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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

MAHA PRAJNA PARAMITA



Aluno – O que são as palavras finais no Sutra que entoamos agora?

Monge Genshô  – “Maha Prajna Paramita”. “Maha” é grande. “Prajna” é sabedoria. “Paramita”, é da outra margem. É o ‘grande sutra da sabedoria da outra margem”.

Você imagina o rio da ignorância e tem uma margem aqui. Você atravessa esse rio, e a outra margem é a margem do despertar, da iluminação. Então, chegando lá, é a sabedoria da outra margem, é isso o que significa.

Nós visualizamos o budismo como um veículo para atravessar o rio da ignorância. Então você pega o barco do budismo e atravessa. Ao chegar lá, não precisa sair carregando o barco nas costas, ou seja, o budismo também é descartável, o budismo é a religião que aponta para a libertação do próprio budismo.

Mas existe uma outra imagem que é a do Bodhisattva que atravessou para a margem da sabedoria, aí ele chega lá e olha para margem da cá, a da ignorância, e vê tantos seres sofrendo, que ele opta por voltar para buscar esses seres. Então ele é um barqueiro que vai e volta,  ele não deixa o barco, por isso ele continua usando o budismo. Mas o budismo é um veículo, um método, não é a verdade, a religião suprema, não é nada disso.

A ideia budista é que nós temos métodos e esses métodos são os barcos que nos farão atravessar aquele rio. E existem barcos diferentes para pessoas diferentes, tanto que no próprio budismo há escolas diferentes, tem Escola Zen, Escolas Tibetanas, Escola Theravada, Escolas Terra Pura, e estas são apropriadas para diferentes tipos de pessoas, diferentes tipos de mentes. E por isso  elas existem, porque pessoas que são diferentes precisam de barcos e até mesmo religiões diferentes. Então nossa postura tem que ser de infinita tolerância e aceitação da diferença do outro, não pode haver intolerância alguma.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

O PAPEL DO ZEN (Parte II)

O Zen surgiu em uma sociedade budista para achar os alunos que estavam demandando o despertar, e que estavam prontos pra enfrentar esse tipo de treinamento. Se não fosse assim, então não servia pro Zen, porque as pessoas normais que estavam nas ruas e queriam simplesmente algum conforto religioso ou qualquer coisa assim, o budismo tinha pra oferecer. Você quer uma cerimônia para remover obstáculos? Tenho. Morreu alguém da família e você quer que a gente faça um ritual pra você se sentir consolado, a gente faz. Em geral esses rituais no budismo foram importados de outros lugares, vamos fazer rituais semelhantes, já que eles são confortadores e as pessoas estão querendo. Você quer um casamento, a gente faz um casamento. Mas originalmente eles não pertencem ao budismo, porque o budismo não foi criado pra atender essa demanda, ele foi criado pra atender o desespero de Taiso Eka, “minha alma não tem paz”. Isso sim, pra isso o budismo voltou sua atenção. Pra isso Buda voltou sua atenção, porque ele tinha uma angústia.

Se toda vida termina em velhice, doença e morte, o que eu estou fazendo aqui? Como é que eu saio disso? Como é que eu encontro solução para a angústia de enfrentar essa finitude da vida humana? Essa angústia existencial é que é a angústia de Buda, e o budismo se voltou pra isso, não pro conforto das coisas pequenas da vida. Mas acabou sendo uma estrutura religiosa tentando confortar as pessoas nas suas pequenas necessidades. Então o Zen só tem sentido se nós estamos procurando a iluminação. Só aí tem sentido você sentar e realmente se esforçar como a gente demanda num centro Zen, senão um centro Zen não é o lugar para nós. Se é só consolo, tem outros lugares. Se é pra se sentir abençoado pra ganhar dinheiro, também tem outros lugares. Se quer qualquer solução mágica também tem outros lugares. Mas no Zen não existe nada assim.

Tem um Mestre que um aluno entrou e disse: “o que o senhor pode me dar no Dharma?”. E ele disse, eu não tenho, eu gostaria muito de lhe dar alguma coisa, mas eu não tenho nada pra lhe dar, só uma bola de ferro incandescente para ser engolida. O que ele queria dizer? Isso, essa verdade é difícil de ser engolida, a verdade de que o seu eu que você tanto ama não passa de mera ilusão, que não tem a solução para dizer, “quando você morrer vai pra um céu lá, vai ganhar 72 esposas, ou vai ficar feliz chovendo dinheiro em cima, ou qualquer coisa assim”. Não tem esse tipo de promessa no Zen. Não é isso. O budismo vem com outra abordagem.

