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sexta-feira, 11 de março de 2016

Só quem pode atender nossos pedidos somos nós mesmos

Palestra em Sesshin de Goiânia [novembro de 2015 - parte 3]
No cristianismo, Cristo não era representado no crucifixo no seu primeiro tempo; nas catacumbas romanas, o símbolo do Cristianismo era um peixe, e não alguém crucificado. E no início do budismo, nunca se representava Buda, ou você tinha uma árvore porque ele havia se iluminado embaixo de uma árvore uma ficus religiosa, ou ele era representado com as marcas de pegadas, como "passou por aqui". Assim pegava-se a placa de cerâmica e colocava-se  a impressão de um pé e se escrevia nele, e essa era a primeira representação de Buda, só marcas de pegadas. Lá pelo ano 308 a.C., Alexandre o Grande, filho de Felipe da Macedônia, invade o norte da Índia, na região do Afeganistão, que era budista, profundamente budista, e os gregos levam a sua cultura até lá e levam sua estatuária. E é a estatuária grega que origina as estátuas de Buda.

No início, Buda era apresentado com feições gregas, nariz grego e roupas gregas. Se vocês entrarem no Google, pesquisem lá “Buda de Gandhara”; nesse primeiro período destacado essa região Gandhara abrangia Afeganistão e parte do norte da Índia. Vocês vão ver Buda com bigode, barbas, nariz grego, roupas gregas, então o surgimento da estatuária no budismo é originário da interação com a cultura grega. Hoje nós temos estátuas de Buda e vamos lá e fazemos reverências para a estátua de Buda, mas para um budista realmente, se você reverenciar a estátua você é um herege, porque isso não tem nada a ver com o budismo. Nós reverenciamos a estátua, fazemos reverência para estátua de Buda porque ela representa um ideal, então é o ideal interno nosso, a nossa possibilidade de despertar, de sermos Budas. Essa possibilidade é que merece a nossa reverência, não a estátua, a estátua é de madeira, gesso, pedra, qualquer coisa assim, bronze, mas não é ela, a estátua um objeto sagrado, é diferente, nós que tornamos sagrado aquilo que reverenciamos, não é o contrário, não é ela que é sagrada, que tem poder milagroso ou qualquer coisa assim. Já contei para vocês a história da senhora que numa festa de Hanamatsuri - na qual se derrama chá doce sobre a estátua de Buda, para lembrar quando ele nasceu. A lenda diz que caiu uma chuva doce. Bobagem, não havia tanto açúcar assim (risos). Colocamos chá doce em cima da estátua de Buda, e a senhora chegou e perguntou: eu posso fazer um pedido? – Sim pode, senhora – eu disse. E ela perguntou: E ele atende? - Não senhora... só quem pode resolver nossos problemas somos nós mesmos...

 Só quem pode mudar nossas vidas, somos nós mesmos. Buda não pode mudar nossas vidas. Se ele pudesse, sendo um ser de compaixão, ninguém precisaria pedir nada, ele já providenciaria.(continua)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Abade Daiju Bitti doa estátua histórica para o Daissen Ji



Idaten é a deidade que se coloca na cozinha dos mosteiros zen, esta figura ideal representa a vontade de conseguir alimento para os futuros Budas que estão em treinamento.  Assim diz-se que ele corre por toda a terra em busca dos ingredientes necessários. Também onde há um problema lá ele está para ajudar a resolver. Nos monastérios chineses ocupa uma assento no vestíbulo dos guardiões, no Japão está no altar da cozinha e para ele todas as manhãs se recita um sutra e se oferece incenso. 

No último dia do Nambei Sesshin 2014 ( Retiro de treinamento de monges) o abade Daiju Bitti do Mosteiro do Morro da Vargem http://www.mosteirozen.com.br/  Enkoji, um homem que há quarenta anos constrói um monastério, parte dele edificado com o produto de sua mendigação nas ruas japonesas, me olhou do outro lado da mesa e perguntou se tínhamos, em Florianópolis, a estátua de Idaten, disse que não, que usávamos uma imagem de Buda na cozinha, ele levantou-se e trouxe a estátua que depois de estar no Japão foi dedicada por Iko Roshi para Enkoji, havendo ficado 15 anos no altar da cozinha onde conversávamos. Preciosamente entalhada em madeira esta obra de arte já recebeu milhares e milhares de reverências. Entregou-a a nós e embrulhou cuidadosamente em tecido para a viagem. Fiquei emocionado e todos em volta perceberam quanto aquele momento selava nossa amizade e confiança no crescimento do Dharma de Buda. Jikihô San fez uma foto desta doação memorável.




