segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Aponte o Caminho


Quando curiosamente te perguntarem, buscando saber o que é Aquilo,
Não deves afirmar ou negar nada.
Pois o que quer que seja afirmado não é a verdade,
E o que quer que seja negado não é verdadeiro.
Como alguém poderá dizer com certeza o que Aquilo possa ser
Enquanto por si mesmo não tiver compreendido plenamente o que É?
E, após tê-lo compreendido, que palavra deve ser enviada de uma região
Onde a carruagem da palavra não encontra uma trilha por onde possa seguir?
Portanto, aos seus questionamentos oferece-lhes apenas o silêncio,
Silêncio - e um dedo apontando o Caminho.

Verso Zen

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Pra quê o budismo foi criado? (Bodhidharma Parte II)


(continuação)

E depois que Bodhidharma foi para a caverna, muitos apareceram por lá querendo aprender com aquele grande e famoso mestre que tinha respondido para o Imperador, deixado-o confuso. E Bodhidharma não dá atenção a nenhum deles, e eles quando vêem aquilo, vão embora. Até que Taiso Eka vai até lá e fica na frente da caverna sem desistir durante 3 dias. No terceiro dia nevava muito, a neve cobriu os pés de Eka, que fica desesperado, já com fome, sede, e agora frio excruciante, e então ele corta o braço pra mostrar sua sinceridade, para jurar pelo seu sangue. 

Vendo seu sangue cair na neve, Bodhidharma vai até ele e pergunta:

- Muito bem, o que é que você quer? 

E Eka responde:

- A minha alma não tem paz, por favor, pacifica a minha alma!

E Bodhidharma responde:

- Me mostre tua alma e eu a pacificarei. 

E Taiso Eka não consegue resposta nenhuma, não consegue encontrar sua alma. E Bodhidharma diz:

- Pronto, já pacifiquei a tua alma. 

Tendo passado por toda aquela angústia, desespero, de ter chegado até lá, disposto a aprender com um mestre, depois de tudo aquilo que Eka tinha passado, quando Bodhidharma dá essa resposta, ele desperta das ilusões, descobre que ele não tem uma alma, sente-se uno com todas as coisas, compreende internamente o que Bodhidharma estava querendo dizer. 

E assim Eka fica como discípulo de Bodhidharma e ele é o 27º patriarca da nossa linhagem. Bodhidharma é o 26º e Taiso Eka Daioshô, grande mestre, o 27º. E nós descendemos dessa linhagem de ensinamento.

Então, o  quero dizer a vocês é que o budismo foi criado para atender este tipo de desespero, o desespero de Taiso Eka, "minha alma não tem paz". Isso sim, para isso o budismo voltou sua atenção. Para isso Buda voltou a atenção porque ele tinha uma angústia, uma angústia existencial muito grande.

Se toda vida termina em velhice, doença e morte, o que eu estou fazendo aqui? Como é que eu saio disso? Como é que eu encontro solução para a angústia de enfrentar essa finitude da vida humana? Essa angústia existencial é que é a angústia de Buda, e o budismo se voltou para isso, não para o conforto das coisas pequenas da vida.


Então o budismo e em especial o Zen só tem sentido se nós estamos procurando a iluminação. Só aí tem sentido você sentar e realmente se esforçar como a gente demanda num Centro Zen, caso contrário, não é o lugar para nós. Se é só consolo, há outros lugares.
 
Se é para se sentir abençoado para ganhar dinheiro, também tem outros lugares. Se quer qualquer solução mágica também há outros lugares. Mas no budismo não existe nada assim.
 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Bodhidharma e o Imperador Wu (Parte I)

Bodhidharma se apresenta à frente do imperador Wu, chamado por este, que ouviu dizer que um grande mestre budista havia chegado da Índia, lugar de onde era originário o budismo. Chegando à frente do imperador Wu, este pergunta: 

- Eu, imperador, construí muitos templos e mosteiros para o budismo, que méritos eu acumulei nos céus por ter feito isso?

E Bodhidharma responde:

- Mérito nenhum, majestade.

O Imperador não gosta muito da resposta e diz:

- Então qual é a grande verdade da sagrada doutrina?

E Bodhidharma responde:

- Vazio ilimitado, essa é a grande verdade.

O que ele quer dizer? Que nenhuma coisa tem um "eu" inerente, não existe nada que seja um eu no mundo, nada que seja realmente separado. Vazio ilimitado. E não há nada que possa ser chamado de sagrado. 

É uma resposta muito interessante, não há nada que possa ser chamado de sagrado, pois tudo é sagrado. Se tudo é uno, tudo é sagrado. Não há nada separado do sagrado, isso é sagrado, aquilo é profano. Isso é divisão na cabeça dos homens. Tudo é sagrado. 

O imperador não entende a resposta e pergunta:

- Então quem é que eu tenho na minha frente?

E Bodhidharma responde:

- Não faço a menor ideia.

O que é uma resposta coerente com a anterior. Ele diz, "eu não faço a menor ideia de quem está na sua frente", porque eu não sou um eu separado, eu não posso nomear a mim de maneira tal a me distinguir do resto, se eu fizer isso estarei elaborando um engano. É isso que Bodhidharma responde.

Aí Bodhidharma sai, atravessa o rio e vai pra Shaolin, interna-se numa caverna e diz-se que ficou 9 anos fazendo zazen.

(continua)

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A Bola de Ferro



Aluno: O que o senhor pode me dar no Dharma?

Mestre: Nada. Eu gostaria muito de lhe dar alguma coisa, mas eu não tenho nada para lhe dar, só uma bola de ferro incandescente para ser engolida.

Conto Zen