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quarta-feira, 6 de março de 2013

Para onde vai meu punho quando abro minha mão?



Pergunta – O senhor falou de sofrimento humano, do que é esse sofrimento, ou por que as pessoas sofrem?

Monge Genshô – As pessoas sofrem porque pensam que a felicidade está na estabilidade das coisas, na permanência. Elas desejam que suas coisas durem para sempre, desejam saúde eterna, amor eterno, vão até uma igreja e juram amar até que a morte os separe. Só que todas essas coisas começam e terminam, logo, elas colocam sua felicidade na permanência e estabilidade das coisas quando estamos em um mundo de coisas instáveis e impermanentes.

Esse é um dos principais motivos do sofrimento. Também sofremos porque temos desejos e como os desejos as vêzes não são satisfeitos, sofremos. Sofremos também por aversão. Existem coisas de não gostamos e quando estas surgem, sofremos. Mas tudo isso acontece porque não sabemos viver com clareza e lucidez. Por não termos clareza e lucidez temos esse sofrimento que é característico das coisas cíclicas, que sobem e descem.

Algumas pessoas dizem que quando buda iluminou-se teria dito que a vida é sofrimento, na verdade a tradução mais correta seria que a vida é instável, insatisfatória e cheia de sobes e desces. Uma dia você está contente em outro triste, as vezes tudo está bem em outros nem tanto, um dia você tem dinheiro em outro perdeu tudo. Esta é a característica da vida, mas quem descobriu a felicidade interna consegue aceitar os sobes e desces da vida com naturalidade. Outra grande causa de sofrimento é acreditarmos em nós mesmos, acreditarmos em nosso “eu”. O “eu” é uma construção da mente que tem uma angústia existencial e não deseja morrer. Por isso o homem inventou crenças e religiões para ter onde se agarrar e dar uma solução ao problema da morte. Nessa ânsia as pessoas andam pelo mundo tentando se consolar e se satisfazer.

Por isso também o mundo está cheio de divertimento e entretenimento. O objetivo é se entreter para não pensar. O que acontece em uma festa ou show? Música tão alta que não se consegue conversar, drogas para embrutecer os sentidos e ficar alegre e para que o cérebro funcione de forma mais acelerada, as pessoas vivem no mundo procurando escapar da existência. O Zen diz: “volte para a existência e dentro dela descubra sua verdade, verdade que está além de nascer e morrer, além dos desejos e do seu “eu”, além dos apegos e da estabilidade, além das características cíclicas da vida”. Onde está o eixo no qual posso realmente me apoiar? Quando você finalmente encontrar esse eixo e mostrar ao seu mestre dizendo: “encontrei o eixo onde me apoiar!”. A pergunta que certamente virá dele será: “Quem está se apoiando?”.

Pergunta – O que são os cinco agregados?

Monge Genshô – Contato, sensação, percepção, formações mentais e consciência. Porque existe um existe o outro. Uma boa analogia é um punho fechado. Cada dedo é um agregado, então eu lhe pergunto: “Para onde vai meu punho quando abro minha mão?”.

(Perguntas em entrevista de Rev. Genshô gravadas e decupadas por Chudô San)