sexta-feira, 19 de setembro de 2014

SIGNOS, SÍMBOLOS, SONHOS E ARQUÉTIPOS



(Palestra de Monge Genshô decupada da gravação por Chudô San, ministrada na Sangha de Florianópolis em 2013)

Signos nós vemos a toda hora. Quando vemos na porta de um toalete uma figura de um homem ou uma mulher, isso é um signo e representa menos do que mostra. O que para nós importa são os símbolos. Quando vamos ao altar e vemos uma estátua de Buda, uma vela, um incenso ou uma flor, estes são símbolos e representam muito mais do que estão mostrando, ou seja, têm uma quantidade enorme de significados e muitos deles incompreensíveis para nossa mente racional. Eles falam ao nosso inconsciente. Uma antiga praticante me escreveu dizendo o quanto se sentia desconfortável com as exteriorizações da prática. É comum escutarmos pessoas dizendo que não gostam de rituais.

Eu mesmo já tive esse tipo de pensamento por um período bem longo até aprender que os símbolos não nos falam somente sobre o que eles representam. Uma estátua de Buda não é tão somente um pedaço de gesso ou madeira em forma de um homem sentado. Aquela figura ali representada significa que alguém conseguiu despertar e que você, assim como ele, pode despertar. Representa mais que um homem, representa todo o Dharma, todos os Budas, todos que se esforçaram e que através do caminho do meio também despertaram.

Uma vela é mais que algo feito de cera ou parafina usado para iluminar, ela representa luz e sabedoria. Significa ver com nitidez, ter clareza e representa os olhos de Buda. Quando você observa sua sombra, pode ter noção de quão intensa é a luz atrás de você pela nitidez de sua sombra.

As flores não servem apenas para enfeitar o altar, elas estão lá como símbolo da impermanência e da evanescência, de tudo que hoje é belo e amanhã evanesce, de que tudo o que é jovem, murcha, cai e finalmente morre. Os símbolos são muito mais do que aparentam. Nós devemos fazer reverências mesmo para símbolos de outras escolas ou tradições religiosas. Eu falei que símbolos falam ao nosso inconsciente, e a linguagem de nosso inconsciente é simbólica, por isso sonhamos muitas vezes com símbolos.

As mesmas pessoas que dizem não gostar de rituais, se sentem ofendidas quando não lhes damos bom dia ou não apertamos sua mão quando estendida em cumprimento. Essas pessoas não entendem o significado do gesto. Não entendem que estender a mão em cumprimento significa não estar armado sendo, portanto, um gesto de paz, um símbolo que carrega dentro dele uma carga de comunicação que é arquetípica e não necessita de explicações, mas mesmo que haja qualquer tipo de explicação, esta também não corresponderá ao que verdadeiramente o símbolo representa, isso precisa ser sentido.

Os homens herdam de seus antepassados, múltiplos órgãos. Nós achamos perfeitamente natural que nossos corpos ajam de determinada maneira e nunca questionamos sua herança genética, a herança de milhões de anos que vem junto com nossos órgãos. Porque pensamos que nossas mentes são novas e não trazem traços de antepassados? Nossas mentes não são novas e por isso as pessoas têm sonhos parecidos. Quantos de vocês já sonharam que estão voando, ou então que estão nus numa reunião social, onde ninguém além de você parece notar? São sonhos comuns a muitas pessoas, não importa a cultura que ela viva. Isso significa que carregamos dentro de nós, em nossas consciências, uma herança do passado, elas também não são novas, assim como nossos corpos.

O DNA de nossas células é muito antigo. Há alguns anos eu estava fazendo um zazen de vinte e quatro horas, que funciona da seguinte maneira; você fica sentado até não aguentar mais, levanta faz um pouco de kinhin e volta a sentar. À noite o cansaço é tanto que quinze minutos sentado é o suficiente para adormecer e em razão disso você tem que levantar. O cansaço é de tal forma grande que num piscar de olhos você está sonhando. Isso é muito interessante, pois na prática da meditação descobrimos que é possível acessar o inconsciente. Podemos acessá-lo de maneira tão significativa que até podemos fazer perguntas. Nesse zazen de vinte e quatro horas, no exato momento em que adormeci, perguntei: “Quem sou eu”? Imediatamente apareceu a imagem de um casaco que escorregava lentamente pelos galhos de uma árvore. Ele parecia ter alguém dentro dele, porém nada aparecia nas mangas ou gola. Estava vazio. Eu abri os olhos e entendi perfeitamente o sonho e se vocês pensarem a respeito, poderão entender também, pois a resposta serve para todos.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O dente de Buda


Quadro de Eduardo Salinas

Pergunta – Eu achei curioso quando caminhávamos pelo mosteiro e fizeram reverência à estátua de Nossa Senhora, porquê?

