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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O sexto preceito



6. Eu decido não falar sobre as falhas de outros, mas sim ser compreensivo e solidário.

Este preceito deriva de nossos esforços para construir harmonia social e compreensão mútua. Declarações falsas e maliciosas, por sua própria natureza, são atos de alienação que originam-se de uma percepção ilusória de oposição entre “eu” e “outros”. Geralmente a injúria traz como consequências a dor para os outros, e a fragmentação para a Sangha. Quando surgir a intenção de injuriar, esforçar-se para compreender as raízes deste impulso.


De:   http://monjaisshin.wordpress.com

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Só fale do Dharma onde há respeito


Pergunta – Como é esta questão de não ser avarento com o Dharma?

Monge Genshô – O ensinamento é precioso, é uma sabedoria. Quando você tiver a oportunidade de oferecer uma palavra do Dharma você deve fazê-lo. Se você se nega pensando que não irá adiantar de nada, isso é ser avarento com o Dharma, não ajudar os outros com a sabedoria que obteve. Por outro lado temos que ser cuidadosos, pois também não é aconselhável falar do Dharma em locais ou com pessoas que você sabe que não irão respeitar o ensinamento. E com relação aos bens materiais, desde que você não vá prejudicar a você ou sua família, deve sempre ajudar aqueles que mais necessitam.

Pergunta – Quais são os Três Preceitos Puros?

Monge Genshô – Fazer o bem, evitar o mal e conferir abundantes benefícios a todas as criaturas vivas. Em razão desse foco é que alguns budistas se tornam vegetarianos, porque não desejam colaborar com o sofrimento de criaturas vivas. Os preceitos são orientações e todos se incluem. Se você quiser resumi-los poderá fazer como Jesus Cristo disse: “Amai-vos uns aos outros”. A diferença é que o cristianismo está focado nos outros homens e o budismo em todas as criaturas. A frase de Jesus no budismo ficaria “Amai todas as criaturas como se fosse você mesmo”.

Pergunta – Tem uma parte que fala em não se deixar levar pela raiva, como se faz isso?

Monge Genshô – Normalmente não embarcando no sentimento e na agressão do outro, mas existem momentos em que uma justa ira é necessária, por exemplo, alguém entra aqui e começa a insultar a todos nós. Nesse momento eu irei levantar a voz e ser severo e tentar lhe mostrar sua inconveniência.  Mas não devo me deixar levar por um sentimento de raiva contra a pessoa em si, porque o ato dela é errado, mas a pessoa está sendo arrastada por uma ilusão, eu que não estou entendendo tudo que existe por trás do que está acontecendo com ela. Em geral não sabemos o que se passa com o outro e temos raiva.

Temos um exemplo bom no momento atual do país. Estamos vendo várias manifestações, às vezes com um milhão de pessoas nas ruas, porém, no meio destes há várias pessoas com sentimentos agressivos e de vandalismo. Essas pessoas é como se tivessem vindo do mundo animal, talvez sua primeira vida humana, cheia de ignorância e não compreende que estão fazendo mal a si mesmos e essa obscuridade é tão grande que é como se fosse uma criança inocente.

Mas nossa primeira reação ao ver aqueles atos é de repúdio e raiva. O mesmo pensamento temos contra as pessoas que cometem crimes hediondos contra crianças, é muito difícil não sentirmos raiva nesses momentos. Temos que entender que são criaturas do mundo dos infernos sem qualquer tipo de compaixão. Se fôssemos capazes de entender, teríamos compaixão por essas pessoas, pois o carma resultante desse tipo de crime é muito ruim o que resultará em grande sofrimento, senão nesta vida, nas próximas. Quando vemos crianças sofrerem com doenças terríveis e dolorosas nos perguntamos o porquê disso, a resposta é: carma. Há grande carma para que isso aconteça, mas aquele ser se sente inocente e existem as consequências de atos passados que se você não consertar nessa vida, sofrerá na próxima.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

O compromisso cria bom carma


P: A impressão que tenho é que antes de praticar eu não tinha muitas escolhas, parece que eu era conduzido...

Monge Genshô – Isso é verdadeiro. No brasão de São Paulo tem uma frase em latim, “Non Ducor Duco”, que significa “Não sou conduzido, conduzo”. Isso serve para nós. Temos que passar a conduzir. Isso significa ganhar a liberdade da escolha. Se somos escravos de nossos impulsos, nós só os reforçamos. Temos que criar condições para que eles mudem. Como estava falando para o Monge Tokushi, você “escolhe” ser Monge, então cria um carma que arrasta você, não pode mais fazer certas escolhas, se quiser fazer o que quiser, deixe de ser Monge. Agora que colocou o manto, tem obrigação de ir à Sangha, tem que assumir compromissos, tem que estar nos sesshins. Se falhar em seus compromissos eu o repreenderei, pois ele assumiu o compromisso, não pode falhar.

