quarta-feira, 28 de outubro de 2015
MAHA PRAJNA PARAMITA
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
O Sesshin
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
O abandono de si mesmo
Esses dias coloquei em um post de uma palestra que dei em Goiânia, a declaração de Matsu, quando alguém relata a história de que Buda menino, nasceu e saiu andando, e choveu uma chuva doce e pétalas, flores caíram do céu, e ele apontou com uma mão pra cima e outra para baixo, há uma estátua de Buda menino assim, e disse: “entre o céu e a terra eu sou o mais honrado”. Comentário do mestre Zen Matsu: “se eu estivesse lá nesta hora, eu o teria matado a pauladas e jogado sua carne aos cachorros”.
Esse é o comentário do Zen, por quê? Porque o evento em si contradita o “espírito” do budismo, uma vez que transforma Buda em um ser extraordinário, capaz de andar e falar logo depois de nascido e ainda se achando mais honrado entre o céu e a terra do que todos os seres, ou seja, é a própria declaração da separação.
Mas voltando ao início da palestra, sobre a reverência, a quem fazemos a reverencia? Nós não podemos fazer a reverência para outro, assim como não podemos fazer reverência para Buda, porque aquele que entra na sala e faz uma reverência para Buda, é um herege no Zen, porque nós não fazemos reverências para uma estátua de Buda, nós fazemos reverências para o “ideal” de sermos capazes como Buda, de despertar. É esta a idéia na qual nós tomamos refúgio, nós dizemos no início do ritual da manhã: “eu tomo refúgio no Buda”. Não é na pessoa, eu tomo refúgio na possibilidade de despertar esse ideal, eu sei que é possível que eu desperte, junto com todos os seres. Eu não tomo refúgio em uma pessoa, porque a pessoa representada no altar aqui atrás, é morta, extinta, há muito tempo. Não é possível uma reencarnação de Buda por exemplo, isso que a gente vê às vezes na imprensa, é um absurdo, não existe isso. Primeiro porque não existe reencarnação no budismo, existe continuidade cármica, não de um “eu”; segundo porque Buda, ao extinguir sua energia cármica com sua iluminação, ao esgotar seu carma, não tem porque retornar. É justamente esta a vitória, deixar de ser onda, para ser oceano, ser uno com tudo, mas não ser uma energia que força novas manifestações, com todas as suas consequências. Isso é que é visto como aprisionamento.
Aquilo que em geral é visto como vitória sobre a morte nascer de novo, ganhar novo corpo, ser um eu eterno, do ponto de vista budista é um tremendo de um castigo porque ficar condenado a repetir isso, aqui, de novo, sempre, a mesma coisa, isso é um aprisionamento. E despertar seria se libertar desse aprisionamento. Então é o contrário de ambicionar ter um eu eterno. Na realidade, é ambicionar ter uma integração perfeita, completa, absoluta e não uma eternidade de um eu. Se nós fossemos pesquisar profundamente em outras tradições religiosas, mesmo na tradição religiosa da casa onde nós estamos, uma casa católica, nós acharíamos a mesma ideia, porque a idéia de estar junto a Deus significaria um abandono de si mesmo, seria outra coisa, não é estar sempre eu aqui, uma idéia primitiva.
terça-feira, 13 de julho de 2010
O objetivo final
P: Na prática, quais são os primeiros passos a serem dados para se chegar ao
objetivo final, que é a iluminação?
R: Na prática do zen seria esquecer este objetivo, desenvolver a compaixão por todos os seres, abandonar a si próprio, para isto começamos pela prática da meditação silenciosa tratando de silenciar o eu.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Dhammapada

Dhammapada manuscrito em folha de palmeira(44.5 * 6.5 cm) em caracteres singaleses, a primeira e última páginas aparecem, crê-se ser a mais antiga cópia conhecida. Foto: Cortesia de K. D. Paranavitana, Assistant Archivist, Department of National Archives, Colombo, Sri Lanka.
“Não há mais sofrimento para aquele que libertou-se dos apegos.”
“Abandona a cólera, renuncia ao orgulho, quebra todos os grilhões. Nenhum sofrimento atinge aquele que não se apega ao nome-e-forma da existência fenomenal e que nada considera como seu.”
“O homem agitado pela dúvida, subjugado pelas paixões, atento somente ao prazer, forja para si pesadas cadeias.”