Monge Genshô – Penso que Nossa Senhora de Fátima é uma imagem da compaixão, aí faço a reverência para a imagem da compaixão. Na realidade, o arquétipo é o mesmo de Kanon Bodhisattva, uma figura feminina, amorosa, e compassiva, é só isso. Então fazemos reverências para todas as estátuas, de todas as religiões, e isso acaba dando em coisa muito boa.

Essa construção deste mosteiro é obra do espírito humano, a estátua também é obra do espírito humano. Na realidade é gesso, madeira, pedra, a estátua não é nada. Nós nos inclinamos perante ideias, é a mesma coisa com Buda. Nós não reverenciamos Buda, pois mais morto do que Buda está, é difícil. Reverenciamos a ideia de ser possível acordar, por causa do grande Mestre que ele foi, isso é uma ideia maravilhosa.

Há uma historia famosa no Zen, em que um Monge chega num eremitério numa montanha e estava muito frio, e tem uma estátua de Buda de madeira, ele parte a estátua, faz uma fogueira e dorme bem quentinho durante a noite. De manha chegam dois Monges e fazem um escândalo: “Mas como, você queimou o Buda”?

Existe uma lenda de que quando alguém, um grande homem como Buda é cremado, aparecem pequenas joias, que se chamam “sariras”, então o Monge remexe as cinzas e diz: “É mesmo! E onde estão as sariras”? É como se a gente perguntasse: “Queimei, onde estão os ossos?” Porque é madeira. Isso revela um dedo que o Zen está sempre apontando à iconoclastia. Não transforme as coisas em outras.

Tem uma historia Tibetana também, de uma senhora velha que ia morrer e o filho ia fazer uma peregrinação pra índia, e ela pediu a ele que lhe trouxesse um dente de Buda. E, claro, ele não tinha como achar um dente de Buda, de modo que quando ele voltou no caminho, pegou um dente de cachorro que pegou na estrada e poliu, deu formato de um dente humano, colocou numa caixinha e levou para a mãe. Ela ficou maravilhada e construiu uma pequena estupa, um relicário, e colocaram lá o dente e as pessoas todas dos vales começaram a fazer peregrinações para reverenciar o dente de “Buda”. E assim, com o tempo, o dente começou a brilhar. 

O espírito da estória é evidente, quem faz o relicário? Quem faz o dente brilhar? É só um dente de cachorro. Mas a reverencia de todos faz o dente brilhar. A estátua de Buda aqui atrás também, é só um material qualquer. Mas nós a reverenciamos, reverenciamos, reverenciamos e ela se torna importante, porque a reverenciamos. É a mesma coisa com todas as coisas que nós fazemos. Rakusu, o manto budista, você não entra com ele no banheiro, tem que dobrar, colocar no altar, o rakusu você costura, trata ele de maneira especial então ele se “torna” um rakusu. Mas, tecnicamente o que é? É só um pedaço de pano. Nós é que o transformamos, como uma forma de prática, porque precisamos de certas coisas assim, e elas fazem diferença.

Imaginem que o Monge se vestisse sempre de abrigo. Seria diferente. Eu sei que é diferente. Quando chego em qualquer cidade, vou fazer uma palestra, você estar vestido de monge faz uma grande diferença. Então você se comporta diferente, as pessoas te olham diferente, ganha um poder. É um poder que às vezes remove sofrimento. A pessoa vem diz que tem certa angústia, você diz alguma coisa para ela que a vizinha poderia ter dito mas  como foi um monge que disse, então funciona. Não podemos perder de vista estes fatos, pois eles são assim mesmo, então os rituais têm sentido, as roupas têm sentido. Embora pareça que algumas pessoas tenham resistência aos rituais por exemplo, na verdade é cegueira.

Uma vez eu estava com um rapaz e ele me disse: “eu detesto rituais”. E eu disse: “não é verdade”. “Por que o senhor diz isso”? “Porque eu entrei aqui na sala e você me estendeu a mão. Se eu tivesse ignorado o ritual de apertar as mãos, você teria se sentido ofendido, então você leva em conta os rituais sim, você acredita neles, tanto que acredita num aperto de mãos, que não é nada mais que um ritual com o qual você se acostumou”.

