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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Temos dificuldade em ver a diminuição do sofrimento



O sofrimento diminuiu muito ao longo dos anos, até o séculos XIX era normal uma família perder vários filhos. Bach teve 20 filhos e morreram 10. Tenho uma aluna que é obstetra e ela disse “ninguém mais aceita perder um neném ou uma mãe no parto”, quando ela perdeu uma paciente ficou arrasada. Antigamente morrer no parto era normal, era comum, havia mais homens do que mulheres porque morriam muitas mulheres no parto. Mas o sofrimento mudou, a expectativa de vida aumentou, o preço de tudo que compramos caiu imensamente, hoje temos problema de excessos, porque comemos demais. Se quiserem ler sobre esse assunto há um livro chamado Abundância (Kotler, Steven / Diamandis, Peter H.), que tem muitos dados sobre todas as mudanças que passamos. Existem partes enormes do mundo onde os saltos tecnológicos foram enormes, na África, por exemplo, eles nem chegaram a ter telefones fixos, pularam direto para os celulares. Os saltos são enormes, mas nós não enxergamos com clareza. Na realidade nós nunca tivemos um mundo tão pouco violento, mas parece que não, porque temos muito acesso a informação. Mas nunca houve tão poucos assassinatos no mundo, comparado com o passado, mas nós não vemos a diminuição do sofrimento porque ele está muito presente.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Uma mente aberta é melhor



Pergunta – Razão e emoção formam uma dualidade?

Monge Gesnhô – Acho que devemos questionar a razão também. Aquilo que chamamos de “razão”, muitas vezes é governado por um sistema de crenças. Nós acreditamos que algo seja pior, ou melhor. Como temos um sistema de crenças, damos a ele razão. Mas podemos estar enganados.

Pergunta – Qual a conduta a seguir?

Monge Genshô – Muitas vezes também me pergunto isso. Seguidamente me questiono sobre o que fazer, sobre qual seria a melhor conduta em certa situação. Quando temos filhos ou netos, é comum nos indagarmos: “e agora, qual seria a melhor maneira de agir, o que dizer?” Muitas vezes não estamos tão certos. Mais tarde, anos depois, o filho nos diz: “tu deverias ter sido mais duro comigo”. E pensávamos estar sendo duros demais. É muito freqüente que um filho adolescente nos acuse de sermos muito severos e que anos mais tarde ele mesmo diga que deveríamos ter sido mais duros. É muito difícil saber o que fazer ou o que dizer. O melhor é cultivarmos uma mente mais livre, descondicionada, que realmente nos permita dizer “não sei.” São muito perigosas as pessoas que têm certezas e que sabem muito nitidamente o que é melhor. Às vezes, existe nas famílias aquela pessoa que tem razão e que quer impor sua vontade sobre a família inteira. Ela se considera sempre certa, tem seu conjunto de crenças, e quer, por força, que todos as aceitem. No fim, isso pode ser muito ruim. Como é que se sabe o que é melhor? Como você pode impor aos outros o que pensa ser o melhor? Você não sabe. Temos muitos exemplos de pessoas que se tornaram grandes em alguma coisa contra o que seus pais tinham se oposto acirradamente. Há pouco tempo, li na autobiografia de Elias Canetti que sua mãe lutou denodadamente para que ele tivesse uma profissão, que estudasse algo que fosse realmente útil, para que não ficasse em fantasias de literatura. Ele então se graduou, fez mestrado e doutorado em química, para obedecer a sua mãe. Elias Canetti foi prêmio Nobel de literatura; nunca foi químico. Mas sua mãe tinha absoluta certeza de que sabia o que era bom para seu filho e morreu em conflito com ele. Como podemos saber o que é realmente bom, o que é certo? Voltando à questão relativa a coração e razão, podemos dizer que o que pensamos ser a razão, pode estar errado. Uma mente aberta seria, portanto, mais conveniente.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Amor sem apego



