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segunda-feira, 11 de março de 2013

Asseidade



(texto)”No contexto zen, a exteriorização do interior começa com a perda da consciência do ego do homem que se coloca diante de um objeto exterior, ao perder a dita consciência do ego sujeito empírico, segundo o budismo, responsável pelos enganos de nosso olhar espiritual, o ser humano se perde no objeto. O ser humano se faz coisa, podemos expressar isso com o princípio Zen “O homem se converte em bambu, o homem se converte em flor”

(comentário) E no nosso exemplo aqui, o homem se transforma em tijoletas, em ladrilhos, na parede, se converte no grupo e apaga-se a si mesmo, porque esse si mesmo, esse ego, é o produtor do véu que nos impede de enxergar. Então a nossa grande ignorância é, não a ignorância de não saber, mas a ignorância de se acreditar um eu separado. Por isso temos todas as coisas que vem do eu, o amor, o desejo, o apego, a aversão, a raiva, todos esses venenos da mente, quando falo amor, não falo no sentido compassivo, mas aquele amor possessivo “Eu quero ser proprietário de alguém”, o amor que produz ciúmes, esses são os véus que nos impedem de partilhar o universo, porque obscurecem a nossa visão e fazem com que nós nos percamos no nosso ego individual.

(texto) “Dogen escreve em uma passagem muito conhecida de sua obra Shobogenzo “A ilusão consiste em colocar em um lugar o ego sujeito e trabalhar através dele sobre os objetos. A iluminação, pelo contrário, consiste em deixar que as coisas atuem sobre vocês e vos iluminem. Contemplando uma determinada coisa, faça com que vosso corpo e mente se integrem no ato. Faça o mesmo escutando um som, de tal modo que vosso ego possa perder-se na coisa vista ou ouvida. Então, e somente então, estareis em condições de captar a realidade com sua asseidade primeira”.

(comentário) Asseidade é um termo criado para significar a qualidade ou caráter do ser que tem em si mesmo a causa e o princípio do próprio ser.