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terça-feira, 8 de maio de 2018
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Saia de você!
(continuação)
Se eu não apenas acreditar, mas escolher e apontar um escaninho como o único que é certo, automaticamente eu também estarei admitindo que todos os outros [caminhos] estão errados. Este é o cerne da divisão, baseado no dualismo da verdade/mentira, certo/errado. É daí que surge o conflito. Se nós fôssemos capazes de abandonar estas classificações, automaticamente o conflito desaparece porque a separação desaparece.
Nós queremos classificar as pessoas em raças, por exemplo. E isso é muito interessante acontecer num país de mestiços como o Brasil, aonde a gente olha nos rostos e vê em cada um várias raças misturadas. De modo que é extremamente difícil classificar os brasileiros como esta ou aquela raça. Contudo, continuamos insistindo tanto nisso que até criamos leis ou mecanismos para “enquadrar” as pessoas em escaninhos. Então, se as pessoas não se classificarem, nós as forçamos a fazer isso. – “Declare! Qual é a sua face? Qual é a sua raça?”. Nós fazemos isso por imposição.
Nós estamos aqui para ajudar os outros seres e esquecer-nos de nós mesmos é a essência do budismo. O sofrimento existe na noção de um “eu” separado. Porque eu me acredito separado, então gero sofrimento. E as vezes as pessoas vem até mim e dizem que têm um grande problema de depressão, de tristeza, de tantas coisas ruins, e normalmente eu recomendo uma coisa: - “Saia de você!”. Pare de olhar para o seu umbigo. Se você sofre de solidão, há crianças nos orfanatos e idosos em casas de repouso que adorariam receber visitas. Há muitas pessoas que estão muito necessitadas que alguém vá até elas. E você permanece em casa pensando em sua solidão? Saia daí e vá visitar os verdadeiramente solitários! E se você for visitar os verdadeiramente solitários, você se livrará de sua solidão. Mas, na verdade, as pessoas dificilmente seguem esta receita.
Todas estas angústias surgem dentro da mente, quando acreditamos na ideia de um “eu” separado. Por causa disso criamos todos os outros conceitos, que levam a separações, a divisões e às lutas entre crenças, entre raças, entre qualquer coisa. Todas elas são oriundas do mesmo engano fundamental, o engano que diz que eu sou um ser separado. Se nós entendermos que originalmente nós não éramos seres separados, nós éramos a própria vida se manifestando, mas alguém nos ensinou que nós temos um nome, que nós somos um alguém. E quando nós acreditamos neste alguém, imediatamente surgem junto os conceitos de “eu”, “meu”, “minha”. Ao dizer “isso é meu!”, a pequenina criança já começa a lutar. – “Não beba a minha água! Este é meu copo!”... imediatamente, então, está criado o conflito.
(continua)
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
O mundo é o mesmo a diferença é o olhar
Pergunta – Antes da manifestação na forma, haveria além do carma, a consciência?
Monge Genshô – O que chamamos de “consciência” é a onda cármica se movimentando. Não estamos falando de consciência de um “eu”. Esse é o problema da palavra consciência, precisaria existir outra palavra. Eu prefiro a expressão “manifestação cármica” ou “onda cármica”. Não há um “eu” e sim movimento, e é esse movimento que gera uma identidade. Porque você não se lembra do passado? Porque não há memória, pois a onda cármica não carrega a memória da vida passada.
Teoricamente tudo no universo está registrado e mantido, porque o universo sendo uma manifestação do que aconteceu antes, é ele próprio o registro do passado. Quando olhamos a Terra sabemos que aqui já viveram dinossauros, que houve períodos gelados, chuva de meteoros etc., podemos saber disso tudo, pois tudo está registrado no evento presente que contém o passado. Esse passado pode, então, ser acessado, mas não carregado como uma memória por uma manifestação cármica.
Pergunta – Isso me fez lembrar a palestra de ontem onde o senhor falava sobre o gás e o explorador e de que ao comermos o arroz, toda a história do universo está ali. É esse acesso que Buda teve, ou seja, conseguiu ver além da forma e do vazio?
Monge Genshô – Sim, existe na Escola Yogacara o conceito de “Alaya Vijnana”, que é a consciência depósito do universo. Se você conseguir acessar essa consciência, terá acesso a suas vidas anteriores. Porém está lá e não em você. Você terá o acesso a esse arquivo que você mesmo é parte. Não há nada de milagroso dizer que alguém possa recordar suas quinhentas manifestações anteriores. Dentro desse raciocínio não. Mas repetindo, essas coisas não são dogmas ou artigos de fé, são elaborações teóricas construídas pelos filósofos Budistas ao longo de milênios. Eles tinham que construir uma filosofia em cima de uma não-crença, sem um criador ou coisas desse tipo.
