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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Aspectos da retribuição cármica


Pergunta –  O carma é uma ação, quando eu morro só a ação meus impulsos e desejos é que sobrevivem, certo? O que não consigo ver é uma pessoa como Hitler renascer uma criança desnutrida e passando necessidades de todos os tipos, só consigo imaginá-lo renascendo perto do poder e da política, pois esses são seus impulsos e desejos.

Monge Genshô – Pode ser realmente isso, mas inevitavelmente as ações dele provocarão grandes resultados cármicos e isso levará muito tempo para resolver.  As sementes do carma têm tempo para amadurecer. Às vezes uma pessoa comete um mau ato e aos nossos olhos parece viver muito feliz apesar disso. Existem três tipos de retribuição cármica: a imediata, que vem junto com a ação, isso acontece muitas vezes nas relações humanas, eu grito com alguém e sua resposta é imediata - outro grito ou mesmo uma agressão física. Também existe a retribuição nessa vida, não é imediata, mas virá nesta vida. No exemplo de Hitler, ele sofria com horríveis dores de estômago a ponto de seu médico proibi-lo de comer comidas pesadas e carnes. Ele sentava-se para comer um prato de saladas e reclamava que todas as pessoas comiam carne e ele era obrigado a comer salada. Esse é um tipo de retribuição nesta vida, doenças, angústias e dores. Você pode imaginar ainda as próximas manifestações de uma pessoa com esse tipo de mente. Mas qual a retribuição em outras vidas, não podemos precisar, não há como saber o quanto de bom e de mau havia, qual era sua mente. Uma coisa é dar ordens para matar, outra é executar diretamente essas ordens.

É muito difícil julgar outras pessoas, na realidade é impossível, pois você não está dentro da mente da pessoa e não sabe o que está acontecendo. Mas ao olhar a vida que Hitler tinha, ou mesmo outros renascimentos numa roda de poder, não me parece que seja uma vida feliz. Existem outros aspectos das ações carmicas. Um deles é a intenção. Qual a intenção do ato? Você pode ter um mau resultado, mas a intenção ter sido boa. Quem era o objeto do ato? É diferente você matar um mosquito e matar um ser humano e, mesmo entre seres humanos, há diferenças. Há diferença entre matar um criminoso e um médico que salva vidas.  Qual o resultado? Se você tenta realizar um mau ato e não consegue é uma coisa, mas se você obtém sucesso os resultados serão piores.

Pergunta – Em algumas destas ações poderia haver um componente coletivo?  Usando ainda Hitler, quando ele discursava influenciava muitas pessoas...

Monge Genshô – Nesse sentido podemos fazer muitos raciocínios, por exemplo, quem viveu na Alemanha nesse período é porque tinha carma para isso. Você nasce no Brasil e reclama do país, mas se nascemos aqui é porque nos sentimos atraídos pelos aspectos do país e de seu povo. Mas mesmo dentro de um país com essas características acontecem reuniões do tipo da nossa. Nunca vi aqui dentro alguém gritar com outra pessoa, xingamentos, palavrões etc., as pessoas que aqui se encontram não buscam esse tipo de atitude. Mesmo tendo carma para nascer no Brasil, também possuem um carma diferente por sentirem-se atraídos pela sangha budista.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Se "eu" não volto por que me importar?


Pergunta – O senhor antes disse que morremos sozinhos, que não existem indivíduos e que o “eu” é uma ilusão, são os carmas que formam as identidades. Quando alguém morre o que acontece com essa identidade? Do que adianta uma pessoa desejar ser melhor se depois ela volta, como uma gota, para o oceano e não será ela quem sofrerá as consequências de seus atos? Como no caso dos espíritas...

Monge Genshô – Veja bem, cada pessoa que nasce, na crença espírita, tem um “eu” novo. Ele herda as consequências de um espírito anterior mas em um corpo novo e nesse processo ele não se lembra de nada. Quem carrega as consequências é um novo ser...

Pergunta – Mas no budismo existe esse ser?

