Follow by Email

quarta-feira, 22 de abril de 2015

SAINDO DO CASULO

Então poderíamos analisar um pouquinho mais essa questão da compreensão. Eu estava explicando há pouco, voltemos à analogia do mar, nós somos ondas tocadas pelos ventos do carma, quem é que formou as ondas? O carma. O carma é o vento que forma as ondas do mar. A onda é puro movimento, energia passando na água. Ela não é algo em si. Ela perpassa pelo mar sem mover a água para adiante. Se isso acontece, então nós, que somos manifestações cármicas, não somos mais do que energia passando na superfície do universo. Nós somos um movimento. O carma fez surgir essa manifestação como uma onda extemporânea, evanescente e fulgaz. Nós, como seres humanos, não temos a tranquilidade dos pássaros e dos peixes, para eles está tudo bem. Uma borboleta que a gente vê passando aqui pela floresta tem um ou dois dias de vida, é muito fulgaz aquele momento, mas ela não pensa nisso, ela apenas continua, a sua espécie se reproduz e nascem lagartas que vão gerar outras borboletas. Está tudo continuando, mas o homem se angustia pois, ele é uma onda que se apega ao seu “eu”.
Ele entende quem é, vê seu corpo funcionando, vê os outros e, quando ele tem essa percepção, este “eu” dentro dele não quer ir embora de jeito nenhum. Ele tem medo de qualquer alteração que surja por isso o homem tem medo de morrer e porque tem medo de morrer o homem criou as religiões. E as religiões sempre são soluções fantasiosas de continuidade. Continua em algum lugar ou de alguma forma, melhor do que aqui. Tem sempre uma promessa assim. E essas fantasias são extremamente atrativas pois, nós queremos acreditar nelas mesmo que no fundo nós duvidemos.
Nós queremos acreditar para que elas nos salvem da evanescência da nossa identidade, do nosso “eu”. Buda disse que era ilusão, que nós criamos ilusões, que nada disso era verdadeiro, não havia um “eu” real dentro das pessoas mas sim, só ilusões construídas e que portanto todas as coisas são vazias de um “eu”. Nós somos algo muito além disso, só que nós não percebemos e por isso ficamos presos a essa forma de manifestação cármica.