quarta-feira, 19 de outubro de 2016

2| A primeira verdade do sermão de Buddha | Monge Genshô

Somos ondas de carma



(Continuação) Quando morremos os constituintes do nosso corpo viram cinzas, por exemplo, são jogados na natureza e nada vai embora, tudo permanece, nenhum átomo é perdido. Como nós podemos pensar, então, que vamos ou viemos se nós sempre estivemos aqui? Da mesma forma cada pedaço de vocês continuará. Quem somos nós nesse sentido? Nós somos ondas de carma, movimentando uma manifestação de vida. Esta onda é que tem memória, personalidade e uma porção de características. (Continua)

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Morte: Nós nunca deixamos de estar aqui



(Continuação) Quando nós pensamos em ir para um lugar significa que você se desloca, mas na realidade nós sempre estamos aqui, não existe esse “ir”. Você também nunca veio de algum lugar, por isso não tem para onde ir. Nós nunca deixamos de estar aqui. É fácil de entender isso do ponto de vista físico. Todos os componentes do nosso corpo estavam aqui muito tempo atrás. As plantas têm carbono, por exemplo, e nós também temos. Mas esse carbono é muito antigo, assim como o ferro do nosso corpo. O ferro que está no sangue de vocês foi produzido no interior de estrelas que faleceram antes do Sol nascer. Só quando uma estrela supernova entra em colapso, logo antes de explodir, é que ela produz ferro. Então esse ferro produzido por elas ficou no universo e veio constituir planetas como o nosso. O mesmo acontece como muitos outros dos nossos constituintes. (Continua)

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

“Se não há nenhum lugar para ir, como o senhor poderia me ajudar?”

 
Eu gostaria de falar sobre um tema que eu já abordei numa palestra em Maringá: Tathagatagarbha. Ele significa a natureza de Buda. Essa palavra “Tathagata” é um dos nomes mais usados para nos referirmos a Shakyamuni Buda e significa aquele que assim como vai, vem. Ou aquele que não se altera, que não se modifica. Essa questão do ir e vir lembra um conto de um Monge que estava morrendo e o Mestre chegou ao lado dele e perguntou: “eu posso ajudá-lo?”, o Monge disse: “se não há nenhum lugar para ir, como o senhor poderia me ajudar?” e o Mestre respondeu: “se você acha que vem ou vai, ainda não entendeu”. (Início de palestra ocorrida em Goiânia em julho/2016; continua)

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A experiência direta é o que importa

 
Zen quer dizer meditação, em última análise da palavra. Zen vem do sânscrito dhyāna, através de muitas transliterações. Dhyāna, Jhana em Pali, Ch'an e Zan em Chinês e Zen em japonês. Chegou ao Brasil como Zen, mas quer dizer meditação. A prática central do Zen é a meditação, porque é necessário calar esta mente, que se sente separada, para que ela tenha condições de ampliar sua visão e enxergar a dimensão Suprema. Não estamos falando de deuses, nem de salvadores, nem de profetas e nem de nada disso. Nem de promessas para futuros fantásticos. Estamos falando de uma percepção aqui e agora. E de uma felicidade aqui e agora. Porque se a visão mudar, se nós trocamos esses olhos pelos olhos de Buda e enxergamos como Buda, aí não vemos mais a árvore na floresta, a onda no mar etc. Vemos o mar, vemos a floresta e olhamos os homens e vemos a vida e não as pequenas vidas individuais. E olhamos para nós mesmos e não nos vemos como uma onda separada ou como uma árvore, mas sim como participante dessa grande dimensão Suprema. Esta é a descoberta de Buda. Só que compreender intelectualmente não funciona. Posso explicar, nós podemos entender o raciocínio. Mas cadê o verdadeiro sentimento, o sentimento real? O sentimento real não emerge e nós continuamos perdidos em ganância, aversão, apego, em todos esses defeitos mentais que faz com que soframos.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Nós somos realmente muito importantes?



