Follow by Email

terça-feira, 26 de março de 2013

A não mente



(texto)”Qual pode ser, pois, essa mente comum em que se abrem as flores da primavera? Estes dados característicos das quatro estações são apresentados por Wu Neng como a paisagem interior da mente comum. O mesmo que o tremular da flâmula era para Hui Neng o tremular da mente. Está claro em primeira instância que a mente de que aqui se trata é de um ser humano num estado de iluminação, a mente iluminada. A mente comum de Nang Huang não é, nesse sentido, uma mente realmente comum, ao contrário, longe de constituir a consciência empírica da substância ego normalmente designada com essa palavra, o que se entende por mente é A Mente, chamada tecnicamente não-mente, que se realiza em um estado espiritual anterior a distinção sujeito-objeto ou que transcende a essa distinção.”

(comentário, M. Genshô) Não mente é aquela que não conspurca os objetos e seres todos no universo com suas opiniões. A não mente aceita sem nenhuma interpretação. Completa equanimidade.

Aluno – Uma mente anterior ao pensamento?

Monge Genshô – Não é isso que ocorre, uma mente anterior ao pensamento. Normalmente o que ocorre é no sentido exatamente oposto. Primeiro você pensa, depois compreende que o pensamento objetivo que atribui às coisas qualidades, está errado. E depois todos os objetos deixam de ter as qualidades que seu pensamento atribuía, depois que você faz tudo isso é que você pode chegar a uma não-mente, que passou por esse processo. Porque a mente que não pensa inicialmente, não passou por esse processo, ela não se ilumina pois é obscura. Igual aquela história de que falamos antes. Quando eu conheci o zen as montanhas eram montanhas e os rios eram rios. Aí eu comecei a praticar e as montanhas não eram montanhas e os rios não eram rios. Porque antes eram montanhas e rios a que eu dava minhas interpretações. Quando abandonei tudo isso então voltei a ver que as montanhas são só montanhas e os rios são só rios. Mas eram montanhas que eram montanhas por si mesmas, independente de minha interpretação. Eu estava vendo a verdadeira montanha e não a que minha mente pensante via. Como exemplo que dei do inimigo que vem na rua, a pessoa de quem não gostamos. Dou à ele uma porção de atributos da minha mente, não gosto dele e por isso ele é, então, uma montanha agora. Preciso desconstruí-lo e ver que ele não é uma montanha, não, nem um ser separado. Depois que eu vir que ele não é um ser separado, então eu posso de novo voltar a ver um ser que está ali e que é uma manifestação, mas aí à ele não atribuo nada. Ele é por si mesmo e assim sendo por si mesmo é eu mesmo e portanto dedico à ele completo amor, compaixão etc.