Você imagina, você quer uma solução pro seu eu continuar vivendo no futuro numa vida boa pro seu eu, pro seu egoísmo. O budismo diz , “não, o seu eu é que é um engano, você tá desejando coisas num futuro para esse objetivo pessoal, esse materialismo espiritual, e esse materialismo é um engano, você está perdido se você quer esse tipo de solução”. E eu estou lhe dizendo que é o seu eu que engana você, você é muito mais do que o seu eu. Por estar pensando que é um eu então você só pensa em agregar coisas para si, e isso é a maneira de criar sofrimento, porque você quer apego, mais coisas, sempre agregando para si, e elas não lhe trarão satisfação nem felicidade. Pelo contrário, cada uma delas vai ser motivo de sofrimento, porque todas elas vão ser perdidas. Todos os apegos, tudo aquilo em que você coloca seu coração, é ali que você vai sofrer. Então pelo menos que nós coloquemos nosso coração nas coisas que valem a pena, não nas coisas que não valem. Por isso as fontes de sofrimento são o apego, a aversão e a raiva. Daí sai todo sofrimento do homem. Nenhuma dessas coisas pode ser cultivada, acalentada ou permitida dentro de nós.

Nós podemos amar mas não podemos ser apegados. Nós podemos saber que tal coisa não é conveniente, mas não podemos cultivar a aversão, porque a aversão vai ser fonte de sofrimento também. Por isso, quando se chega nos mosteiros e se serve comida, você tem que comer de tudo, e não pode dizer não gosto disso, não gosto daquilo, porque tudo o que você escolhe gostar ou não gostar também é fonte de sofrimento. Você tem que ser capaz de aceitar tudo que vem, como vem. Então um dos treinamentos dos monges é sair para mendigar. Quando eles mendigam eles recebem qualquer coisa. Eles têm que aceitar o que foi dado, a comida que for dada ele tem que aceitar. Esse é um treinamento importante. (Fim.)


quarta-feira, 25 de março de 2015

Monge Genshô entra em Retiro no Japão.

Sutra do Amor Bondade
Quem é hábil no que é benéfico, desejando alcançar
aquele estado de paz, age assim:
capaz, correto, honrado,
com a linguagem nobre, gentil e sem arrogância,
Satisfeito e fácil de sustentar,
sem ser exigente por natureza, frugal no seu modo de vida,
os sentidos acalmados, sábio,
moderado, sem cobiçar ganhos.
Não faz nada, mesmo que trivial,
que seja condenado pelos sábios.
Pense: felizes, seguros,
que todos os seres tenham os corações plenos de bem-aventurança.
Todos os seres vivos que existem,
fracos ou fortes, sem exceção,
compridos, grandes,
médios, curtos,
sutis, grosseiros,
Visíveis e invisíveis,
próximos e distantes,
nascidos e por nascer:
que todos os seres tenham os corações plenos de bem-aventurança.
Que ninguém engane
ou despreze outrem, em nenhum lugar,
ou devido à raiva ou má vontade
deseje que alguém sofra. 
Tal qual uma mãe, colocando em risco a própria vida,
ama e protege o seu filho, o seu único filho,
da mesma forma, abraçando todos os seres,
cultive um coração sem limites.
Com amor bondade para todo o universo,
cultive um coração sem limites:
Acima, abaixo e em toda a volta,
desobstruído, livre da raiva e da má vontade.
Quer seja parado, andando,
sentado, ou deitado,
sempre que estiver desperto,
cultive essa atenção plena:
a isto se denomina uma morada divina
no aqui e agora.
Sem estar aprisionado pelas idéias,
virtuoso e com a visão consumada,
tendo subjugado o desejo pelo prazer sensual,
ele não mais renascerá.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O Sutra do Coração da Sabedoria


Pirogravura realizada por Cassio Dias, Saikawa Roshi à esquerda.


Saikawa Roshi: Durante o zazen eu falei um pouco sobre o Sutra do Coração da Sabedoria. Sei que alguns de vocês estão fazendo sesshin (retiro) pela primeira vez e outros são bem mais iniciantes no Zen, por isso eu gostaria de falar sobre esse texto básico. No título “Maka Hannya Haramita Shingyo”, “Maka” significa grande, mas não como oposição a pequeno.

Quando falamos em “grande” no Budismo, estamos nos referindo ao infinito, sem fronteiras, sem limites. “Hannya” é o mesmo que “Prajna” que significa sabedoria, mas não a sabedoria da vida diária. Na vida diária uma pessoa sábia é uma pessoa que parece ter bastante conhecimento e é muito inteligente. No budismo sabedoria é saber como somos no momento presente, você abrir seus olhos e perceber-se um com todo o universo. Isso é sabedoria para o budismo.

Os ouvidos podem ser um com o som, o nariz pode ser um com o aroma, a língua pode ser um com o sabor, não importa se você gosta ou não, seja um. O corpo pode ser uno com o suave, duro, quente ou frio e a atividade da mente também pode ser uma com tudo que aparece, esse tipo de percepção é chamado de sabedoria, é “Prajna”. 

