Vez por outra alguém pergunta sobre este título, partilhado com o livro assim chamado, argumentando que "onde" pede "em", a resposta é que é proposital, para fazer pensar em um paradoxo tipicamente do zen:
R: Por que não é "No pico da montanha" , ou "Os meus pés estão no pico da montanha"? Porque esta montanha está em todos os lugares, não é um "onde", mesmo os vales são o pico da montanha, sendo onipresente passa a ser uma condição determinada pelos pés e não pelo lugar onde estariam. Se fosse um onde, qualquer passo seria descer de um pico nos quais os pés estão sempre.
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quarta-feira, 4 de setembro de 2013
quinta-feira, 20 de junho de 2013
O budismo tem uma porta de saída
O Sutra do Coração da Sabedoria começa com “Maka Hannya Haramita Shingyo”.
“MAKA” é grande e “SHIN” é coração, ou mente. Shin quer dizer as duas coisas, coração ou mente.
Na realidade, o significado de coração, não é bem coração, mas sim essência.
E nesse sentido queremos dizer não o “O Sutra do Coração”, mas “Sutra da Essência dos Sutras Prajna Paramita”.
PRAJNA é “sabedoria”.
PARAMITA é “a outra margem”.
“Sabedoria da outra margem”.
Existe uma coleção de Sutras chamada “Os Sutras Prajna Paramita”. São mais ou menos 600 volumes.
O Sutra do Coração da Sabedoria é um resumo da essência de toda a coleção dos sutras Prajna Paramitas, que não estão traduzidos. Mas eles são uma colação importantíssima de ensinamentos, de estudo do inicio do movimento Mahayana.
A idéia de Paramita - a outra margem, é que existe um rio, o rio da ignorância, nós estamos numa margem e tomamos um veículo pra atravessar o rio e chegar na outra margem que é a margem da sabedoria.
Então são sutras da outra margem, a margem da sabedoria, pra quem atravessa esse rio da ignorância.
É por isso que aquilo que se usa pra atravessar o rio chama-se “yanas”, que são veículos. “Mahayana o grande veículo”, “Hinayana o pequeno veiculo”, “Vajrayana, o veículo do raio”, etc. Yana é portanto o veículo para atravessar o rio e chegar na outra margem.
Quando você atravessa o rio de uma margem a outra, na outra margem você não sai carregando o veículo.
Este é o significado do TÍTULO do sutra, portanto, para entendermos.
O que Buda explicou é: se você atravessa o rio com um veículo, não tem sentido sair carregando o barco nas costas depois que chegou do outro lado. Por isso os veículos existem pra ser abandonados, o Budismo inclusive. Não são coisas pra serem carregadas pra sempre. O Budismo tem uma porta de saída. A imagem do Bodhisattva é: “ele chegou até outra margem”. Aí ele olha e vê todo mundo na margem de cá. Aí ele se apieda, se compadece, e volta pra cá pra carregar pessoas através do treino da mente.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Os que tem certeza que estão certos
Filhas de Mara. Mara é quem representa alegoricamente o “mal”. E as filhas de Mara são essas paixões que arrastam Buda. Ele recusa todas as paixões, mas no fim tem uma maior que todas, um problema, e este problema surge perante Buda com o rosto dele mesmo e ele diz – “Tu não me enganarás mais” – e quando ele diz isso, essa figura com o rosto dele mesmo, se transforma em Mara, o senhor do mal.
Então esse grande mal que está dentro de nós e que frequentemente derrota os homens, é ele mesmo, o “eu”, o ego, o amor a si mesmo. Por isso Dogen diz – “Estudar o zen é estudar a si mesmo, estudar a si mesmo é esquecer-se de si mesmo, esquecer de si mesmo é ser iluminado por todas as coisas”. Então, enquanto nós temos um “eu mesmo” dentro de nós, ele nos atrapalha demais, por que esse “eu”, esse ego, é ele quem se ofende com o que os outros fazem, é ele quem quer impor sua opinião, é ele quem pensa que sabe o que é o certo e que pensa que os outros estão errados.
Os que mais causam mal à humanidade são os que têm certeza que estão certos. Eles estão dispostos a qualquer coisa para provar isto. Kadafi (palestra ministrada antes de sua queda N.A.) está disposto a qualquer coisa para preservar seu poder, as suas idéias, os seus livros, a sua família, não importam as mortes, não importam os bombardeios, quantas pessoas irão morrer, quantos ficarão aleijados, não importa que o país inteiro seja destruído, desde que ele se conserve no poder. Porque ele está convicto de que tem razão e que é amado por seu povo.
Assad na Síria, ontem, fez suas tropas matarem cento e doze pessoas. Hoje foram os funerais. Suas tropas atiraram nas pessoas que estavam nos funerais. Mais cedo ou mais tarde, Kadafi e Assad vão sair do poder, serão depostos, talvez enforcados, talvez queimados vivos, quem sabe o vai acontecer com eles? Talvez fujam e sejam acolhidos em algum outro lugar para poder viver com seu dinheiro, mas atrás deles fica um grande rastro de destruição, por que eles têm grandes egos e têm certeza que estão certos.
