quarta-feira, 23 de julho de 2008

Seidô faz samu


Fotos Michel Cunha

Seidô, membro da Sangha de Florianópolis, faz trabalho de limpeza no modo tradicional dos monges zen, na sala de meditação, durante o retiro.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Silêncio



Durante o sesshin não se conversa, cada um deve mergulhar em sua aventura interior e descobrir-se.

domingo, 20 de julho de 2008

Portugal mais mobilizado que o Brasil...


Portugal: Parlamento condena violação dos Direitos Humanos no Tibete


Lisboa, 17/07 - O Parlamento Português vai debater sexta-feira, na última sessão antes das férias de Verão, uma petição que pede a condenação da violação dos Direitos Humanos e da Liberdade Política e Religiosa no Tibete.

A petição que será sexta-feira debatida, com cerca de 11.000 assinaturas, foi entregue a 7 de Abril deste ano ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.

Segundo a lei, uma petição com mais de 4.000 assinaturas é obrigatoriamente discutida em plenário da AR.

A União Budista, o Grupo de Apoio ao Tibete e a Casa da Cultura pretendem que a Assembleia da República (AR) pressione o governo chinês para permitir o livre acesso dos Media ao Tibete e acabar com as violações dos Direitos Humanos no território.

O texto da petição recorda a "revolta contra a ocupação chinesa" do Tibete, em Março de 1959, que levou à saída do líder espiritual dos tibetanos, Dalai Lama, para o exílio na Índia, assim como a discriminação de que os tibetanos são alvo em relação aos "imigrantes chineses".

Em declarações à imprensa local em Maio passado, após uma reunião com a Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros e comunidades Portuguesas, o presidente da União Budista Portuguesa (UBP) afirmou ter-lhe sido comunicado que "haveria vontade política de todos os grupos parlamentares, com excepção do PCP", para aprovar uma moção.

Segundo o presidente da UBP, apesar da "aparente abertura" das autoridades chinesas, que iniciaram negociações com representantes do governo tibetano no exílio, "o Tibete continua fechado e decorrem intensas campanhas de reeducação patriótica, sobretudo nos mosteiros".

Lembrou a repressão dos protestos no Tibete, que iniciaram-se a 10 de Março, adiantando que continuavam a chegar informações de alguns protestos e mais detenções. Cerca de 200 mortos e mais de cinco mil detenções, desde aquela data foi o balanço indicado por Paulo Borges.

"A comunidade internacional deve exigir à China que cumpra o compromisso de Abrir todo o território aos Media, tal como comprometeu-se para obter a realização dos Jogos Olímpicos em Pequim", salientou Paulo Gomes.

A violação dos direitos humanos na China foi ainda tema do encontro da mesma delegação da Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros com a Amnistia Internacional Portugal.

As activistas da AI-Portugal pediram aos deputados para "pressionar o governo chinês", escrevendo "uma carta ao primeiro-ministro, Wen Jiabao" para que a China assine a moratória da pena de morte e que aprovem "uma moção de repúdio em relação ao aumento da repressão generalizada na China".

fonte:http://www.angolapress-angop.ao/noticia.asp?ID=635065

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O carma gera esse "eu"? De certo modo, "eu" sou um resultado?


Exatamente, você tem uma identidade gerada por um carma e não uma identidade que carrega um carma. Quando o carma gera uma manifestação humana, ela dá-se conta de sua existência momentânea, portanto a percepção de um eu é fruto de uma operação e como tal transitória. Por isso podemos dizer que todos os agregados que formam um eu são vazios, vazios de uma existência inerente, per si, e assim , se realmente percebermos esta vacuidade de nosso eu todo o sofrimento se dissolve.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Video Conferência do Dharma



Ontem tivemos, na Sangha Joinville, através de uma webcan e um computador, uma palestra do Dharma, via video conferência, a partir de Florianópolis. A transmissão estava ótima.
Esta iniciativa de Antonio San, abre uma grande oportunidade de melhorar, com custos baixíssimos, já que a capacidade já está instalada nos aparelhos que são comuns, a difusão do Dharma e a abertura de novos grupos de estudo e meditação em muitas cidades.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Francisco Casaverde

Do site de Francisco Casaverde, músico e praticante do zen:

MEDITAÇÃO ZEN EM CASA
Estes cds destinam-se àquelas pessoas que desejam praticar, em casa, a meditação zen - shikantaza. Inicia-se com um toque do mokuhan, um sino de madeira, seguido de cinco minutos de silêncio. Neste tempo, o praticante deve dirigir-se à sua almofada de meditação, fazer as reverências, ajustar a postura e a respiração. Pode também acender uma vela e um incenso, caso tenha um altar em casa. Depois disso, virão três toques do sino, marcando o início da meditação de trinta ou quarenta minutos. Ao final deste tempo, o sino tocará mais uma vez, marcando o término da meditação. Seguem-se dois minutos de silêncio, quando o praticante deve, então, fazer uma reverência na própria almofada, sair lentamente da postura de meditação e preparar-se para cantar o Sutra do Coração. Para isto, pode-se manter a postura de meditação, ou sentar-se sobre os calcanhares, no estilo japonês, ou ainda, ficar de pé. Depois do canto, seguem-se mais dois minutos de silêncio. Durante este tempo, pode-se fazer três reverências completas até o chão, caso o praticante queira. As cinco faixas finais são: o Sutra do Coração em português, o Daihi Shin Darani e três músicas zen, extraídas dos cds Flauta Zen – Volumes I, II e III respectivamente. Estas músicas são executadas pelo flautista japonês Yôichi Okada e são exemplos autênticos da música zen.
Home : http://www.franciscocasaverde.com/index.html

http://www.franciscocasaverde.com/zen_audio.html

terça-feira, 15 de julho de 2008

De Fábio Azevedo



Poema, cortesia de Fábio Azevedo, com o nome do Dharma "Procurando a Luz" recebido por Eronides Chalegre em sua cerimônia fúnebre.