“Paramita” significa ir para o outro lado, a outra margem. Historicamente esse lado e o outro lado são uma representação simbólica. O outro lado é o nirvana. O caractere para “Shingyo” é mente, mas pode ser lido de outras maneiras e, portanto ter outros significados como, por exemplo, essência.

O Sutra “Hannya Shingyo” é normalmente traduzido como o Sutra do Coração, mas na verdade eu traduzo como o “Sutra da Essência da Coleção dos Sutras do Prajna Paramita”. O Sutra Prajna Paramita é uma coleção de seiscentos volumes. Aquele Sutra que eu recitei na purificação do Dojo é o quinquagésimo septuagésimo oitavo (578°) Sutra. O Sutra do Coração fala sobre a essência de passar para o outro lado.

**Colocação do tradutor, Monge Genshô - “O Roshi (venerável mestre) está explicando que os ideogramas têm muito mais significados em cada símbolo do que lemos na tradução, então, quando lemos em português o “kanji Shin”, temos que entender que por trás da tradução simples que fazemos, no caso mente, existem outras possíveis como sentimento, coração, essência etc., logo, o sutra quando lido no seu original com ideogramas, tem mais interpretações do que em um idioma fonético.” (continua)

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Colocar os olhos de Buda


Aluno – Achei a cerimônia de hoje muito bonita…

Monge Genshô – Esta é a cerimônia de Uposata. Vem dos Upasakas e Upasikas, os praticantes leigos. Esses são os votos que esses praticantes deveriam fazer. Os votos são muito bonitos. Se você prestar atenção, seguí-los é praticamente impossível. Muito difícil! “Cuidar de todas as formas de vida”. Não só dos seres humanos, mas de todos os seres. Se você for realmente responsável e começar a pensar no sofrimento de todos os seres envolvidos, verá que tem que ser muito cuidadoso. Cada um daqueles votos, são eticamente muito profundos. O que nós conhecemos como mandamentos religiosos são muito leves, perto dos votos. São, de fato, muito significativos.

Pergunta– Gostaria que o Senhor comentasse um pouco sobre o Sutra do Coração.

Monge Genshô – “Oh Shariputra, forma é vazio e vazio é forma. Vazio nada mais é do que forma, forma nada mais é do que vazio”. Este é o centro do Sutra do Coração da Sabedoria. Se você entender esta frase, promete o Sutra, livra-se de toda dor e sofrimento. Nesse texto (publicado no blog), eu expliquei que toda vida é um ciclo, um fluxo. Nós olhamos inícios, mortes, etc., mas na verdade a vida é um ciclo. Nós morremos, viramos adubo, crescem plantas, plantas viram frutos, comemos o fruto, etc… Nós olhamos uma floresta e vemos um reciclar contínuo. Quem olha os eventos particulares vê nascimento e morte. Em uma floresta há muita morte acontecendo, certo? Troncos apodrecendo, animais que nascem e morrem. No entanto, nós olhamos a floresta e vemos sua beleza. Da mesma forma a vida humana, nós vemos os inícios e fins. Por não observarmos a continuidade das coisas, vemos tudo começando e terminando, e tudo tão sofrido, logo, achamos que a vida não vale a pena. Perdemos, de fato, a visão do todo.

Seria como uma pessoa na floresta chorando a folha que cai, ou outra na beira da praia chorando as ondas que quebram. A beleza nada tem a ver como começos e fins, a beleza da vida está na continuidade. Então o vazio de um eu é forma, as formas são todas manifestações da vacuidade. A vacuidade é ausente de um eu, logo, não há eu em coisa alguma. Só existe o vazio, que é belíssimo, pois é o próprio céu azul. Despertar é trocar nossos olhos e colocar os olhos de Buda. Aqueles que colocam os olhos de Buda, vêem o nirvana, que é aqui. A diferença não está no mundo e sim nos olhos.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Coração e mente


Saikawa Roshi, um grande mestre.

Uma vez, aqui mesmo neste local, uma senhora passou e nos viu fazendo zazen, depois comentou com uma praticante: “Como vocês podem ficar o dia inteiro com a cara enfiada na parede? Que monótono”. Somente nós que ficamos o dia inteiro com a cara enfiada na parede e percebemos a quantidade de coisas que emergem e se mexem em nossa mente, sabemos que ficar ali não é monótono. Há muita coisa acontecendo dentro daquelas pessoas sentadas quietas com a cara enfiada na parede. Vocês sabem que dentro de vocês há infinitas coisas acontecendo, há muito assunto para resolver.

Um algumas  escolas existe um retiro onde o praticante é colocado dentro de uma caverna e pratica meditação o dia inteiro, recebe refeições diárias e isso acontece durante três anos. No Zen também existem histórias de retiros assim, Bodhidharma ficou nove anos em uma caverna. Precisa de tempo para aprender algo sobre si mesmo. Nossos retiros são de tempo insuficiente para depurarmos nossa mente. Mas o sesshin é mais uma preparação, no zazen nós preparamos o terreno e é mais provável que lá fora, após o retiro, vocês possam ter um insight, é esse tipo de experiência que estamos procurando, experiências não expressáveis com palavras, mas uma percepção de que algo mudou.

