Mostrando postagens com marcador anicca. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador anicca. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
6 | As três marcas da existência | Monge Genshô
Marcadores:
anatta,
anicca,
cíclica,
dukkha,
existência,
Genshô,
impermanência,
marcas,
Monge,
não eu,
sofrimento,
três
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Impermanência e os eruditos de bar
1) O senhor poderia falar sobre a impermanência?
Monge Genshô – Impermanência em sânscrito é “Anitya”, que é uma das marcas da existência. Toda existência é impermanente, não existe nada permanente e sólido no mundo. Nós, seres humanos, colocamos nossa felicidade na permanência, desejamos que nossos amores durem para sempre, não é assim que terminam os contos de fadas? “E foram felizes para sempre...” Temos o desejo pela estabilidade, gostaríamos de um emprego público com salário excelente e zero possibilidade de demissão. Gostaríamos de viver em um país de contos de fadas onde uma pessoa que cometesse um grave erro fosse aposentada compulsoriamente com salário integral. O problema é que colocamos nossa felicidade na estabilidade, estabilidade de todas as coisas, inclusive, como acontece em alguns contos de fadas, uma fonte da juventude onde pudéssemos beber de sua água e jamais envelhecer. O sonho da vida eterna.
Esse sonho de vida eterna é recorrente nas fantasias religiosas, onde teremos uma vida eterna em um corpo perfeito. Outras religiões têm o sonho de um “eu” sobrevivente com uma alma eterna que igualmente não envelhece ou morre. Um paraíso que dure para sempre, imutável. Do ponto de vista do Zen, talvez fosse isso um castigo, estar eternamente na mesma situação sem nunca ela se alterar.
A experiência mostra que quando uma pessoa se vê nessa situação ela sente-se mal. Imaginem uma pessoa em uma prisão. Ninguém poderá incomodá-lo, lhe será fornecida comida duas ou três vezes ao dia, essa pessoa terá cama, banheiro e comida para sempre. Uma prisão perpétua em solitária. Para o Zen isso seria um castigo inumano. É a situação da estabilidade perfeita: a pessoa recebe tudo, não tem contas para pagar, ninguém para incomodar, nenhuma situação que comece e termine, tudo perfeito.
Parece que a impermanência tem dois lados: de um, é a fonte de todo o sofrimento humano, pois ele coloca a felicidade na estabilidade mas, por outro lado, se você propicia a uma pessoa a estabilidade perfeita, ela poderá encarar como um castigo, pois é a vida sem aventura. Nunca me esqueço de quando estive em Andorra, um Principado que fica entre a França e a Espanha. Não existe moeda local, eles usam o Euro; não tem exército, vivem do turismo; todos os habitantes possuem casa, habitação e tudo funciona perfeitamente bem. Em Andorra os jovens se queixam que não existe nada para fazer, nada acontece no país, eles já sabem onde irão morar, com quem se casarão, onde trabalharão, não existe serviço militar, vivem de receber os turistas, sabem que terão a vida igual a de seus pais. Aposto que o pensamento deles é - “como eu gostaria de morar em um lugar como o Brasil, onde as coisas mudam constantemente”.
“Anitya”, a marca da impermanência, é ao mesmo tempo benção e maldição. Que bom que a gente envelhece e morre. Se fôssemos todos eternamente jovens não poderíamos amar e ter filhos, pois não haveria lugar no mundo para tanta gente. Para que haja lugar para os filhos temos que ir embora. Esse é o fluxo da vida e a impermanência.
Na semana passada falamos sobre os três corpos, o “Tri Kaya”, que é uma construção, é conveniente para raciocinar e pensar, mas não nos ajuda necessariamente no caminho da iluminação. A teoria budista pode construir outro tipo de ilusão, do erudito budista que imagina que saiba muito sobre o budismo, conhece muitos termos, mas não sabe viver. Esse tipo é ótimo para sentar em mesas de bar para tomar uma cerveja e impressionar os amigos com seus conhecimentos profundos.