Na realidade, falar sobre isso me entristece, mas eu vejo isso sempre se repetindo em todos os lugares. A convicção do “eu”, “meu eu”, “meu ego”. Meu ego se ofende se irrita quando não concordam com ele. Meu ego quer impor sua opinião, meu ego quer que os outros se dobrem ao que eu penso. E não há medida no esforço e na violência que as pessoas estão dispostas a empregar para isso. E essa é a história da nossa humanidade, história das ditaduras. Nós sabemos o que é o melhor, nós sabemos o que está certo. E não importa se são ditaduras de direita ou de esquerda. O mal, os horrores continuam, são os mesmos, porque tem certeza que tem razão. Então se têm razão, podem impor sua opinião, e todas as revoluções acabam dando no mesmo, donos de poder que não o largam.
Cada um de nós deve, quando pensa que tem razão, fazer um exame, olhar para dentro de si e perguntar – “Quem é esse que pensa que tem razão, quem é esse que está disposto a discutir, que é esse que se ofendeu, quem é esse que está irritado, quem é”? Daí vocês irão olhar dentro de si e verão Mara, vão ver a pior parte de si, cheia de vaidade, cheia de orgulho e disposto a destruir o mundo em prol de si mesmos.
A Sangha também tem todos esses males, afinal, é constituída de pessoas. E as pessoas às vezes se irritam, perdem a paciência, se encantam com qualquer título ou poder. Desde o tempo de Buda, aconteceram sérios problemas. Uma vez Buda estava com seus discípulos e eles se desentenderam tanto, brigaram tanto que Buda se levantou e disse – Eu vou embora! – Então se levantou e foi embora para outro lugar. Disse – Se vocês querem brigar, então fiquem aí - e foi embora. E seus discípulos perceberam que sem Buda eles ficavam sem liderança, estavam perdidos. Então foram atrás de Buda e pediram desculpas.
Na realidade, falar sobre isso me entristece, mas eu vejo isso sempre se repetindo em todos os lugares. A convicção do “eu”, “meu eu”, “meu ego”. Meu ego se ofende se irrita quando não concordam com ele. Meu ego quer impor sua opinião, meu ego quer que os outros se dobrem ao que eu penso. E não há medida no esforço e na violência que as pessoas estão dispostas a empregar para isso. E essa é a história da nossa humanidade, história das ditaduras. Nós sabemos o que é o melhor, nós sabemos o que está certo. E não importa se são ditaduras de direita ou de esquerda. O mal, os horrores continuam, são os mesmos, porque tem certeza que tem razão. Então se têm razão, podem impor sua opinião, e todas as revoluções acabam dando no mesmo, donos de poder que não o largam.
Cada um de nós deve, quando pensa que tem razão, fazer um exame, olhar para dentro de si e perguntar – “Quem é esse que pensa que tem razão, quem é esse que está disposto a discutir, que é esse que se ofendeu, quem é esse que está irritado, quem é”? Daí vocês irão olhar dentro de si e verão Mara, vão ver a pior parte de si, cheia de vaidade, cheia de orgulho e disposto a destruir o mundo em prol de si mesmos.
A Sangha também tem todos esses males, afinal, é constituída de pessoas. E as pessoas às vezes se irritam, perdem a paciência, se encantam com qualquer título ou poder. Desde o tempo de Buda, aconteceram sérios problemas. Uma vez Buda estava com seus discípulos e eles se desentenderam tanto, brigaram tanto que Buda se levantou e disse – Eu vou embora! – Então se levantou e foi embora para outro lugar. Disse – Se vocês querem brigar, então fiquem aí - e foi embora. E seus discípulos perceberam que sem Buda eles ficavam sem liderança, estavam perdidos. Então foram atrás de Buda e pediram desculpas.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Quem é você?
Pergunta – Com relação ao “eu”, eu o elimino ou me desapego dele?
Monge Genshô – O “eu” é necessário nessa vida, você o usa como um instrumento. Uma boa imagem para entender isso é a de que precisamos usar uma fantasia para exercer um papel. Eu, por exemplo, coloco minhas roupas de monge, que carregadas de simbolismo - um manto igual ao manto de Buda - me facilitam o exercício do papel de professor do dharma. Mas, quando tiro essa roupa, não posso dizer que estou ali, naquela fantasia que tirei. Eu não sou a fantasia; ela não é eu. Nosso “eu” é, essencialmente, uma fantasia. Nós precisamos usar, na vida, títulos, cargos, coisas, nomes. Mas não devemos nos confundir com nosso nome. Seu nome não é você. Seu título não é você. Por isso é tão difícil responder a essa pergunta: “quem é você realmente?” Nós precisamos de um “eu”, mas o “eu” que usamos para transitar na vida, não é quem somos, é uma fantasia. Começa no batizado, o pai diz, “o nome dele será Fulano”, e recebemos um nome que arrastamos pelo resto da vida. Mas esse nome foi-nos, tão somente, dado por nossos pais. Ele não nos constitui. “Quem é você?” Quando fazemos essa pergunta a uma pessoa, ela responde, em primeiro lugar, seu nome, pois foi essa a primeira coisa que lhe deram. Mas essa pessoa não é só um nome. Certa vez, um homem chegou até Buda e lhe perguntou: “quem é você? Um profeta, um deus, um salvador? Quem é você, afinal?” Ele respondeu que não era nenhum deles, e afirmou: “Eu estou acordado!”
