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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A construção do "Eu sou"



O tema de nossa palestra é A Dimensão Suprema. Gostaria de repetir mais profundamente algumas palavras que disse quando estávamos iniciando o sesshin. Uma onda não existe por si mesma, não tem um eu próprio. Uma onda não existe por si mesma porque ela é movimento na água. O vento também não existe por si mesmo. O vento é um movimento do ar. O vento movimenta a água. Nossa mente, nosso eu, também não existe por si mesmo. Nossa mente e nossa consciência são movimentos de nossos pensamentos. Porque existem pensamentos, percepções e formações mentais, existe consciência. Nossa consciência, que confundimos com nosso eu, é o movimento de nossos pensamentos. Tal como a onda que é um movimento na água, interdependente, que não existe por si mesma e que precisa da água para existir, tal como o vento, que é um movimento do ar, interdependente, que não existe por si mesmo e necessita do ar para existir, nossa mente precisa dos nossos pensamentos, percepções e formações mentais para formar uma consciência de si mesma, e aí diz “Eu sou”. Então nós não existimos por nós mesmos. Somos o resultado de um movimento, que é o movimento de nossos pensamentos. Somos profundamente agarrados a essa percepção, completamente ancorados nela.

Estamos aqui para olhar para a verdadeira dimensão dessa percepção. Sentamos em meditação e vemos a turbulência de nossa mente, pensamentos que se apresentam um após o outro. Mesmo que o professor diga, “sentem em zazen, voltem para cá, para o momento presente, ouçam o som do mar, os pássaros, janelas batendo, um espirro, ouçam o que está acontecendo, esqueçam suas considerações e julgamentos, não cogitem sobre o passado, não pensem sobre o futuro, não se angustiem por um futuro que ainda não existe, não criem imaginações sobre coisas do amanhã, isso que nos dá ansiedade e angústia, insegurança, pode ser completamente diferente do que imaginamos, amanhã pode acontecer um evento que mude tudo em nossa vida. Para o bem ou o mal você não sabe, até porque mesmo essa divisão entre bem e mal não passa de pensamento. Você não sabe, não pode classificar se é bom ou ruim.” Se não imaginamos um futuro que ainda não existe e não elaboramos sobre um passado que já se foi e ficamos aqui com uma mente atenta plenamente ao momento presente, buscamos essa experiência, então, nessa experiência nós esvaziamos as cogitações desse eu construído.