaria tanto tempo se não estivesse com vocês, minha prática é sustentada pelos alunos.

Há também na cerimônia um momento muito importante de gratidão e reverência que é quando recitamos os nomes dos patriarcas e ancestrais desde Shakyamuni Buda até o momento presente, ou então até os cinquenta e sete primeiros, terminando em “Keizan Daiosho”, que foi o grande organizador da Soto Zen. Foi ele quem adaptou o Zen à cultura japonesa e também trouxe muitos monges de outras ordens para a Soto Zen.

Outro momento importante do sesshin são as refeições com oryoki.  Esse tipo de refeição formal e cerimoniosa está cheio de agradecimentos. Agradecemos todos os esforços que fizeram com que o alimento chegasse até nossa mesa. A cada vez que um jonin, a pessoa que nos serve, vem à nossa frente, devemos fazer gasshô. Mas esse gesto de gasshô não deve ser vazio, pois o jonin é o último elo de uma imensa corrente que trouxe o alimento até minha tigela. Se formos regredindo a partir do jonin poderemos chegar até um homem no mar explorando gás, que pode ser o mesmo gás que ajudou a fazer a comida que comemos.

No campo também estão envolvidos os animais de tração, os agricultores e até mesmo as minhocas que revolvem a terra. De uma maneira ainda mais abrangente temos todas as plantas do planeta que produzem o oxigênio, sem o qual o fogo não seria possível. Engenheiros, agricultores, mecânicos, produtores, transportadores, vendedores e carregadores, todos estão envolvidos na produção desse alimento, então, em cada grão de arroz há sofrimento, dedicação, esforço, lágrimas e morte. Mesmo nossa comida sendo vegana nós matamos para comer, pois aramos o solo, derrubamos florestas para abrir campos de cultivo, nada do que está em nossa frente para comermos é inocente, tudo tem sofrimento e dor envolvidos. Por isso não jogamos fora nem um grão de arroz, raspamos a tigela com pão, lavamos com água quente e a bebemos.

As pessoas que comem sem pensar sobre tudo isso estão perdendo seu próprio elo com a natureza. Nossas vidas humanas são extremamente preciosas. Nós todos fizemos grandes esforços para virmos até esse sesshin. Em um nível mais profundo, construíram carma durante milhões de anos para estarem sentados nesse sesshin. Muitas vezes desperdiçamos tolamente nossas vidas sem prestar atenção a tudo que esteve atrás de nós, toda dor e sofrimento que nos possibilita estarmos em pé. Lembrem-se, todas as vezes que fazemos prostrações, estamos agradecendo a Buda, aos ancestrais e a todos os seres por estarmos aqui tendo a oportunidade de praticar e despertar, e também pela oportunidade de sermos felizes, pois a felicidade está disponível. Não somos felizes por construirmos infelicidade com nossa cegueira e por não enxergarmos tudo que existe por trás de um grão de arroz.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Sem professor não há Sangha



Pergunta: O senhor sempre fala sobre o Dharma, eu gostaria de tentar entender o que é o Dharma.

Monge Genshô – Nós temos três jóias no Budismo. O Buda, o Dharma e a Sangha. Temos uma cerimônia em que tomamos refúgio nessas três jóias. Tomar refúgio é como retornar e abrigar-se nas jóias. Buda não é uma pessoa, um Deus ou um salvador, Buda é essencialmente uma idéia, a idéia de que todos podemos acordar como Sidharta Gautama Shakyamuni acordou. Quando ele fez isto foi chamado de Buda, “aquele que despertou”. Todos os homens estão sonhando sonhos de ilusões, se acordam de suas ilusões, livram-se de seus sofrimentos. Sentimentos comuns como, por exemplo, ciúmes, por que ele existe? Porque somos apegados, inseguros, porque queremos possuir pessoas ou coisas, então surge esse sentimento que é, em essência, egoísta, que nasce da noção de um “eu” e este “eu” é a ilusão mais importante. É deste “eu” que Buda se livrou, acordou, livrando-se dos apegos. Esta é então a primeira jóia. Refugiar-se no Buda significa abrigar-se nessa idéia e confiar que mesmo sendo um ser imperfeito e cheio de problemas, apegos e paixões, pode-se despertar com a prática correta.