Essa é a maneira de criar o carma que ele pediu. O leigo que costura seu Rakusu é a mesma coisa, fez os votos, não fez? Então como você fala mal dos outros? Ou observa os defeitos dos outros em vez de olhar os seus próprios? Está lá, o voto diz explicitamente que você deve evitar falar das falhas dos outros, que você se comprometeu a ajudar a Sangha e seu professor nas dificuldades e não procurar erros e comenta-los,  você disse na frente de seu mestre, “eu me comprometo”.

Quando você faz os votos, cria carma, colocar o Rakusu, cria carma. Você pode ignorar, mas você se comprometeu.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Apreciar a quietude



" Apreciar a quietude é o terceiro. Isso significa viver uma vida solitária separado de todas as perturbações mundanas." Essa era a recomendação dele para os monges. Como o postulante pretende ser monge, isso significa para ele toda uma opção. O mestre fica esperando que ele desista, então vai sempre adiando, “primeiro você acaba a faculdade, depois a gente conversa”, e espera uns quatro anos para ver se ele é realmente capaz de viver uma vida separada de todas as perturbações mundanas. Essa prática do sesshin é feita uma vez por mês, durante alguns dias, nos mosteiros Zen, nas outras semanas acontecem meditações pela manhã e a noite e o resto do dia é preenchido com trabalho. Dia sem trabalho não tem comida. O feriado é a semana de sesshin.

"Buda disse, “Praticantes, se vocês desejam desfrutar o silêncio e a felicidade do nirvana, vocês deveriam deixar o clamor para trás viver sem barulho em um local solitário. As pessoas que vivem nos lugares quietos são respeitadas pelos deuses, por isso vocês deveriam abandonar seu eu e aos outros e viverem sozinhos, dessa maneira eliminando a raiz do sofrimento. Aqueles que gostam de multidões são perturbados por elas e sofrerão seus aborrecimentos, da mesma forma que uma árvore seca quebra quando muitos pássaros pousam sobre seus galhos. Laços e apegos mundanos os afundam em um mar de dores, como um velho elefante atolado em um lamaçal. " Assim como no tópico anterior, treinamos a satisfação, no sesshin, recebendo coisa muito simples e tendo que nos satisfazer com elas, tendo que suportar o desconforto de muitas horas de meditação, também ficamos isolados dos outros, por isso nunca é demais insistir sobre o voto de silêncio. Sempre considere antes de falar: - É necessário? Precisava mesmo fazer esse comentário? Temos que treinar falar o necessário e aprender na vida a cortar a fala inútil, que é um dos maiores problemas.

A fala inútil é um dos maiores problemas do treinamento do praticante Zen. Vocês podem observar que o numero de atritos em um sesshin é imensamente menor com o voto de silêncio. Se no sesshin fosse liberado o voto se silêncio, certamente alguém diria algo que ofenderia outras pessoas, ou faria uma observação que desagradaria alguém, ou falaria demais e perturbaria, já é demais tudo que pensamos, quando falamos tudo se potencializa.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Senhor de sua mente



Por isso Buda disse que o caminho budista é ser senhor de sua mente. Somente sendo senhores de nossas mentes seremos capazes de evitar sofrimento aos outros e a nós mesmos. Através do descontrole de nossa mente é que começamos a sofrer, porque temos sentimentos que nos perturbam e esses sentimentos é que têm que ser transformados. Mas não basta policiá-los, pois o simples ato de controlar pode falhar, e então, fracassamos. O que temos que mudar é o sentimento real, visto que, ao proceder assim, palavras e gestos serão automaticamente alterados. Mas isso tudo é extremamente difícil, então, para tentar transformar nossa mente através de um esvaziamento dos condicionamentos de que ela está plena, fazemos zazen.

Zazen (meditação zen budista) é a técnica cuja prática permite que nossa mente se transforme. Mas, na trajetória de nossa vida diária, a cada pequeno ato de pensamentos, gestos ou palavras, nós podemos nos questionar: “por que eu falei assim?”, ou, “por que eu disse isso?”, “por que agi dessa forma?”, “por que pensei assim?”, “de onde vem esse sentimento?”, “o que ele é?” Isto é a prática budista. Quando dizemos que somos praticantes, deveríamos dizer que somos praticantes para nos tornarmos senhores de nossas mentes, para não deixar que a mente corra livre e desembestadamente, sentimento após sentimento.   Não devemos seguir os sentimentos tais como eles surgem, porque eles não são bons conselheiros. Os sentimentos são paixões e as paixões nos conduzem de forma desordenada. Na realidade, ser senhor de sua mente significa ser senhor de seu coração.