Então os rituais têm poder, nós seres humanos somos assim, aliás muito ritualistas, muito.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Qual a bengala a que você está agarrado?


Então nós temos por exemplo, o altar budista. O altar budista é diverso do altar de outras religiões? Não. As flores representam a impermanência. A vela representa a luz. A água está ali porque Buda morreu com desidratação, e nós queremos dizer: “se eu estivesse lá eu lhe daria água”. A estátua poderia ser um pedaço de madeira, de pedra, cerâmica, qualquer coisa. É Buda? Claro que não é Buda. Ela só está ali, para me lembrar, que se ele realizou se libertar e era um homem como eu, então eu também posso me libertar. Ele é um exemplo de que eu posso me desfazer das ilusões e parar de me agarrar em crenças e partir para um pensamento mais limpo, sem me agarrar em nada externo.

Então Buda não era um deus, não era um salvador, um profeta e na realidade, eu posso tirar a estátua dele dali. Na verdade, não haviam estátuas de Budas, nos altares, durante os 300 primeiros anos da história do budismo. Ninguém se atrevia a colocar uma estátua de Buda num altar, o que se colocavam eram impressões de pés ou uma árvore, porque ele havia se iluminado embaixo de uma árvore e diziam: “ele passou por aqui”.

As estátuas de Buda só aparecem depois do chamado “Período Gandhara”, e este período aconteceu na região que hoje engloba o Afeganistão. Ela era um reino grego, e como os gregos haviam invadido a Índia e dominaram aquela região, os gregos influenciaram o budismo para que o budismo produzisse estátuas, e as primeiras estátuas de Buda são gregas. Nariz grego, feitio grego, etc. Então, a existência da estatuária budista, é uma influência do ocidente grego sobre o budismo, assim como a existência do estoicismo na filosofia grega  tem uma influência do budismo.

Essa conexão cultural entre o budismo oriental, o oriente e o ocidente normalmente é ignorada, porque nós na faculdade estudamos uma história que isola o oriente, é como se ele não existisse, e toda a história partisse da Grécia e de Roma, é a chamada “História Eurocêntrica”. E ninguém sabe quase nada aqui do que aconteceu na Índia, na China e no Japão, nesses séculos anteriores, quando nós sabemos que a civilização chinesa é mais antiga que a civilização grega, mais antiga que a civilização romana, só não é mais antiga que a civilização egípcia e babilônica.

Então, o que representa o altar para nós? É só um mecanismo de lembrança, porque as pessoas gostam de altares. Nós precisamos realmente de altares? Não, não precisamos de altares. Nós reverenciamos a lembrança do seu ensinamento e a verdade de que nós somos homens como ele, porque ele tem a água na frente dele porque morreu desidratado, mas morreu porquê? Porque comeu em casa de um ferreiro, passou muito mal, teve um enfarto agudo do mesentério, e teve uma diarréia sanguinolenta. Eu sempre pergunto nas minhas primeiras palestras: “vocês já tiveram diarréia?” Então vocês são como Buda! Vocês podem se iluminar.

Essa história passou através dos tempos para nos dizer isso: não era um ser sagrado que subiu aos céus numa nuvem. Era um homem como nós que morreu com diarréia. Essa é a mensagem fundamental do budismo, lógica, dura, na realidade. Às vezes eu estou falando e pessoas se queixam e dizem: “Monge Genshô parece muito cético, muito terrível, ele tira todas as coisas que nós nos agarramos”. Mas essa é a verdadeira tarefa do Mestre ZEN. O Mestre Zen quer dizer: “Qual é a bengala em que você está se apoiando? Qual é a crença, a ilusão em que você está se apoiando? Ah é essa? Estou tirando”.

Aí tirei a bengala, tirei a muleta, tirei o tapete debaixo dos pés e, quando não resta nada, e o homem olha pra baixo e vê que não tem mais chão onde pisar, então chegou um grande momento, porque só aí o homem pode ambicionar sabedoria. Enquanto ele estiver agarrado em crenças, ele não pode ambicionar sabedoria, porque a crença  é o contrário do saber. A crença é aquilo em que eu me agarro sem saber nada. Eu tenho apenas “fé” que é assim. Mas, se eu souber que é assim, se eu tiver a experiência, então eu não preciso de crença.

