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quarta-feira, 20 de março de 2013

O mundo fora de mim sou eu mesmo






COMENTÁRIOS SOBRE TEXTO DE TOSHIHIRO IZUTSU PARTE II

Na primeira palestra, nós examinamos o primeiro ponto, o interior se converte em exterior ou, exteriorização do interior. E agora vamos ao segundo ponto.

(Texto) “No caso da interiorização do exterior, pelo contrário, o ser humano experimenta subitamente que aquele que pensava que era exterior a si mesmo, é na realidade, interior. O mundo que existe fora de mim, está em mim mesmo, sou eu mesmo. Tudo aquilo que o ser humano havia imaginado até esse instante que se desenvolvia no exterior dele, se produziu na realidade em um espaço interior.”

(comentário) Esse é aquele ponto da Escola Yogachara, que enfatiza esse aspecto de que o mundo é produzido interiormente. Na visão mais consolidada no Zen, ele é produzido no seu significado, não é que ele deixa de existir se não houver meu olhar, mas deixa de existir com os significados que tem, porque todos os significados que tem dependem do meu olhar. Por exemplo, esse é um par de óculos, esse par de óculos para um besouro não tem mais significado do que uma espécie de estrutura qualquer no mundo, ele não pode ver nisso, óculos. Só quem pode ver nisso, óculos, é um ser humano, e até particularmente o ser humano que tenha, como no meu caso, presbiopia da idade e que tenha necessidade desse tipo de óculos, porque se, por exemplo, eu der para o meu filho de oito anos, esses mesmos óculos perdem a finalidade. Então, é meu olhar particular que faz que cada objeto ganhe o significado que tem. Vocês podem imaginar, por exemplo, que a terra seja visitada por seres de outros planetas depois que a humanidade tenha se extinguido. E esses alienígenas cheguem aqui e ao encontrar as ruínas da cidade de Florianópolis, verifiquem que existem casas com portas, cadeiras etc e podem calcular o tamanho de todas as pessoas. Mas eles chegam na praça da Matriz e encontram uma enorme estrutura, com portas gigantes, eles poderão imaginar que nossa sociedade era composta por dois tipos de seres, uns com tamanho médio de um metro e setenta e outros de tamanho médio de oito metros mais ou menos. Porque somente seres de oito metros necessitariam de portas de dez metros de altura, ou prédios daquele tamanho para viver. Aos nossos olhos isso poderia parecer absurdo, mas aos olhos dos alienígenas seria uma conclusão lógica.

Nossa maneira de ver as coisas é que constrói as catedrais e dá à elas um significado que não é utilitário e sim uma utilidade de uma obra do espírito humano. Isso que estamos falando da catedral de Florianópolis. A catedral de Colônia impressiona muito porque quando a gente sai da rua Hohe e entra na praça há um intervalo de poucos metros, a igreja está oculta pelos prédios, e quando você sai na praça, as torres da catedral de pedra tem 160 metros de altura. Parece uma montanha, e os homens levaram setecentos anos a construí-la. E por que os homens fazem essas coisas? Por significados que estão dentro deles. Eles emprestam as coisas significados e as transformam com seu olhar. Nesse sentido bem particular nós transformamos e damos significados ao mundo de uma maneira que seria incompreensível em outra cultura.