Pergunta – Ainda sim tudo isso é uma teoria.
Monge Genshô – Exato, faz parte da filosofia Budista. Cada escola Budista tem um arcabouço diferente. A Escola Yogacara, que influenciou muito o Zen, vai ao extremo de dizer que tudo não passa de consciência, é minha consciência quem cria a realidade, cria essa mesa e essa xícara, mas no Zen essa idéia não foi adotada nesse nível. Essa xícara existe independente de mim, mesmo que eu desapareça, a xícara continuará aqui. A única coisa que posso dizer é que a xícara deixará de ser uma xícara, ela poderá ter todas as características de xícara, porém se não existirem os seres que a vejam como tal, um recipiente para bebidas com uma alça, ela deixa de ser xícara, será apenas um pedaço de cerâmica.
Se olharmos as coisas sem nossa consciência não sabemos sua finalidade. Uma xícara só é uma xícara porque tem uma função de xícara que nós lhe damos. Vamos supor que toda a civilização desaparecesse do planeta Terra e seres de outro planeta aqui chegassem. Vamos imaginar o relatório desses cientistas visitantes: “existiam seres que habitavam pequenas casas e a julgar pelo tamanho dessas moradias esses habitantes tinham uma altura que variava entre um metro e setenta a dois metros. Porém encontramos edifícios maiores nos centros com portas de mais de dez metros de altura. Isso pode significar que existiam outros seres maiores, que moravam nos centros, eram importantes, pois moravam em casas maiores e especiais e eram muito maiores que a maioria da população”.
Nós que sabemos a função das catedrais temos outra leitura. Do ponto de vista do Zen, nós construímos nossa interpretação e percepção das coisas com a nossa mente, mas as coisas existem independentemente de nossa mente, o que muda é nossa interpretação e esta depende da mente. Por isso pela mesma mente uma pessoa pode andar nesse mundo e julgá-lo um lugar maravilhoso e outra pessoa no mesmo caminho e no mesmo lugar ver todas as coisas como horríveis e sem sentido.
O mundo é o mesmo, o que é diferente é a mente das pessoas. O que estamos fazendo quando praticamos zazen? Treinando para mudar a mente, pois mudando a mente mudamos o mundo, foi isso que Shakyamuni Buda disse: “Que maravilha, eu a grande Terra e todos os seres nesse momento atingimos a iluminação”. Tudo mudou porque o olhar dele mudou. Temos que tirar nossos olhos deludidos e colocar os olhos de Buda e passar a ver o mundo de outra forma, uma coisa que era obscura e sem sentido, transforma-se em algo maravilhoso e profundo.
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sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Olhar para a frente
P: Hoje é muito comum ouvir a expressão “Aquela pessoa é Zen”. Mas pelo que escuto sobre os retiros e práticas Zen, não é nada fácil, ou seja, não é o que é dito como Zen.
Monge Genshô – Na verdade o treinamento do Zen é muito
duro. Se não fosse duro não seria Zen. É duro e com grande sofrimento
físico e mental. Mas só dessa forma você consegue se libertar. Os
professores do Zen costumam ser severos. Lembro-me de uma pequena
história com Moriyama Roshi, que foi meu professor. Uma senhora foi
conversar com ele sobre sua separação e começou a falar do marido, da
traição e de toda a tristeza que estava vivendo. Então o mestre olhou
para ela e disse, “Agora vai ter que trabalhar, não é?”. Qual a
realidade do momento, de que interessa tudo aquilo que aconteceu? Está
sozinha e terá que trabalhar, essa é a parte que realmente interessa.
Foi a própria pessoa que me contou isso e disse que foi como se tivesse
levado uma bofetada. Assim é o Zen.
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quarta-feira, 20 de março de 2013
O mundo fora de mim sou eu mesmo
COMENTÁRIOS SOBRE TEXTO DE TOSHIHIRO IZUTSU PARTE II
Na primeira palestra, nós examinamos o primeiro ponto, o interior se converte em exterior ou, exteriorização do interior. E agora vamos ao segundo ponto.
(Texto) “No caso da interiorização do exterior, pelo contrário, o ser humano experimenta subitamente que aquele que pensava que era exterior a si mesmo, é na realidade, interior. O mundo que existe fora de mim, está em mim mesmo, sou eu mesmo. Tudo aquilo que o ser humano havia imaginado até esse instante que se desenvolvia no exterior dele, se produziu na realidade em um espaço interior.”
