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quinta-feira, 28 de março de 2013

O Vazio e o Nada



Eu gosto muito de uma pequena história que me foi contada no Viazen. Uma mulher havia se separado e foi falar com o Mestre. Contou sua história, um drama emocional. Ele ficou ouvindo atentamente e quando ela acabou ele disse – Tem que trabalhar agora, né? Ela recebeu aquilo como um choque, pois ao contar seu drama esperava outro tipo de resposta. Mas nesse momento, separada, antes não trabalhava, então – Agora, tem que trabalhar - foi sua resposta. Para resolver seu problema a atitude a ser tomada era essa. Todas as outras considerações sobre emoções, traições, traumas, eram inúteis. Eram somente agitações da mente, auto estima, ego, vaidade etc., coisas sem importância. Agora ela teria que conseguir emprego e trabalhar.

A medida que o tempo passa a mente vai se esvaziando. É claro que se você colocar continuamente mais alimento para sua mente dentro de um problema, ele poderá durar bastante. Conheço a história de um psiquiatra que recebeu um homem, e o homem falou também de uma separação. Estava magoado com traição. Começou a falar com ódio e raiva da ex-esposa. O psiquiatra considerou que a recente separação era a causa de tanto ódio, isso era normal. E perguntou – Há quanto tempo faz que você se separou? – e o homem respondeu – Quatorze anos! Isso significa que uma pessoa pode mergulhar num inferno e ficar lá por muito tempo, basta que ele continue com palavras, atos e pensamentos colocando lenha na fogueira.

Então, estávamos falando dessa não-mente, que se realiza em um espaço espiritual anterior a distinção sujeito-objeto. O que transcende?

(texto) “A mente estendida até os limites extremos de todo o universo. Não se trata da mente comum como lugar de nossa consciência empírica, é a realidade, o fundamento mesmo do ser eternamente presente ante si mesmo. Um fato insólito que concerne a essa mente é que não funciona, nem pode funcionar de modo concreto, enquanto não se identifica plenamente com nossa consciência empírica.”

(comentário) Primeiro é necessário que nossa consciência empírica tenha existido para que nossa mente, repetindo a frase ” Um fato insólito que concerne a essa mente é que não funciona, nem pode funcionar de modo concreto enquanto não se identifica plenamente com nossa consciência empírica.” Portanto é necessário uma consciência empírica para que essa mente posso funcionar.

(texto) “A mente é uma entidade noumênica.”

(comentário)Noumeno é um termo introduzido por Kant para indicar o objeto do conhecimento intelectual puro, a coisa em si, é o oposto de fenômeno que conhecemos através de nossa mente empírica.

(texto) “ A mente é uma entidade noumênica que unicamente funciona no fenomênico. Precisamente nesse sentido se chama, –mente comum.”

(comentário) Por isso as vezes as respostas dos mestres para a pergunta – O que é Buda?- Buda é a mente. Estamos falando da mente noumênica que está antes dos fenômenos ou em outras palavras, a própria vacuidade. Porque a vacuidade contem a potência de tudo, não é vazia neste sentido. As vezes as pessoas dizem vazio e pensam que o budismo é nihilista por causa dessa palavra. São problemas com as palavras. O vazio budista não é o nada, as vezes eu vejo pessoas escrevendo sobre budismo e confundindo o vazio com o nada. O vazio budista não é nada, pelo contrario, o vazio budista é tudo e se manifesta como fenômeno. Prestem atenção no sutra do coração.