Marcadores:
Andorra,
anicca,
bar,
budismo,
eruditos,
eterna,
felicidade,
impermanência,
perpétua,
prisão,
sonho,
viver,
zen
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Entramos na morte acompanhados pelo nosso carma
Texto "Shushogi" (continuação)
“Nascer como ser humano é algo raro; ainda mais raro é entrar em contato com o Dharma Budista. Pelas nossas virtudes do passado entretanto, fomos capazes não apenas de nascer humanos, mas também de encontrar o Budismo. Dentro do campo de nascimento e morte, então, nossa vida atual deve ser considerada a melhor e a mais excelente de todas. Não desperdicem seus preciosos corpos humanos à toa, abandonando-os aos ventos da impermanência. Não se pode confiar na impermanência. Não sabemos quando nem onde a vida transiente terminará. Nossos corpos não nos pertencem; e a vida, à mercê do tempo, continua sem parar nem por um momento. Assim que a face da juventude desaparece, não é possível encontrar nem mesmo traços dela. Quando pensamos cuidadosamente, descobrimos que o tempo, uma vez perdido, nunca volta. Frente à impermanência, nem reis, ministros de estado, parentes, servos, mulher e filhos e jóias raras podem nos socorrer. Devemos entrar no reino da morte a sós, acompanhados apenas pelo nosso bom ou mau carma.”
Pergunta – O estado de Nirvana só é possível porque estamos no estado de Samsara?
Monge Genshô – Só vemos um e outro porque estamos perdidos. Samsara significa literalmente “perambular”. Andamos perambulando pelo mundo procurando algo agradável que nos tranquilize. O Samsara é caracterizado por pensamentos do tipo “Se eu tivesse um carro”, “se eu tivesse uma casa”, “Se ganhasse na megasena”, “Se tivesse um amor”, “Se fosse bonito”, sempre “Se”. Cada vez que se conquista algo, se deseja outra coisa.
Pergunta – O que seria necessário para se libertar dessa roda do Samsara?
Monge Genshô – O Nirvana é o estado como olhamos o fluxo e nos vemos livres do Samsara. Nós vemos o ciclo da vida com seus altos e baixos e o aceitamos. O primeiro passo é entender com clareza esse ciclo, isso não é um entendimento intelectual, mas sim um entendimento profundo, olhar para todas as coisas e pessoas e enxergar a impermanência. Essa é uma marca da existência, “Anicca”, que significa impermanente.
A segunda marca da existência é “Anatta”, nada tem um “eu” inerente. Quando falamos “a mesa”, estamos nos referindo a pedaços de madeira que arranjados dessa maneira tem a “forma” da mesa, mas ela não possui um “eu” chamado mesa. Da mesma maneira são as pessoas, pedaços de unhas, dedos, carne, sangue, pele que, juntos e arranjados desta maneira, formam um ser humano, mas lhe damos identidades e nomes. Nosso “eu” é tão sólido e real quanto o “eu” da mesa e compreender que nosso “eu” é uma construção proporcionada pelo funcionamento de nossa mente é algo muito difícil. Tudo nos desmente, abrimos os olhos e vemos os outros.
A terceira marca da existência é “Dukkha”. Muitas vezes traduzida como sofrimento a palavra significa na verdade “cíclico” ou “insatisfatório”. A vida é assim, cheia de altos e baixos. Dois anos atrás nasceu um neto, o coloquei no colo e estava muito feliz. Hoje está diagnosticado com leucemia. Tivemos um momento maravilhoso com seu nascimento, agora é o momento do sofrimento pela doença e se amanhã ele for curado será novamente o momento de sorrir de felicidade. A vida é e sempre será assim. Se tivermos sorte morreremos antes dos nossos filhos, porque tristeza mesmo é ver um filho morrer. Uma vez um rei perguntou para um Monge o que era felicidade e ele respondeu, “Felicidade é morrer o avô, o pai e depois o filho”.
Marcadores:
anatta,
anicca,
budismo,
carma,
dukkha,
existência,
felicidade,
marcas,
morte,
nirvana,
samsara,
shushogi,
zen
Assinar:
Postagens (Atom)