É muito difícil, talvez você consiga durante alguns instantes, mas quando conseguir durante um instante tente retornar para aquilo mais vezes e se conseguir durante dez segundos no zazen, é muito grande coisa! Volte para lá tantas vezes quanto puder. Como a gente volta? Não cogitando. Não significa não pensar porque você está aqui e está ouvindo. Existe algo aí. Melhor dizer: pensar além do pensar e do não pensarO engano todo vem da atividade mental que se identifica com o eu, é por isso que nos apegamos às ilusões e as ilusões ficam nossas donas.
Ontem vocês perguntaram se é possível viver na vida sabendo que é ilusão e ainda assim usufruir da vida. Sim e muito mais porque a alegria da vida deixa de estar cheia dos sofrimentos inerentes aos apegos. Não é a vida em si que produz sofrimento. Quem produz sofrimento é nosso apego à permanência na vida, porque desejamos estabilidade na vida, porque desejamos nos agarrar às coisas da vida. Elas são muito fortes. Nossos filhos, nossos amores, nossa casa, colocamos apego nessas coisas e elas são impermanentes, então obrigatoriamente teremos sofrimento, mas nós podemos ter profundo amor sem apego, sabendo que é transitório, impermanente e ilusório. Que é um sonho maravilhoso que estamos vivendo, mas que não tem solidez, então é perfeitamente possível usufruir e viver, e ao mesmo tempo ter uma mente livre. Ter conquistado a liberdade. Não vai haver apego, ódio, ilusão. Não vão haver as três coisas que produzem o sofrimento: o apegar-se, o ter aversão e a ilusão.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A Morte do Zen budista e vegetariano Steve Jobs


Faleceu há algumas horas, com 56 anos, nos EUA, o zen budista Steve Jobs, por duas vezes líder inconteste da Apple, foi ligado a Kobun Chino Otogawa um monge da escola Soto Zen, tentou domar um temperamento irascível e tão exigente que levava ao desespero seus colaboradores, ao mesmo tempo é cultuado como um realizador brilhante que com sua obsessão por produtos ideais mudou a face do mundo moderno.
Sua empresa lançou novidades que as pessoas sequer sabiam que queriam, produtos que se tornaram a seguir ícones do mundo digital, este sucesso guindou a Apple ao posto de uma das empresas mais valorizadas da terra.
A contradição aparente entre sua vida de CEO e empreendedor com sua ligação com o budismo aparecia em sua simplicidade na vida pessoal, seu hábito de andar descalço mesmo comprando no supermercado, seu vegetarianismo que partilhava com sua espôsa mãe de 3 dos seus filhos ( teve uma filha com uma namorada anteriormente) e a seu desapego por móveis suntuosos. Ele fazia o que queria, lutava por um resultado brilhante, mas não por enriquecimento em si e sim porque era o que desejava fazer, trilhava seu caminho sem se importar com a opinião alheia.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Buddha sai do palácio



Rahula, filho de Buddha e um de seus mais destacados discípulos.

P: Buddha abandonou esposa e filho. Um pequeno ou grande sacrifício por parte dele? Quão grande deve ter sido o efeito desse abandono na vida da mulher e do filho e da mãe e do pai? Qual teria sido o efeito cármico de um ato deste para Gautama?


R: Grande, sem dúvida. Veja que ele não era um iluminado quando deixou seu palácio. Nem temos porque tentar defender os atos de Buddha antes da iluminação; ele não era diferente de mim ou de você. Era um homem perturbado, cheio de dúvidas sobre o sofrimento, angustiado pela existência da morte.

Que foi difícil sua decisão, é de imaginar: cortar seus laços e tentar encontrar as respostas... Você pode avaliar pela sua própria luta para cortar com o passado e encontrar seu próprio caminho. Difícil, dolorido, coisa que precisa de coragem e determinação.

Do ponto de vista ético, podemos citar S. Thomas de Aquino, nas dúvidas morais optar pelo maior bem para o maior numero de pessoas, Não há dúvida de que este objetivo foi atingido no caso de Buddha.

Por outro lado Rahula, seu filho, foi mais tarde um dos grandes discípulos de Buda, um de seus mais próximos seguidores, sua mãe adotiva foi a iniciadora da ordem feminina e também grande discípula. A esposa faleceu antes dessa oportunidade.

Ao que parece, a família o seguiu. Assim podemos dizer que o mau carma de abandono de Sidharta parece ter sido resgatado pela sua atuação depois de se tornar o Buddha.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Cobranças


P: O que se faz quando se quer estar com pessoas amadas (pais idosos) mas os encontros são sempre queixosos , carregados de cobranças e nos fazem sentir sempre exauridos?

R: Nos exaurimos se aceitarmos que são cobranças, se os olharmos com a compreensão dos sentimentos deles e dermos o amor que temos para dar, que não é tudo que eles querem mas que é aquilo que temos, este encontro será de doação e nossos ouvidos ouvirão as queixas mas não nos sentiremos culpados por elas. Concordamos, podemos dizer: pai , mãe , este é o presente que eu tenho para lhe dar...minha presença, estou aqui por vocês...e continuarei voltando no meu ritmo possível, porém não posso levar em conta todas estas palavras pois elas são exigências que não posso cumprir pois não tenho tanto aqui para entregar, e meus filhos me demandam mais, e para eles eu darei muito mais do que eles me darão no futuro, assim como acontece aqui entre nós...