Pergunta – Esta é, na verdade, uma resposta conceitual, não é?
Monge Genshô – Sim.
Aluno – Desculpe, não entendi a resposta.
Monge Genshô – Ao dizer que está acordado, Buda afirma que não possui nenhum “eu”, que está livre de todas as ilusões, que isso tudo é um sonho. Estar acordado significa, portanto, estar livre dos sonhos.
Pergunta – Isso quer dizer que Buda entendeu sua essência?
Monte Genshô – Sim. E sua essência não é ele.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Templos e títulos no Zen Soto
Cerimônia de refeição em Yokoji, diferentes cores de manto indicam os professores.
São 4 categorias de templos: junhochi, hochi, kakuchi e templo-sede.
Com a Cerimônia de Transmissão do Dharma - graduação "dempô" ou talvez "rikishô" - o monge pode tornar-se responsável por um "junhochi" templo ( mas isto não é garantido ou automático). É monge plenamente formado, mas ainda não foi "confirmado" e registrado formalmente na ordem Soto Shu como tal, para isso é preciso a cerimônia de Zuise.
Depois da transmissão, é feito o Zuise (necessário ir aos templos sede porque isto é feito junto aos túmulos dos mestres ancestrais). Há um prazo de 2 anos para fazer o Zuise (que pode ser extendido por mais 5 anos).
Zuisé - graduação "oshô" - ficou formalmente registrado como monge plenamente formado na ordem Soto Shu.
No caso de um "osho" tornar-se "jûshoku" (monge responsável por um templo "hochi" ou "junhochi"), aí pode ser chamado de "mestre" - Shinsanshiki é a cerimônia de tornar-se oficialmente monge responsável de um templo oficial.
Somente o monge responsável de um templo dá ordenações. Assim, mesmo tendo Zuisé, mas estando trabalhando num templo sem ser o monge responsável, não dá ordenações e não é chamado de mestre. Sensei é aplicável quando um monge que possui a formação completa tem alunos segundo explicação de Saikawa Roshi.
O monge-responsável de um templo "kakuchi" deve ser "dai-oshô". A graduação que o Saikawa Roshi tem como professor, é "dai-kyoshi" (koromo amarelo). Esta graduação é concedida a 150 pessoas. O significado de "dai-kyoshi" é "Grande Professor de Darma" -
Os abades dos dois templos-sede são "zenji" e têm a graduação de "daikyosei" como professores de darma (a graduação máxima).
(extratos de explicação redigida por Monja Isshin e adaptada para leigos por Monge Genshô)
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Osho, o título do monge zen

Quando ordenado inicialmente um monge zen é um Joza, um noviço, não pode oficiar cerimônias e só pode executar tarefas autorizado pelo seu mestre, depois da graduação da batalha do Dharma, (Hossenshiki) ele é um Zagen, ou monge em treinamento, autorizado a algumas ações e a ensinar limitadamente, sempre com licença superior.
Após a transmissão (reconhecimento de uma realização espiritual por seu mestre) o monge zen recebe o título de OSHO, (monge completo, mestre por sua vez) o que encerra seu treinamento, este processo dura normalmente vários anos de esforço. Esta palavra, Osho, é um título genérico usado há muitos séculos no zen e não pode ser usado como nome próprio ou como uma marca de fundo comercial, como acaba de ser tentado no INPI.
Seria como se alguém quisesse ser chamado pelo nome de Bispo, no catolicismo, ou tentasse registrar esta palavra como marca exclusiva para seu uso pessoal ou de uma corporação.
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terça-feira, 22 de abril de 2008
China protesta contra título ao Dalai Lama

A China reagiu com indignação ao título de cidadão honorário de Paris concedido ao Dalai Lama, enquanto isto a Tocha da Vergonha desfilou em estádio fechado em Jacarta, na Indonésia, tal o medo que há de que os protestos dos simpatizantes da causa tibetana ofusquem completamente o evento.
A China esperava que o revezamento da tocha pelo mundo fosse um símbolo de união na preparação para os Jogos de Pequim, mas a chama tornou-se um ímã para protestos anti-China. Em resposta, estudantes chineses no exterior também organizaram manifestações em defesa do país.
Os manifestantes em Jacarta, da Sociedade Indonésia pelo Tibet Livre, gritavam "Tibet Livre" e seguravam cartazes com os dizeres "Olimpíada e crimes contra a humanidade não podem coexistir".
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