A paisagem é a mesma, mas a maneira de percebê-la é diferente. Antes você olhava para uma montanha e apenas a via, depois você será capaz de ouvi-la. Se você for capaz de ouvi-la, conseguiu algo inenarrável. É por isso que as pessoas sofrem nos retiros, mas estão sempre retornando. Alguma coisa aconteceu.

PERGUNTAS

1) Como funciona essa relação coração e mente? Se o coração é a casa do sentimento como é possível acessar isso?

Monge Genshô – Todos os sentimentos também são construídos. Amor, ódio, paixão, tristeza, alegria e felicidade são construções de nossa mente. Coração e mente são uma só coisa, em japonês elas têm o mesmo radical “shin” formando o “kanji”. Há uma famosa frase “ISHIN DEN SHIN”, que significa “de mente para mente” ou “de coração para coração”, nesse sentido mente e coração são indistinguíveis.

O que temos que perceber, e que às vezes é muito difícil, é o quanto de construção tem em cada coisa. Pensem no seu primeiro amor, quando você olhou para uma pessoa e se apaixonou, imediatamente projetou uma série de sonhos e ideais. Tudo que você construiu a seguir foi pensando nisso. Há muita fantasia e construção nisso, mas conforme o tempo vai passando vamos percebendo que as coisas não são exatamente como foram construídas. A relação será mais bem sucedida se não forem acalentadas demasiadas ilusões e principalmente se você vir que a outra pessoa é apenas um ser humano. Com o professor do Dharma é a mesma coisa, muitos o colocam como um ser superior e infalível o que é um tremendo engano. Por um lado devemos ter grande reverência pelo manto de Buda, mas por outro lado não devemos criar um culto à personalidade. Nós gostaríamos que os sentimentos fossem surgimentos maravilhosos, mas eles são construídos e coração e mente são uma coisa só.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Cortar a raiz do sofrimento



Saikawa Roshi continua:  "Está escrito no Sutra do Coração que por ver a vacuidade você liberta a si mesmo, mas isso é apenas a metade. Para usarmos uma metáfora, a vacuidade é como um espelho e um espelho está sempre vazio, mas ao mesmo tempo, todo o mundo está dentro dele. Para o caminho Budista ter nada é ter tudo, essa é a verdade sobre nós mesmos. Se vocês realmente entenderem isso indo profundamente dentro de vocês mesmos, poderão ir além, uma vez que ganho e perda, vida e morte não representarão nada, pois vocês serão um com o universo. Não haverá divisão entre eu e os outros, entre sujeito e objeto. Se vocês realmente virem isso, poderão apreciar suas vidas. Digo até que poderão apreciar seus sofrimentos, pois a raiz do sofrimento pode ser cortada e cortar a raiz é importante, pois só assim poderão aceitar todas as coisas, inclusive a morte. Morte e vida, ganho e perda, eu e os outros são apenas uma idéia dentro da mente e o verdadeiro “eu”, está além desses conceitos em nossas mentes.

Muitas pessoas me perguntam se Budismo é compaixão. Posso dizer que isso seja verdade, mas só se vocês virem que não há divisão entre vocês e os outros, só assim poderão cuidar dos outros como cuidariam de vocês mesmos. Sem essa verdadeira experiência, a compaixão será apenas um entendimento intelectual, mas o Zen não é uma compreensão mental e sim é ter uma verdadeira experiência. Para alcançar esse entendimento usamos o zazen e através dele poderemos ter a verdadeira apreciação da vida. Quer vocês entendam ou não, poderão sentir a base da unidade."

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Ido até a outra margem



Todos os Budas, dos três mundos, devido à sabedoria completa, obtém a Correção:  "anuttara-samyak-sambodhi" que quer dizer “a iluminação completa, perfeita e universal”. Nessa situação desapareceram todos os ventos das paixões e entrou-se no Nirvana ou atravessou-se o rio e chegou-se à outra margem, a margem da sabedoria.

"Saiba que a sabedoria completa, expressão de grande divindade, grande claridade, expressão insuperável, inigualável, com capacidade de remover todo o sofrimento. Isso determina, invoque e repita: GATE GATE, PARAGATE, PARASAMGATE (em japonês GYATE GYATE HARA GYATE HARA SO GYATE BODHI SOWA KA)" e repete-se o nome do sutra – sutra da sabedoria completa.

GYATE GYATE HARA GYATE HARA SO GYATE BODHI SOWA KA – o que ele quer dizer? Chegados ou idos, todos juntos, para a outra margem, à iluminação, salve. É isso que quer dizer. É por causa disso que no meu livro, dei o nome ao personagem de “IDO”. Quem conheceu o mantra, e souber o significado do mantra, pode chegar à outra margem.