Monge Genshô –  No budismo há a continuidade do carma, mas o “eu” está perdido, pois ele depende de memória. O que constitui a noção de um “eu” é a memoria, tanto que se você sofre um acidente, fica com amnésia e se lhe pergunto quem é você, sua resposta será: “não sei”. Ignorando a questão da crença em espíritos ou coisas assim, não vejo tanta diferença. Mesmo que no espiritismo você diga que existe um espírito que carregou o carma, o “eu” de cada vida é diferente. O grande problema deste tipo de crença é, por exemplo, como li outro dia, a pessoa dizer que na vida passada foi “Rei Ricardo Coração de Leão”. Isso é muito interessante, as pessoas sempre foram reis, rainhas, grandes líderes, grandes guerreiros, não existem escravos, ladrões, prostitutas. O budismo não se dedica a dar explicações sobre o que acontece, para nós o que é óbvio é que não existe efeito sem causa. Tudo que existe hoje tem uma causa pregressa, logo, de certa maneira você é responsável pela sua vida atual, pois tudo que você carrega, suas características foram construídas. Quando você morrer, tudo que acontecerá depois virá do que você fez nesta vida.

Pergunta – E o que acontece com esse “eu” que morre?

Monge Genshô – Não sei, ainda estou vivo. O budismo não se dedica a dar esse tipo de explicação. Se formos especular, encontraremos muitas teorias. Por exemplo, no budismo Tibetano há o “Livro Tibetano dos Mortos” onde há uma descrição detalhada do processo pós morte, também há algo assim no budismo japonês. Mas isso tudo não é verificável e o budismo não discute coisas não verificáveis. Para nós o que basta é que todas os efeitos têm causa e o que você faz agora tem efeito no futuro. Sua outra pergunta, “Por que alguém deve fazer algo de bom se depois ele mesmo não continua?”. Veja bem, uma pessoa vai dirigindo o carro por uma cidade e joga lixo pela janela. Ela faz isso pela razão de que não voltará para a cidade, está apenas de passagem e não se importa. É como se para fazer boas coisas fosse necessário boas recompensas, pagamento de prêmios e reconhecimento. Então essa pergunta não se sustenta, você precisa de bons atos para gerar bom carma mesmo que não seja para você e sim para o mundo e para os que vem depois.

A arte do bonsai representa isso, você cultiva uma árvore e ela pode viver trezentos ou quatrocentos anos. Se formos ter a mesma perspectiva de sua pergunta, para quê cultivaríamos um bonsai do qual nunca veremos o resultado? O objetivo é fazer algo belo mesmo que eu nunca vá ver o final. O Pau Brasil é uma árvore da qual se fazem arcos de violino, violoncelos e contrabaixos. É a melhor madeira para isso. Mas o Pau Brasil está quase extinto e existem projetos de reflorestamento, mas então você vai chegar para o produtor e perguntar porquê ele está plantando Pau Brasil, que demora décadas para crescer, se não verá a árvore chegar ao ponto de ser cortada para virar arcos de instrumentos musicais? Como agora não existe Pau Brasil, os arcos estão sendo feitos de alumínio ou fibra de carbono, isso é trágico e acontece porque todo tempo as pessoas pensaram que não valia a pena, pois não veriam o resultado. Isso acontece em várias áreas do planeta, alguns peixes estão extintos, pois o oceano tem uma capacidade limitada de auto reposição e deveria ser permitida a pesca de uma quantidade determinada sob pena de extinguir várias espécies para o futuro.

Pergunta – Mas aquele viajante que disse que não voltará para cidade, não o fará nesta vida, mas em outra sofrerá as consequências de seus atos.

Monge Genshô – Exato. Porém o correto seria não fazer isso mesmo que eu não voltasse para este mundo. Não por causa das consequências que eu sofrerei, pois eu e os outros somos a mesma coisa.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Pouco treinamento, pouco resultado



P: Quando estou praticando, não sei dizer se é concentração, mas sinto um pequeno grau de desprendimento, nada profundo ainda, esse estágio mental é uma espécie de treinamento para que eu possa desenvolver esse outro nível?

Monge Genshô – Temos muitos pequenos graus, mas na realidade quarenta minutos são muito pouco. Os leigos vêm praticar, sentam quarenta minutos e pensam que estão praticando meditação. O correto seria eu dizer que estão “fazendo uma limpeza”, estão se acalmando, não é tempo suficiente para ir mais fundo. Por isso sempre aconselho as pessoas a irem aos retiros. Nos retiros são muitas horas de meditação e é comum essa sensação no primeiro dia, de estarmos descartando o lixo. Como agora, sentados ali no zendo, vem à mente aquelas coisas que perturbaram você durante o dia de hoje ou de ontem, ou mesmo que vem perturbando durante dias, mas para ir mais fundo no Zen tornam-se necessárias muitas horas mais de prática.