Qualquer ser humano faz falta, se nós tiramos um ser o mundo muda. Mas nós não podemos nos dar tanta importância dentro de 7 bilhões de pessoas, sua importância é minúscula, quando você vir que morreram 10 mil pessoas em um acidente, você vê o universo mudar? Não.
Morreram, no século XX, talvez 100 milhões de pessoas em guerras e estamos aqui. Nem a população de países como a Alemanha, que perdeu 6 milhões de homens na Segunda Guerra Mundial, mudou. Você olha a estatística, tem uma queda e depois a população se reconstitui. Como? É simples: várias mulheres tiveram filhos com o mesmo homem, se não a população não se reconstituiria. Ninguém fala isso, mas a estatística mostra. Aí você perguntaria que grande falta eu fiz quando morri na batalha tal? Para a população do país nem tanto, e dado determinado tempo nós acreditarmos que nossa diferença é grande. Isso é ilusório. Por quê?
Todo mundo dá muito valor aos seus antepassados, pai, mães, avós… Você dá? Vocês já viram esse raciocínio? Todo mundo tem oito bisavós, diga o nome de cada um...
Ninguém sabe o nome dos seus oito bisavós? Sabe o que isso significa? Que nem o sangue do seu sangue, carne da sua carne, seus descendentes, continuidade da sua vida se lembrarão de você. Porque você não se lembra dos seus bisavós, seus bisnetos não vão lembrar de você, nem do seu nome, nem da sua vida, nem do que você fez. Então você é importante, mas não é tanto assim. Então se você não acreditar em continuidade, seu desaparecimento não faz tanta diferença.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Por que você está aqui?



Se o raciocínio de que todo o efeito tem uma causa é inescapável pelo menos no mundo que nós conhecemos, no universo, nas leis da física, em tudo, na química, no que você quiser, então surge a questão: “por que você está aqui?”. Você está aqui porque teve vontade de vir a um retiro, você quer aprender sobre budismo. Mas a pergunta, por quê? Por que surge isto? De onde vem esse desejo? Por que você não está num bar tomando chopp? De onde vem essa marca esse impulso?
Se você tem essa marca, esse impulso, ele vem de algum lugar, de algum passado. Qual é? Eu não sei, mas ele não pode ter surgido por mágica, surgiu em você e não em outra pessoa. Portanto, para mim você é continuidade de algo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

NITÔ KYÔSHI

Nesta segunda feira, nosso Mestre recebeu das mãos de Saikawa Roshi o documento oficial da Soto Zen da sua graduação como Professor Associado Duplamente Qualificado ou Superior - Nitô Kyôshi. Com essa graduação, ele pode ordenar diretamente alunos leigos e monges e transmitir a linhagem. Em nome de todos os seus alunos, agradeço pelo seu esforço, querido Sensei, de nesta manifestação, em se dedicar ao Dharma. Este papel representa a escolha de uma vida. O nosso carma caminha junto com o do Senhor. Profunda gratidão. Profundo amor. Em 3 prostrações. _/\_ _/\_ _/\_ Kyō Hō 教 法 Leia mais sobre ordenações na Soto Zen, aqui: https://monjaisshin.wordpress.com/2013/07/16/qual-o-significado-de-kyoshi/

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Não há como escapar dos frutos do karma



Não existe nenhuma solução que eu conheça, filosófica, que solucione a questão de ação e consequência, de que todo efeito tem uma causa que não seja da continuidade. Se todo efeito tem uma causa existe continuidade. Para a doutrina budista isto é inescapável. Não há como escapar dessa consideração, você pode escolher diferentes formas de continuidade, mas se você aceitar o fato de que tudo sempre continua, que a energia no universo continua, que ela se transforma mas permanece, que se você jogar uma pedra no mar vai mudar a configuração das ondas para toda a eternidade, você não pode dizer que um ato não tem consequência. (Continua)