Este é o Sutra do Coração. Mas a essência mesmo é: vazio é forma, forma é vazio. Se você conseguir entender isso, resolveu o verdadeiro KOAN que é o sutra do coração.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Ver o vazio dos agregados elimina o sofrimento



Quando o Boddhisattva vê claramente o vazio dos agregados, livra-se de todo o sofrimento, ele ainda sabe como é a dor do outro. Assim como você, que vê uma pessoa  tendo um pesadelo. Ele sofre, geme, sua, você vai lá, sacode o ombro, acorda, ele leva um susto, acorda de um sonho. Ele livrou-se de um sofrimento. Mas aquele sofrimento era real. O sofrimento mesmo imaginário, é real. Os sofrimentos de todos os seres do mundo são reais embora todos eles sejam sonhos. E não adianta dizer que vai passar. Tem que trazer a pessoa para a realidade, para que ela possa acordar do sonho, que é a única solução definitiva.

Por isso às vezes o que a gente diz é muito duro. Há que trazer a pessoa para a racionalidade, mas às vezes não há como retirar o sofrimento. O sofrimento vai continuar lá porque o sofrimento é emoção e não é racionalidade.

“Sharishi” é uma forma abreviada, carinhosa, de chamar Shariputra.

Shariputra era um dos principais discípulos de Buda e famoso por sua sabedoria. Ele era mais velho que Buda e morreu antes de Buda. Shariputra já era mestre espiritual e tinha muitos discípulos. Ele ouviu Buda, se sentiu um ignorante, tornando-se discípulo de Buda e todos os seus alunos foram junto com ele.

Isso aconteceu várias vezes na vida de Buda. Eram grupos inteiros de pessoas para acompanha-lo. Mestres com seus discípulos. Este é o caso de Sharishi-Shariputra.

Aí o Sutra do Coração da Sabedoria diz: “Forma não é mais que vazio, vazio não é mais do que forma”. Saikawa Roshi diz que meditou 4 anos apenas nesta frase, para resolver isso, quando voltou da Tailândia onde por anos fora monge Theravada. Então, não é tão fácil de resolver, de sentir profundamente este conceito.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O budismo tem uma porta de saída



O Sutra do Coração da Sabedoria começa com “Maka Hannya Haramita Shingyo”.
“MAKA” é grande e “SHIN” é coração, ou mente. Shin quer dizer as duas coisas, coração ou mente.
Na realidade, o significado de coração, não é bem coração, mas sim essência.
E nesse sentido queremos dizer não o “O Sutra do Coração”, mas “Sutra da Essência dos Sutras Prajna Paramita”.
PRAJNA é “sabedoria”.
PARAMITA é “a outra margem”.
“Sabedoria da outra margem”.
Existe uma coleção de Sutras chamada “Os Sutras Prajna Paramita”. São mais ou menos 600 volumes.
O Sutra do Coração da Sabedoria é um resumo da essência de toda a coleção dos sutras Prajna Paramitas, que não estão traduzidos. Mas eles são uma colação importantíssima de ensinamentos, de estudo do inicio do movimento Mahayana.
A idéia de Paramita - a outra margem, é que existe um rio, o rio da ignorância, nós estamos numa margem e tomamos um veículo pra atravessar o rio e chegar na outra margem que é a margem da sabedoria.
Então são sutras da outra margem, a margem da sabedoria, pra quem atravessa esse rio da ignorância.
É por isso que aquilo que se usa pra atravessar o rio chama-se “yanas”, que são veículos. “Mahayana o grande veículo”, “Hinayana o pequeno veiculo”, “Vajrayana, o veículo do raio”, etc. Yana é portanto o veículo para atravessar o rio e chegar na outra margem.
Quando você atravessa o rio de uma margem a outra, na outra margem você não sai carregando o veículo.
Este é o significado do TÍTULO do sutra, portanto, para entendermos.

O que Buda explicou é: se você atravessa o rio com um veículo, não tem sentido sair carregando o barco nas costas depois que chegou do outro lado. Por isso os veículos existem pra ser abandonados, o Budismo inclusive. Não são coisas pra serem carregadas pra sempre. O Budismo tem uma porta de saída. A imagem do Bodhisattva é: “ele chegou até outra margem”. Aí ele olha e vê todo mundo na margem de cá. Aí ele se apieda, se compadece, e volta pra cá pra carregar pessoas através do treino da mente.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Quem chora as ondas que morrem na praia?



Pergunta – O significa a cerimônia que a gente fez hoje?

