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quarta-feira, 3 de junho de 2015

A HISTÓRIA DO ZEN (Parte II)


(Foto de Sojiji-Soin)

(continuação)
O novo abade, Ryoko Gakuen, que faleceu em 1314, foi sucedido por Jyun, 5º abade de Eihei-Ji que ficou de 1253 a 1333. Eihei-Ji ficou em situação muito fraca neste momento. Gikai foi para o Templo de Daijo-Ji, situado ao norte de Eihei-Ji, na península de Noto, e ali morreu. Havia entrado em Eihei-Ji, 8 anos antes, Keizan, que pertencia a uma família aristocrática do poderoso clã Fujiwara, que foi discípulo de Koun Ejo e que recebeu ordenação de monge aos 12 anos. Mas com a morte de Ejo, Gikai indo pra Daijo-Ji, ficou nas mãos de Keizan a oportunidade de fazer renascer a escola Soto. Keizan tinha apenas 30 anos, embora tivesse se tornado Monge aos 12 anos. Keizan sucedeu a Gikai e se impôs como restaurador do Zen de Dogen, ao mesmo tempo em que permanecia fiel aos ensinamentos que havia recebido de Gikai, no que se referia aos rituais, que ele havia trazido da China. Então esses rituais que nós praticamos hoje, são esta herança trazida da China por Gikai.

Mas eles não eram praticados desta forma quando Dogen trouxe o Soto para o Japão. O Zen era muito simples, e era sentar em zazen, sem parar. Muitas pessoas não se sentiam confortáveis com o Zen, de modo que ele não se expandia entre a população porque ele não tinha esses aspectos religiosos que falavam às pessoas. Keizan conseguiu um feliz casamento entre o Zen de Dogen e aquilo que Gikai havia trazido e que havia causado tanto problema dentro da ordem Soto. Keizan então fundou seis novos templos do Soto e o seu Templo de Daijo-Ji, em 1321, tomou o nome de Soji-Ji. Esse Templo fundado por Keizan, Soji-Ji Soin, é o Templo onde está hoje o Monge Chudô, da nossa sangha, treinando no Japão (E que agora também está Monge Genshô, em treinamento).

Efetuando uma evolução inversa à que havia seguido Dogen, Keizan tentou sacar o Soto do seu isolamento, onde ele estava no meio das montanhas e onde está Eihei-Ji até hoje. E Soji-Ji está dentro da cidade, está próximo das pessoas. Ele não duvidou em difundir seus ensinamentos nas cidades nem tampouco em acercar-se do poder, a fim de opor seus poderosos rivais que eram os monges Rinzai, a escola dominante no Japão neste momento, e era a escola que tinha se aproximado do império. Até hoje quando você vai ao Japão, os monastérios mais ricos são os Rinzais, porque eles são antigas casas imperiais ou palácios.


A escola Soto era uma escola ligada aos camponeses, ligada ao povo mais simples e que não era ligada ao poder, mas Keizan logrou um acesso também ao império e, desejoso de estabelecer a legitimidade, a continuidade da transmissão, Keizan escreveu em 1301 o “Denkoroku Keizan Osho” – “Escritos do Monge Keizan Sobre a Transmissão da Luz”, que retoma o tema de um antigo texto “Ching-te Ch’uan Teng-lu” de 1004, que estabeleceu a lista genealógica dos patriarcas desde Mahakashyapa até Eihei Dogen, o 51º, e com Ejo o 52º. São essas sequências de nomes que recitamos hoje de manhã, que constam do livro Denkoroku. Cada capítulo conta quem foi o antecessor, como foi o momento da transmissão, qual foi o diálogo da transmissão, a circunstância, uma breve biografia do patriarca, e um verso com um comentário de Keizan. Então são esses dois grandes Mestres, os principais da Soto Zen, por isso atrás do altar normalmente há dois rostos, duas imagens: uma de Eihei Dogen e o outro é de Keizan Jokin Daioshô. (Fim)