segunda-feira, 17 de março de 2014

A escolha de uma vida


(continuação)Às vezes alguém vem e me diz que sua vida mudou, o sofrimento diminuiu, está enxergando a vida com mais clareza, e essa pessoa me agradece. Nesse momento eu sinto que minha vida tem significado. Acredito que foi isso que Buda sentiu, sua vida teve significado, mudou a história de países inteiros durante milhares de anos, mudou muitas e muitas vidas. Nós podemos escolher ter vidas medíocres, podemos escolher ter vidas simples, fazer pouco e não se comprometer muito. Quando fazemos votos em uma instituição e costuramos nosso Rakusu, nós criamos a instituição, pois ela não é sagrada, as roupas não são sagradas, os votos não são sagrados, somos nós que os transformamos em sagrados.

A estátua de Buda é de gesso, nós que colocamos flores, oferecemos incenso, acendemos velas, fazemos reverências e transformamos essas idéias em algo maravilhoso, caso contrário, isso não representaria nada. Um manto só é um manto porque o colocamos em lugares elevados, o tratamos com cuidado e olhamos para ele com reverência. Isso é um método, tudo que estamos falando, os ensinamentos, os compromissos, os votos, fazemos para nós mesmos, para mudar a nós mesmos e talvez mudarmos o mundo. Por isso fazemos. Com nossas reverências, transformamos Buda em Buda, somos nós que fazemos esse mundo diferente.

Qual o sentido das cerimônias, das prostrações e dos rituais que fazemos? É um método para criar entre nós uma energia que muda tudo. Acredito que ninguém passa por um sesshin sem ter algum efeito, primeiro porque ele vem procurando algo, segundo porque o sesshin está cheio de regras e rituais detalhadamente elaborados para criar atenção, para limpar a mente, nos mostrar a fotografia de quem realmente somos e talvez nos mostrar nossa covardia. Por que se Buda tivesse dito - “Não, é muito trabalho”, e tivesse ficado em qualquer lugar, talvez perto de seu palácio, perto de sua família, reivindicasse sua herança, afinal de contas seu pai era muito rico, se tivesse feito isso, teria tido uma vida confortável, não teria enfrentado problemas e até rebeliões dentro de sua Sangha e até mesmo tentativas de assassinato, teria sido somente mais um covarde medíocre na história da Índia.

Estamos aqui porque ele não fez isso. Cada um de nós pode fazer uma escolha. “Que tipo de vida eu posso ter? Sigo o fluxo normal, ou tento me mudar e mudar outras vidas, para que o mundo seja mais parecido com aquilo com que idealizo”? Essa foi a lição de Buda, ele foi um Bodhisattva, porque ele se levantou e foi ensinar. Caso contrário, ele seria só um iluminado. Ao se levantar ele manifestou sua compaixão. Por isso quando costuramos nosso Rakusu fazemos os Votos do Bodhisatva.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Todaiji



Monges limpam a gigantesca estátua de Buda de Todaiji em Nara, Japão. Estátuas não representam seres existentes mas ideais, e servem para inspirar as pessoas a imitar aquele exemplo.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Olhando a estátua de Buddha



A esquerda o Prof. Tam Huyen Van (Claudio Miklos) da escola Thien do budismo vietnamita, seguidor de TNH (Thay) e à direita Flavius, responsável pelo templo Nyingma, do budismo tibetano, localizado em Garopaba, próximo à sede do Centro de Yoga da Montanha Encantada. Todos observam encantados a estátua, em argila, em fase final de acabamento, realizada por um artista butanês que reside na cidade.
A visita ocorreu durante a realização da conferência budista do CBB em associação com o centro de yoga, durante o fim de semana passado.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Estátua de Manjusri no Zendô de Florianópolis

"Um dia, o Honrado dos mundos sentou-se na plataforma dos sermões sem dizer palavra. Finalmente, Manjusri bateu o gongo para anunciar o fim do sermão e disse, "É assim que se esclarece a Lei do Rei do Darma". Então, Shakiamuni deixou a plataforma."

Dogen Zenji


Foto Jaqueline.

Manjusri é citado como discípulo de Buddha e também como o Bodisatva da Sabedoria. Tabajara San, monge zen de Ouro Preto, realizou para a Comunidade Zen Budista de Florianópolis esta estátua de Manjusri sobre o leão, que tradicionalmente guarnece o altar dos locais de zazen. Em pedra sabão ela tem meio metro de largura e um efeito magnífico à luz de velas. Tranquilamente sentado sobre o leão raivoso das paixões o modelo de Manjusri é manter a perfeita tranquilidade do zazen.