Monge Genshô – As cerimônias são meios hábeis. Se for de nosso desejo podemos inventar um cerimônia. Mas nesse caso especifico, esses textos têm por volta de dois mil anos, não são de nenhuma língua falada atualmente, mas tem significado. O primeiro, Maka Hannya Shingyo, significa Sutra do Coração da Sabedoria, sua frase principal é “Vazio é forma, forma é vazio, vazio nada mais é do que forma, forma nada mais é do que vazio”. Após isso ele começa uma espécie de desconstrução, não existe sensação, não existe percepção, não existe concepção, não existem formações mentais e consciência. Vendo então o vazio de todos os agregados o Bodisatva desperta e livra-se de toda a agonia e sofrimento. Esse vazio não significa que não há nada, não é niilismo, não se trata de uma declaração de que tudo é nada. É simplesmente a declaração de que todas as coisas são vazias de um “eu”, nenhuma coisa tem um “eu” inerente, um “eu” próprio, nenhuma coisa existe por si mesma, isso que eu quis dizer quando falei que o guardanapo não possui um “eu”, ele é só um agregado de coisas, tudo é assim, a xícara em sua mão é também assim, alias ela só surge como xícara porque você a olha e a vê como xícara, então, tudo é coemergente com o observador, o universo também é coemergente com o observador. Se você conseguisse trocar seus olhos pelos olhos de Buda veria tudo completamente diferente. Há uma analogia que sempre uso e que penso ser muito apropriada, é das ondas do mar, as ondas são formas surgindo sobre o mar, cada onda parece ter um individualidade, mas não passa de energia na água, não é a água que se move, é a energia que dá forma as ondas e na areia as ondas quebram e morrem. Mas não vemos ninguém na areia lamentando a morte das ondas, não existe tristeza por ver as ondas quebrarem na praia. As pessoas olham para o mar e dizem, Que lindo! Por quê? Porque vêem o mar.

As vidas dos seres são como as ondas, mas mergulhados em nossos sonhos não enxergamos a vida, enxergamos as ondas, então, se um amigo morre, choramos sua morte. Por que não enxergamos o mar, enxergamos a onda. Parcialmente sabemos, quando olhamos o mar temos os olhos de Buda e o vemos como mar, não nos importamos com a morte das ondas na areia. Quando olhamos uma floresta não choramos pelos troncos apodrecidos e pelas folhas que caem, até achamos bonito as folhas amarelas no outono caindo, mas todas estão morrendo. Para os olhos de Buda as vidas e mortes da humanidade são lindas, porque é um olhar desperto sobre o que é a vida. O nosso olhar sobre a vida dos homens, seus nascimentos e mortes é tão enganado como o olhar de alguém que chorasse cada folha que cai e não percebesse que na primavera todas as folhas nascem novamente verdes e lindas. Não há problema, todas as folhas que caem viram húmus e é assim que as florestas se formam e sobrevivem.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Coração e razão




Aluno – Por isso que eu penso que quando a gente vai tomar uma decisão, tem que estar muito seguro, muito certo sobre o que vai decidir.

Monge Genshô - E como estar certo? Você não sabe. Você só sabe depois. E mesmo assim, é um saber suposto, porque você não sabe realmente como seria se você não tivesse tomado a decisão. Temos uns amigos que estão tentando migrar para a Austrália, estamos observando o que pode acontecer; talvez eles consigam. A grande diferença será para seus filhos pequenos, eles sofrerão, não é fácil fazer isso. Nossos antepassados fizeram; gente muito corajosa.

Aluno – Mas fizeram por causa da situação...

Monge Genshô – Sim, a situação  estava insuportável. Eu conheci um monge Zen que era dentista no Brasil e foi para o Japão, depois de dez anos voltou ao Brasil e tentou se estabelecer novamente no país. Ele disse que quando era monge no Japão não precisava pensar em nada, porque a instituição estava toda organizada, não precisava se preocupar com a conta da luz, da água, com nada. No Brasil, tinha que arrumar dinheiro para morar, comer, pagar água, luz. “Não agüento mais, como vou viver no Brasil?” perguntou-se ele. O resultado é que retornou ao Japão. Era impossível para ele viver no Brasil, ele havia se tornado monge da instituição. Aqui é diferente, pois somos monges que temos que trabalhar, é muito mais difícil ser monge, nessa situação. Talvez em algumas décadas seja diferente, talvez tenhamos nossa instituição, o monastério. Talvez haja, no futuro, a possibilidade de morar no monastério, de só realizar algumas tarefas, como, por exemplo, quem for morar no templo irá trabalhar na cozinha. 

Pergunta – Existe um ditado que diz que o coração tem razões que a própria razão desconhece. Isso significa que a razão é mais forte do que o coração? Ou às vezes isso é invertido?

Monge Gesnhô – Observando seres humanos ao longo da vida, tenho constatado que o coração é mais forte que a razão. É raro que a razão esteja acima.
A essência do que estamos falando talvez seja, “nós temos a capacidade de mudar nosso carma?” Temos, mas não é fácil, precisa haver grande empenho e esforço. Ocorre, ao se tomar uma decisão, do carma mudar muito. Quando aceitei ser monge, isso mudou muito minha vida. Não mudou inteiramente, mas mudou um aspecto: me deu um ideal. Se não fosse isso, eu estaria simplesmente trabalhando e tentando ganhar dinheiro. Talvez sentisse que a vida fosse vazia, porque a gente precisa ter ideais para sentir a vida mais plena.

