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terça-feira, 18 de setembro de 2012

O quinto passo - Domando o Boi

                                             Sesshin de 7 de setembro 2012 - Florianópolis
(continuação)
No quinto passo, “Domando o boi”, depois de muitos esforços, o boi começou, por fim, a tornar-se manso. Na figura anterior, o homem segura o boi pelo rabo, nessa o homem segura o boi com uma argola presa ao seu nariz. E agora o domador julga que o animal já está dominado e que pode ir ensinando-lhe alguns truques. Quando, por fim, agarrou o boi, crê que já o tinha retido para sempre. Ele pensa: “Peguei, dominei, e isso agora é para sempre, dominei minha mente.” Lembrem-se de que já passamos pela experiência do kensho, embora ela não nos tenha alterado em nada. Continuamos na vida sendo tão ruins quanto antes, mas dizemos: “Já tive uma experiência espiritual!” E aqueles que vivem conosco irão dizer: “Mas como, se ainda perde a paciência?!”

Esse pensamento de domínio também é uma espécie de ilusão. Na verdade, não é assim. Às vezes ele consegue entrar em samadhi, em outras, tenta e não consegue. Parece que há quietude no corpo e na mente, mas ainda não controla os pensamentos errantes. Você pensa: “Não pode ser isso o samadhi”. Mas não há remédio senão experimentar de novo, uma e outra vez. Repetir o samadhi - a concentração - e experimentar outros kensho. A colheita do ano passado é a colheita do ano passado; não é a deste ano. A deste ano tem que ser de novo ganha com luta e trabalho. Dessa forma, a luta se renova outra e outras vezes mais. 

Ou seja, você chegou lá, teve a experiência, pode até mostrá-la para o seu Mestre em determinadas ocasiões, mas você não mudou e precisa continuar trabalhando. Samadhi – concentração -, zazen - momento presente -, retornando sempre e tendo experiências de kensho de vez em quando, como se uma janela se abrisse e de repente você pudesse ver. Estava tudo escuro e você não enxergava nada com nitidez, e ao abrir-se a janela, tudo fica claro. Kensho. Cada vez mais, com repetições dessa experiência, o kensho torna-se maior que poucos segundos, podendo prolongar-se até por horas. Mas você sempre o perde, e não sabe quando irá consegui-lo novamente. E também às vezes sentado, você perde o zazen inteiro em pensamentos, em vazios, simplesmente não consegue agarrar um samadhi constante.