No segundo dia de retiro estamos desesperados e querendo ir embora e se passarmos por essa fase, a vontade de ficar substitui a ânsia de sair do retiro. Isso pode aumentar se tivermos algum tipo de experiência e então voltar para o mundo dito real é que parece loucura, pois ali no retiro temos paz, serenidade e clareza. Pode ser que você não consiga isso, mas normalmente é o que acontece. Existe um retiro de oito dias, chama-se “rohatsu”, em que você não pára durante sete dias e, no último dia, à noite, o retiro vai até a madrugada sem intervalos. É o “retiro da iluminação de Buda”, pois foi isso que Buda fez. Toda essa história dos retiros, é somente pra dizer que pouca meditação, é igual a pouco resultado. Se você senta só um pouco por dia ou por semana, sempre será só um pouco, e pouco treinamento, pouco resultado.

Uma vez disse ao meu Mestre que queria dar um passo mais adiante e ele me disse para ficar sozinho durante três dias, não falar com ninguém, não ver ninguém e só sentar durante esse tempo. Eu lhe perguntei como havia sido com ele e ele respondeu que quando era jovem queria resolver a questão do “vazio é forma e forma é vazio”, então se sentou por quatro anos. Resolveu.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Samskara



Karma significa em sânscrito, ação. Conseqüencia é Vipaka. Literalmente, em sânscrito, Vipaka quer dizer fruto.

Na verdade quando as pessoas dizem “isso é karma”, elas dizem isso é “Karma Vipaka”. São os frutos do karma. Karma diz que você comete uma ação, faz alguma coisa e essas sim terão uma conseqüência, gerarão fruto. E esse fruto vai germinar quando houver condições propícias. Não é automático, pode não suceder nesta vida.

O fruto não precisa acontecer nesta vida, nem imediatamente. Pode levar muito tempo. Você insulta uma pessoa, não acontece nada. Se você fizer isso numa cidade e for embora pra outro lugar bem longe o fruto dessa ação, que normalmente é a raiva da outra pessoa, não atinge você. No entanto não significa que essa ação e seu fruto não está guardado. Nós dizemos então que são sementes. Sementes que estão esperando.

Sementes que irão frutificar quando houverem condições propícias. Aí sim haverá um fruto se houver água, terreno, etc. Por ex. se houverem condições propícias e você encontrar essa pessoa, num determinado momento, no futuro, aí pode ser que esse fruto aconteça.

No entanto, dentro de você há uma coisa que aconteceu com seu insulto. Em sânscrito, chama-se “Samskara”: a “marca cármica”. Essa é a marca que ficou dentro de você, é o seu hábito. São energias de hábito, que estão dentro de você.

Então você insultou, não houve fruto direto. Mas há um hábito, o hábito de insultar. A mente que ofende. Samskara, a marca cármica, as energias de hábito.

Essas energias são sulcos dentro da sua mente. São marcas. Essas marcas tendem a se repetir. Porque você marca e volta. Por ex.: eu tenho um vale, um terreno. Aí chove, a água corre no terreno. No início é um filetezinho, mas se você corta a grama, etc, o filetezinho arrasta um pouquinho de terra e faz um sulco, uma marca. Quanto mais chove, mais água corre ali, mais funda fica a marca. No fim, é o grand cannyon. É uma enorme marca inescapável. A água que cai vai ao fundo e não há nada que mude, e a terra foi levada e virou um grande buraco e não tem conserto. Isto é Samskara. A marca, as energias de hábito, criam sulcos, esses sulcos nos marcam e tendem a se repetir.