 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Senhor de sua mente



Por isso Buda disse que o caminho budista é ser senhor de sua mente. Somente sendo senhores de nossas mentes seremos capazes de evitar sofrimento aos outros e a nós mesmos. Através do descontrole de nossa mente é que começamos a sofrer, porque temos sentimentos que nos perturbam e esses sentimentos é que têm que ser transformados. Mas não basta policiá-los, pois o simples ato de controlar pode falhar, e então, fracassamos. O que temos que mudar é o sentimento real, visto que, ao proceder assim, palavras e gestos serão automaticamente alterados. Mas isso tudo é extremamente difícil, então, para tentar transformar nossa mente através de um esvaziamento dos condicionamentos de que ela está plena, fazemos zazen.

Zazen (meditação zen budista) é a técnica cuja prática permite que nossa mente se transforme. Mas, na trajetória de nossa vida diária, a cada pequeno ato de pensamentos, gestos ou palavras, nós podemos nos questionar: “por que eu falei assim?”, ou, “por que eu disse isso?”, “por que agi dessa forma?”, “por que pensei assim?”, “de onde vem esse sentimento?”, “o que ele é?” Isto é a prática budista. Quando dizemos que somos praticantes, deveríamos dizer que somos praticantes para nos tornarmos senhores de nossas mentes, para não deixar que a mente corra livre e desembestadamente, sentimento após sentimento.   Não devemos seguir os sentimentos tais como eles surgem, porque eles não são bons conselheiros. Os sentimentos são paixões e as paixões nos conduzem de forma desordenada. Na realidade, ser senhor de sua mente significa ser senhor de seu coração.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O coração do sutra



Hannya Shingyo quer dizer o coração do sutra. Quando nós dizemos Sutra do Coração está errado, não é escritura do coração, na realidade o que chamamos de sutra do coração é o coração do sutra. O Prajna Paramita é uma coleção de quarenta sutras que explica a sabedoria, como o sutra do diamante, por exemplo. E o conceito de bodisatva é expresso magnificamente num texto curto que é o Hannya Shingyo que é o coração desses sutras,  a essência desses sutras. Como é a essência, o coração do Sutra Prajna Paramita. Maka Hannya Shingyo.(Comentário de Monge Genshô)

Pergunta: por favor, de que ano e de onde é o sutra?
Resposta: Deve ser do século II, início da era cristã, na Índia. Os sutras Prajna Paramita foram escritos em sânscrito o que já é uma coisa interessante, porque as primeiras escrituras estão expressas em páli e Buda provavelmente falou o dialeto maghada da língua páli, o Cannon inicial foi escrito em páli, a linguagem normal da época. O páli que é uma palatização da língua anterior, uma pronúncia muitas vezes sem r, em páli sutra é sutta, dharma é dama, então o páli já é uma palatização ou seja a língua torna-se mais suave. Uma coisa que vem acontecendo com o português por exemplo, nós dizemos fato mas há 100 anos em português era facto, era conectivo e hoje nós dizemos fato, conetivo. Então, o português vem sofrendo palatização e o páli a mesma coisa em relação ao sânscrito que era a língua mais antiga, a língua mãe. Os  Sutras Prajna Paramita,  foram escritos em sânscrito porque os budistas tinham se tornado eruditos, tinham universidade etc então a língua mais própria, para escrever era a língua mais nobre, a mais antiga, a língua culta. Então a gente pode bem ver qual é a origem, como o sutra foi escrito? Se foi escrito em páli é uma coisa, se é um  sutra escrito em sânscrito, é outra, há ainda sutras escritos  em chinês e transcritos para o sânscrito para parecerem mais antigos.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Palestra em Brasília dia 17 de maio


Palestra gratuita:
"Aspectos da tradução do Sânscrito e Pali  para as línguas ocidentais e os mal entendidos decorrentes na compreensão do pensamento budista"

Sutra do Coração da Sabedoria em Sânscrito.

> Dia 17 de maio às 19h (AUDITÓRIO JOAQUIM NABUCO - FACULDADE DE DIREITO - UnB)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Viver como leigo ou como monge?


Temos uns amigos que estão tentando migrar para a Austrália, estamos observando o que pode acontecer; talvez eles consigam. A grande diferença será para seus filhos pequenos, eles sofrerão, não é fácil fazer isso. Nossos antepassados fizeram; gente muito corajosa.

Aluno – Mas fizeram por causa da situação...