- versos do Dhammapada -
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Buddha sai do palácio

Rahula, filho de Buddha e um de seus mais destacados discípulos.
P: Buddha abandonou esposa e filho. Um pequeno ou grande sacrifício por parte dele? Quão grande deve ter sido o efeito desse abandono na vida da mulher e do filho e da mãe e do pai? Qual teria sido o efeito cármico de um ato deste para Gautama?
R: Grande, sem dúvida. Veja que ele não era um iluminado quando deixou seu palácio. Nem temos porque tentar defender os atos de Buddha antes da iluminação; ele não era diferente de mim ou de você. Era um homem perturbado, cheio de dúvidas sobre o sofrimento, angustiado pela existência da morte.
Que foi difícil sua decisão, é de imaginar: cortar seus laços e tentar encontrar as respostas... Você pode avaliar pela sua própria luta para cortar com o passado e encontrar seu próprio caminho. Difícil, dolorido, coisa que precisa de coragem e determinação.
Do ponto de vista ético, podemos citar S. Thomas de Aquino, nas dúvidas morais optar pelo maior bem para o maior numero de pessoas, Não há dúvida de que este objetivo foi atingido no caso de Buddha.
Por outro lado Rahula, seu filho, foi mais tarde um dos grandes discípulos de Buda, um de seus mais próximos seguidores, sua mãe adotiva foi a iniciadora da ordem feminina e também grande discípula. A esposa faleceu antes dessa oportunidade.
Ao que parece, a família o seguiu. Assim podemos dizer que o mau carma de abandono de Sidharta parece ter sido resgatado pela sua atuação depois de se tornar o Buddha.
terça-feira, 11 de março de 2008
Meu pai me esqueceu, sofro, que fazer?
É difícil lidar com este tipo de sofrimento, uma espécie de luto pela perda da imagem paterna, porém é preciso dentro de nós deixar morrer os nossos apegos para podermos ser realmente livres, então é como se no dia em que assumirmos a imagem paterna e materna com todos os seus lados bons e ruins, sem desejar que sejam melhores do que realmente são, isto nos permitirá uma grande liberação de nossas ilusões.
No fim precisamos nos livrar da ilusão de nosso próprio eu, e assim morrermos para os nossos apegos a nós mesmos e nossas fantasias, esta a liberação final que nos permite escapar do cilco infindável de manifestações e repetições do mesmo tipo de sofrimentos por eras sem fim.
Tente ver seu pai sem cores más ou boas, como um homem também perdido em ilusões, assim, abdicando de idealizar, podemos enfim perdoar verdadeiramente. Cada uma das pessoas a nossa volta é assim, e se olharmos para dentro nos veremos assim também, aí chegará o dia de nos perdoarmos também...e no fim morrermos para nós mesmos, voltando a pura luminosidade original que obscurecemos com nossas vidas cheias de emoções.
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
O abandono de Sidharta
P: Sobre Sidharta, ele abandonou sua esposa e seu filho. Um pequeno ou grande sacrifício por parte dele? Quão grande deve ter sido o efeito deste abandono na vida da mulher e do filho e da mãe e do pai! Qual teria sido o efeito cármico de um ato destes ?
R: Grande sem dúvida. Veja ele não era um iluminado, nem temos porque tentar defender os atos de Buddha antes da iluminação, ele não era diferente de mim ou de você. Era um homem perturbado, cheio de dúvidas sobre o sofrimento, angustiado pela existência da morte. Que foi difícil sua decisão é de adivinhar, cortar seus laços e tentar encontrar as respostas...
Podes avaliar pela tua própria luta para cortar com o passado e encontrar teu próprio caminho. Difícil, dolorido, coisa que precisa de coragem e determinação. Do ponto de vista ético podemos citar Sto. Thomas de Aquino, nas dúvidas morais optar pelo maior bem para o maior numero de pessoas, não há dúvida de que este objetivo foi atingido no caso de Buddha.
Por outro lado Rahula, seu filho, foi mais tarde um dos grandes discípulos de Buda, um de seus mais próximos seguidores, sua mãe adotiva Prajnapati foi a iniciadora da ordem feminina e também grande discípula. A espôsa faleceu antes desta oportunidade. Ao que parece a família o seguiu. Assim podemos dizer que o mau carma de abandono de Sidharta parece ter sido resgatado pela sua atuação depois de se tornar o Buddha.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
A vontade como obstáculo
M. Tokuda
Fonte: www.bodisatva.org