Á medida que eles vão se repetindo, mais fortes ficam as energias de hábito. Então a pessoa que fez o insulto pode não ter o fruto da ação mas ela criou uma marca que vai se aprofundando e vamos dizer assim, no limite, pode ser uma pessoa raivosa que está sempre insultando todo mundo. Eu conheço pessoas assim. Não consegue escapar da situação de estar sempre criando conflitos, e, qualquer coisa que acontece, explode em insultos. Não é isso? Extremamente destrutivo e no fundo essas marcas, as energias de hábito acabam gerando um próprio fruto que é a marca cármica, o Samskara.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A construção do "Eu sou"



O tema de nossa palestra é A Dimensão Suprema. Gostaria de repetir mais profundamente algumas palavras que disse quando estávamos iniciando o sesshin. Uma onda não existe por si mesma, não tem um eu próprio. Uma onda não existe por si mesma porque ela é movimento na água. O vento também não existe por si mesmo. O vento é um movimento do ar. O vento movimenta a água. Nossa mente, nosso eu, também não existe por si mesmo. Nossa mente e nossa consciência são movimentos de nossos pensamentos. Porque existem pensamentos, percepções e formações mentais, existe consciência. Nossa consciência, que confundimos com nosso eu, é o movimento de nossos pensamentos. Tal como a onda que é um movimento na água, interdependente, que não existe por si mesma e que precisa da água para existir, tal como o vento, que é um movimento do ar, interdependente, que não existe por si mesmo e necessita do ar para existir, nossa mente precisa dos nossos pensamentos, percepções e formações mentais para formar uma consciência de si mesma, e aí diz “Eu sou”. Então nós não existimos por nós mesmos. Somos o resultado de um movimento, que é o movimento de nossos pensamentos. Somos profundamente agarrados a essa percepção, completamente ancorados nela.

Estamos aqui para olhar para a verdadeira dimensão dessa percepção. Sentamos em meditação e vemos a turbulência de nossa mente, pensamentos que se apresentam um após o outro. Mesmo que o professor diga, “sentem em zazen, voltem para cá, para o momento presente, ouçam o som do mar, os pássaros, janelas batendo, um espirro, ouçam o que está acontecendo, esqueçam suas considerações e julgamentos, não cogitem sobre o passado, não pensem sobre o futuro, não se angustiem por um futuro que ainda não existe, não criem imaginações sobre coisas do amanhã, isso que nos dá ansiedade e angústia, insegurança, pode ser completamente diferente do que imaginamos, amanhã pode acontecer um evento que mude tudo em nossa vida. Para o bem ou o mal você não sabe, até porque mesmo essa divisão entre bem e mal não passa de pensamento. Você não sabe, não pode classificar se é bom ou ruim.” Se não imaginamos um futuro que ainda não existe e não elaboramos sobre um passado que já se foi e ficamos aqui com uma mente atenta plenamente ao momento presente, buscamos essa experiência, então, nessa experiência nós esvaziamos as cogitações desse eu construído.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Não existe efeito sem causa





Pergunta – Se o “eu” de fato não existe e a gente deve buscar eliminar o sofrimento, por que toda essa prática e não, simplesmente, acabar com a vida?

Monge Genshô – Acabar com a vida não resolve nenhum problema. O seu “eu” é provocado pelo carma, uma onda de energia no universo. Você surge porque existe carma atrás de você. Por isso essa manifestação, “você”. Não existiria você se não houvesse carma anterior, se não houvesse movimento anterior no universo. Houve movimento e esse movimento redunda em você, pois não existe efeito sem causa. Se você se mata nesta condição em que está agora, tudo o que vai conseguir é uma nova manifestação, com os mesmos problemas e alguns anexados, porque você cumpre um ato bastante egoísta se matando, pois seus pais, amigos, parentes serão impactados pelo seu ato e sofrerão. Além disso, tal atitude não soluciona nada; você só consegue repetir tudo. Existe a possibilidade do suicídio altruísta, para salvar outros por exemplo em situações limite, mas não é o caso que estamos examinando.

Existe um filme bem interessante, "O feitiço do tempo". O personagem central se vê preso ao mesmo dia, que se repete incessantemente. Todos os dias ele acorda e vive o mesmo dia com os mesmos acontecimentos, porém, só ele sabe disso. Depois de alguns dias, cansado, ele resolve se matar, e todas as vezes que ele se mata acorda novamente no mesmo dia. É um filme bem interessante que reflete a experiência humana. Nós repetimos vidas. A cada vida, há um novo “eu”. O pior de tudo, é que ninguém se lembra de suas vidas passadas. É como alguém que corta um dedo quando criança: apesar de ter feito isso de forma ignorante e inocente, a conseqüência fica com ele. Você não tem o dedo quando adulto porque uma vez, na infância, mesmo que sem querer, mesmo que não se lembre de como aconteceu, você cortou o dedo. O quer que você faça, o carma gerado gravará e manifestará em novas vidas, mesmo que você não lembre o porque de seus méritos ou deméritos.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Trechos de carta