(comentário) Esse é aquele ponto da Escola Yogachara, que enfatiza esse aspecto de que o mundo é produzido interiormente. Na visão mais consolidada no Zen, ele é produzido no seu significado, não é que ele deixa de existir se não houver meu olhar, mas deixa de existir com os significados que tem, porque todos os significados que tem dependem do meu olhar. Por exemplo, esse é um par de óculos, esse par de óculos para um besouro não tem mais significado do que uma espécie de estrutura qualquer no mundo, ele não pode ver nisso, óculos. Só quem pode ver nisso, óculos, é um ser humano, e até particularmente o ser humano que tenha, como no meu caso, presbiopia da idade e que tenha necessidade desse tipo de óculos, porque se, por exemplo, eu der para o meu filho de oito anos, esses mesmos óculos perdem a finalidade. Então, é meu olhar particular que faz que cada objeto ganhe o significado que tem. Vocês podem imaginar, por exemplo, que a terra seja visitada por seres de outros planetas depois que a humanidade tenha se extinguido. E esses alienígenas cheguem aqui e ao encontrar as ruínas da cidade de Florianópolis, verifiquem que existem casas com portas, cadeiras etc e podem calcular o tamanho de todas as pessoas. Mas eles chegam na praça da Matriz e encontram uma enorme estrutura, com portas gigantes, eles poderão imaginar que nossa sociedade era composta por dois tipos de seres, uns com tamanho médio de um metro e setenta e outros de tamanho médio de oito metros mais ou menos. Porque somente seres de oito metros necessitariam de portas de dez metros de altura, ou prédios daquele tamanho para viver. Aos nossos olhos isso poderia parecer absurdo, mas aos olhos dos alienígenas seria uma conclusão lógica.
Nossa maneira de ver as coisas é que constrói as catedrais e dá à elas um significado que não é utilitário e sim uma utilidade de uma obra do espírito humano. Isso que estamos falando da catedral de Florianópolis. A catedral de Colônia impressiona muito porque quando a gente sai da rua Hohe e entra na praça há um intervalo de poucos metros, a igreja está oculta pelos prédios, e quando você sai na praça, as torres da catedral de pedra tem 160 metros de altura. Parece uma montanha, e os homens levaram setecentos anos a construí-la. E por que os homens fazem essas coisas? Por significados que estão dentro deles. Eles emprestam as coisas significados e as transformam com seu olhar. Nesse sentido bem particular nós transformamos e damos significados ao mundo de uma maneira que seria incompreensível em outra cultura.
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quinta-feira, 14 de abril de 2011
A mudança do mundo
Palestra sobre o zen para a turma de naturologia na Unisul, Florianópolis
P: Sinto-me desanimado em um mundo com tanta maldade...
R: É muito importante dar-se conta que absolutamente todas as pessoas agem conduzidas por suas marcas cármicas, não há culpados realmente, mas vítimas, se entendermos isto poderemos perdoar a todos.
Mais profundamente ainda, este mundo é como é porque nós o construímos com nosso olhar, então somos nós os criadores de tudo que ocorre, para nos libertarmos disto é que precisamos praticar, a prática muda os nossos olhos e o universo inteiro muda simultaneamente.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Olhos Vagabundos
A COMPLICADA ARTE DE VER
Rubem Alves
Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria!
Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de
estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica.
De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."
Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas.
Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro:
'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca.
Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".
Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.
William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado.
Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.
Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem.
"Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido.
Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".
Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram".
Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".
A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas,eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática.
Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre.
Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.
Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras.
Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar
para elas".
Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão
seria partejar "olhos vagabundos"...
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Enquanto isso, na Austrália...

Incêndios tem devastado florestas em vários países, mas o que nos importa na foto é o sentimento implícito no gesto de solidariedade com um urso coala. Em algumas pessoas a compaixão surge naturalmente, elas sentem a dor do outro e tentam diminuí-la, outras divertem-se com o sofrimento alheio e procuram filmes e ocasiões para observa-lo curiosas. Sabendo disso a TV expõe crimes e cenas de dor, porque mais Ibope surge automáticamente. Se quisermos mudar isso devemos mudar nosso olhar, comprazer-nos no piedoso e belo e recusarmos dar audiência à exposição gratuita da dor.
O gesto de compaixão em meio a floresta carbonizada é a cena do mundo que gostaríamos de criar, nosso mero olhar já tem o poder de alterar um pouco o mundo.
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