A segunda jóia é o Dharma, que significa “a lei” ou “doutrina”. Quando digo que me refugio no Dharma, estou afirmando que busco nos ensinamentos, minha libertação. Se sofro, é porque não compreendi corretamente os ensinamentos. Talvez intelectualmente os tenha entendido, mas não os levei até meu coração. Se conseguir entender o Dharma com minha mente e intelecto e através da prática, esforço e meditação me modificar, então realmente eu realizo o Dharma. Realizar no sentido de tornar real o Dharma dentro de mim, incorporar ou entender profundamente. Incorporar o Dharma é torná-lo real dentro de si e modificar-se. Se eu conseguir abdicar de meu egoísmo, por exemplo, o sofrimento que provém do ciúme desaparece.

A terceira jóia é a Sangha, que é a comunidade. A prática sem a comunidade é muito difícil. Tentar aprender sem um professor é muito problemático e um grande sinal de vaidade, nem Buda treinou sem professor. Antes de se iluminar ele teve vários professores. É freqüente escutar pessoas dizendo que não necessitam de professores ou instituição, que sozinhos e com leituras e estudos alcançarão a iluminação. Se fosse tão simples, não haveria necessidade de treinadores esportivos ou professores de música, não existe nenhum exemplo de pessoas que se desenvolveram em qualquer setor que seja sem um professor em algum momento. Podemos até superar nossos professores, mas no início precisamos de um guia. Precisamos que alguém que nos ajude, corrija e interprete nossas idéias, senão corremos o risco de ficar batendo a cabeça com pensamentos errados. Em mil novecentos e setenta e três eu conheci o Dharma, isso já faz quarenta anos e ainda hoje eu tenho um professor a quem apresento minhas dúvidas e perguntas. Tenho ciência de minha dependência de seus ensinamentos e em razão disso tenho medo que ele morra, pois seria o mesmo que perder um pai. Não vejo quando poderei prescindir de alguém para me ensinar o Dharma. É extrema vaidade pensar que sozinho sou suficiente, é uma grande tolice. Na sangha nós nos apoiamos, ensinamos uns aos outros e incomodamos uns aos outros. Quando alguém faz algo errado, é nosso mestre de tolerância. Quando alguém é chato, é nosso mestre de paciência. Se alguém diz uma bobagem, é nossa oportunidade de olhá-lo como um sábio. A sangha precisa de um professor, se não houver um professor autorizado e responsável é um clube de meditação e não uma Sangha.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Os Três Refúgios

Os Três Refúgios

Os três refúgios representam a fundação e a orientação de nossas vidas como seguidores do Caminho de Buda.

1. Eu tomo refúgio no Buda. Ao tomar refúgio no Buda, nós reconhecemos a Natureza Búdica de todos os seres. Embora haja diferentes níveis de autoridade administrativa e religiosa no Centro Zen, nós reconhecemos que todos nós somos, igualmente, a expressão da Natureza Búdica.

2. Eu tomo refúgio no Dharma. Ao tomar refúgio no Dharma, nós reconhecemos a sabedoria e a compaixão do modo de vida Budista. É através do Dharma que nós exprimimos e tornamos acessíveis os ensinamentos de Buda tal como nos foram transmitidos através da linhagem de nossos professores. O termo "Dharma" é freqüentemente traduzido como "Lei", e nesta perspectiva nós podemos ver os ensinamentos de Buda como diretrizes para nosso comportamento em todas as áreas de nossas vidas.

3. Eu tomo refúgio na Sangha. Ao tomar refúgio na Sangha, nós reconhecemos o importante papel que a vida comunitária do Centro Zen desempenha na nossa prática. A fim de que a Sangha seja um refúgio, nós aspiramos criar um ambiente inclusivo, com espaço para compreensão e aceitação de nossas diferenças. Ao mesmo tempo, nós trabalhamos para implementar a percepção de que a Sangha e seus membros não são entidades separadas. Uma comunicação aberta e permanente dentro da Sangha é essencial para que seja criado este refúgio. Quaisquer preocupações ou conflitos éticos devem ser integralmente ouvidos e apropriadamente discutidos.

Texto do Zen Center de Rochester (Tradução de Francisco Scherer; Revisão de Giovanni Kakugen)