" Estou ainda "sob o efeito" do sesshin. :o) Devo lhe dizer que
nunca me senti tão bem, tão leve e lúcido.
É realmente como se eu estivesse feito um ano de zazen... :o)

O mais interessante nisso, é que os resultados vieram depois, ou
quase depois, quando começamos o ante-penúltimo zazen
Até então, confesso que havia questionado até mesmo minha própria
permanência no Budismo. Não estava vendo sentido algum nisso
tudo... Pensei que na verdade só estava complicando minha vida
buscando um "caminho espiritual".
Mas finalmente, esses sentimentos (que me ensinaram muita coisa)
se exauriram juntamente com a grande solidão que eu estava sentindo.
o que mais me marcou foi a força da sangha, mas acabei esquecendo
de falar de um profundo sentimento de solidão que me abateu devido
ao silêncio e a distância de casa...estava só, comigo mesmo. Não gostei muito do que vi e tbm percebi o quanto sou dependente das pessoas que me cercam.
O sesshin me ensinou muito sobre meus relacionamentos tbm...

Mas agora, feliz com os "resultados" do sesshin, me surge uma dúvida:

Há muito tempo, penso que antes mesmo de conhecer o Budismo e talvez tenha sido este o motivo que me levou a buscar um caminho espiritual (pois minha busca começou por motivos positivos, não foi devido a um trauma ou coisa parecida), vivo em constante contemplação. Algo como um kenshô,segundo o que o sr explicou no retiro. Cerca de 30 a 40% do meu dia, normalmente são acompanhados de um profundo sentimento de unidade com a natureza e com as pessoas. Quando estou indo para ......................................, estou sempre atento as flores do caminho, as nuvens e pessoas... quando está chovendo, contemplo a chuva sobre o guarda-chuva e o céu cinza. Isto para mim é natural, me sinto até estranho por não dar muita bola para a chuva, diferente dos outros que sempre reclamam dela (ou do sol forte).

Em meu zazen, mesmo quando ele é péssimo, ao menos por alguns
segundos, sempre sinto a vacuidade e alguma unidade...
Agora, com o sesshin, acredito que este período tenha aumentado
durante o dia...
O que mais noto, é a lucidez de pensamento e ação...

Mas sei que isso não vai durar muito. Que a média vai cair
novamente para os 30 ou 40% (ou até menos)... Sei que quando os problemas maiores e o cansaço do dia-a-dia começar a aumentar, será difícil manter a média.

No sesshin achei estranho que muitas pessoas não tenham esta experiência constantemente... muitos a tiveram pela primeira vez. Na verdade, foi esta experiência que me "provou" ser o Budismo aquilo que, ao menos agora, eu "desejo". Foi isso que me provou através de uma pequena demonstração, onde a prática pode me levar... É isso que me provou, e prova, a "existência" de algo "além", que na verdade não está em lugar nenhum e está em todos, está sempre aqui. A existência daquilo que não pode ser dito... só provado. Que me mostrou o verdadeiro sentido do termo "liberdade".


Como disse, sinto isso quase que diariamente, de forma diferenciada e em intensidades que variam tbm. Principalmente quando tudo está bem. Quando os estudos estão em dia, quando o trabalho não exige muito (sobra tempo para escrever e-mails), quando o cansaço não bate e principalmente quando estou em harmonia com as pessoas, ..................................... Mas quando os problemas começam a surgir, a intensidade vai baixando e em alguns dias, vivo como uma "pessoa normal".

(Trechos de carta de um aluno sobre um retiro zen budista.)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Existe Destino?


Não há destino, tudo é ação e consequência, no entanto marcas cármicas que vivemos em uma vida se manifestam em outra vida, com outra identidade, com suas consequências. Mas o que é importante é que você pode mudar seu karma, pode modifica-lo com as ações corretas. Boas ações produzem belas consequências cedo ou tarde.
Portanto desconsidere qualquer outra explicação e olhe para a frente. Se tomar as iniciativas corretas, se agir determinadamente, naturalmente os rumos da vida se alterarão.