Monge Gensho – Sim, a situação era horrível, estava insuportável. Eu conheci um monge Zen que era dentista no Brasil e foi para o Japão, depois de dez anos voltou ao Brasil e tentou se estabelecer novamente no país. Ele disse que quando era monge no Japão não precisava pensar em nada, porque a instituição estava toda organizada, não precisava se preocupar com a conta da luz, da água, com nada. No Brasil, tinha que arrumar dinheiro para morar, comer, pagar água, luz. “Não agüento mais, como vou viver no Brasil?” perguntou-se ele. O resultado é que retornou ao Japão. Era impossível para ele viver no Brasil, ele havia se tornado monge na instituição. Aqui é diferente, pois somos monges que temos que trabalhar, é muito mais difícil ser monge agora, nessa situação. Talvez em algumas décadas seja diferente, talvez tenhamos nossa instituição, o monastério. Talvez haja, no futuro, a possibilidade de morar no monastério, de só realizar algumas tarefas, como, por exemplo, quem for morar no templo irá trabalhar na cozinha. A pessoa terá onde comer e dormir, não será rico, mas também não será pobre; nem irá pensar nesse assunto.

A essência do que estamos falando talvez seja, “nós temos a capacidade de mudar nosso carma?” Temos, mas não é fácil, precisa haver grande empenho e esforço. Ocorre, ao se tomar uma decisão, do carma mudar muito. Quando aceitei ser monge, isso mudou muito minha vida. Não mudou inteiramente, mas mudou um aspecto: me deu um ideal. Se não fosse isso, eu estaria simplesmente trabalhando e tentando ganhar dinheiro. Talvez sentisse que a vida fosse vazia, porque a gente precisa ter ideais para sentir a vida mais plena.

Pergunta – Existe um ditado que diz que o coração tem razões que a própria razão desconhece. Isso significa que a razão é mais forte do que o coração? Ou às vezes isso é invertido?

Monge Gesnho – Observando seres humanos ao longo da vida, tenho constatado que o coração é mais forte que a razão. É raro que a razão esteja acima.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Quem tem razão


Pergunta – Razão e emoção formam uma dualidade?

Monge Gesnho – Acho que devemos questionar a razão também. Aquilo que chamamos de “razão”, muitas vezes é governado por um sistema de crenças. Nós acreditamos que algo seja pior, ou melhor. Como temos um sistema de crenças, damos a ele razão. Mas podemos estar enganados.

Pergunta – Qual a conduta a seguir?

Monge Gensho – Muitas vezes também me pergunto isso. Seguidamente me questiono sobre o que fazer, sobre qual seria a melhor conduta em certa situação. Quando temos filhos ou netos, é comum nos indagarmos: “e agora, qual seria a melhor maneira de agir, o que dizer?” Muitas vezes não estamos tão certos. Mais tarde, anos depois, o filho nos diz: “tu deverias ter sido mais duro comigo”. E pensávamos estar sendo duros demais. É muito freqüente que um filho adolescente nos acuse de sermos muito severos e que anos mais tarde ele mesmo diga que deveríamos ter sido mais duros. É muito difícil saber o que fazer ou o que dizer. O melhor é cultivarmos uma mente mais livre, descondicionada, que realmente nos permita dizer “não sei.” São muito perigosas as pessoas que têm certezas e que sabem muito nitidamente o que é melhor. Às vezes, existe nas famílias aquela pessoa que tem razão e que quer impor sua vontade sobre a família inteira. Ela se considera sempre certa, tem seu conjunto de crenças, e quer, por força, que todos as aceitem. No fim, isso pode ser muito ruim. Como é que se sabe o que é melhor? Como você pode impor aos outros o que pensa ser o melhor? Você não sabe. Temos muitos exemplos de pessoas que se tornaram grandes em alguma coisa contra o que seus pais tinham se oposto acirradamente. Há pouco tempo, li na autobiografia de Elias Canetti que sua mãe lutou denodadamente para que ele tivesse uma profissão, que estudasse algo que fosse realmente útil, para que não ficasse em fantasias de literatura. Ele então se graduou, fez mestrado e doutorado em química, para obedecer a sua mãe. Elias Canetti foi prêmio Nobel de literatura; nunca foi químico. Mas sua mãe tinha absoluta certeza de que sabia o que era bom para seu filho e morreu em conflito com ele, de certa forma. Como podemos saber o que é realmente bom, o que é certo? Voltando à questão relativa a coração e razão, podemos dizer que o que pensamos ser a razão, pode estar errado. Uma mente aberta seria, portanto, mais conveniente.

domingo, 24 de agosto de 2008

Mente/Coração



Workshop com Prof. Ricardo Sasaki (Dhanapala) Título: "O que o Buddha tem a nos ensinar sobre a Mente/Coração" Tema: Dhammapada – (capítulo 3) Ministrante: Ricardo Sasaki (Dhanapala) Curso ministrado durante os dias 19 e 20 de agosto de 2008 em Florianópolis.