Qual a diferença?


O senhor incorpora a prática budista em meio ao trabalho com empresas e a família. Qual a diferença entre a sua prática e a daqueles monges que vivem em Mosteiros?

Agora que tenho esta experiência há algum tempo vejo como a vida nos Mosteiros é facilitada. Você não precisa se preocupar com cada pequeno detalhe. O sino toca e pronto: você vai fazer outra coisa; na hora de comer, uma equipe já lhe preparou a comida, você não vai falir, não será vítima de clientes insatisfeitos nem de concorrência desleal. Fiscais não tentarão chantageá-lo, nem terá que demitir pessoas que chorarão à sua frente. Sem dúvida praticar em uma vida simples e sem enfrentar esta guerra é muito mais fácil. O livro "O lapidador de diamantes", é sobre um monge tibetano que, depois de 20 anos de prática, é enviado pelo seu mestre ao mundo dos negócios com a missão de ser budista sem deixar ninguém saber. Prática duríssima, esta. Implica fazer funcionar todos os princípios do Dharma sob condições adversas. Atualmente faço os retiros com os alunos e depois retorno para escritórios, consultorias etc...No meu caso, todos sabem que sou um budista praticante, e é surpreendente que as pessoas do mundo dos negócios aceitem isto com naturalidade. Noto, apenas, que elas me observam atentamente, verificando se há coerência. Muitas oportunidades surgem ao ensinar o Dharma no trabalho. O treinamento é aguçado pela vigilância de todos. Porém quem duvida são os religiosos, quem questiona são os budistas que tem pouco conhecimento, ou não leram o Sutra de Vimalakirti ou os textos de Hui Neng, e tendem a achar que o desafio difícil é ser monge em um monastério, protegido de tudo e seguindo os votos cuidadosamente. Transitando entre os dois mundos vejo que nos retiros e mosteiros é como se estivesse de férias, pacificado, fazendo o que gosto, protegido das intempéries pessoais, fazendo e recebendo reverências. Muito diferente de ouvir palavras ríspidas ou ser tratado com hostilidade em uma empresa competitiva. Ser vigiado até mesmo pela esposa e filhos é muito mais duro que a vida pacificada e protegida do mosteiro. Quando vejo minha esposa e filho sentados no zendô, ouvindo atentamente um ensinamento que tento imitar de meu mestre, vejo que a eles não poderia estar iludindo, pois conhecem todas as minhas falhas, e quando um companheiro de trabalho faz o mesmo, percebo que estou passando uma prova difícil, porque ele também atentou para a minha postura durante meses antes de pedir que o ensinasse.

domingo, 13 de julho de 2008

Não percam tempo


Eronides, na juventude (1910-2008)

Queridos amigos, esta foto é da mesma pessoa que aparece abaixo no blog no fim de sua vida. Fazendo zazen me ocorreu dizer à todos a frase que é repetida nos templos zen ao final do zazen da noite:
"Praticantes!
Vida e morte são assuntos importantes,
Por isso vos peço encarecidamente,
Não percam tempo!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Procurando a Luz




Queridos,
Mamãe morreu hoje, dormindo, rodeada de amor e carinho às 2:50h e será cremada em Camboriú em cerimônia particular.

O nome no Dharma que lhe dei é: Procurando a Luz

Ela teve uma linda vida e passou os últimos anos aqui comigo, entre árvores, tomando sol no jardim, à beira da praia, com os netos a beija-la, os filhos a lhe dar amor. Que todos nós possamos ter uma vida tão frutífera e com o bom carma de ser amados em nossos últimos dias.

Poema da Nida, minha irmã:

Últimos Momentos

À beira do teu leito
Espero teu último suspiro
Seguro tua frágil mão
Entre as minhas
E me inspiro
O piano ao fundo
Toca melodias
Que lembram teus dias
Não choro
Pois todas as lágrimas já derramei
Pois todos os carinhos já te dei
Pois todos teus ensinamentos
Já assimilei
Entre minhas mãos
Sinto teu coração
Que fraco bate
Tua respiração ofegante
Prenunciando o lento fim
E te agradeço o olhar
Sempre carinhoso
O apoio irrestrito
O amor infinito
E às vezes o grito
Me avisando o perigo
Mãe, te sou grata
Por estar presente nessa data
E meu único desejo
É que saibas que foste amada
E que nessa caminhada
Que encerra tua linda jornada
Possas sem dor
Te despedir em paz.

Nida Chalegre (08/07/2008)

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Pergunta 297 - Site Daissen Zendô


Perg: Não entendo certas histórias zen, como a do monge que faz uma reverência para sua mãe quando ela se afoga em lugar de saltar no rio e ajudar. O que pretendem histórias assim? Penso que não podem ser modelos de comportamento.
R:
O koan não se destina a dar um modelo de comportamento a ser aplicado em diferentes situações. Não é, em absoluto, um exemplo. Se assim o fosse, passaríamos a matar gatos para ensinar, deixar as tragédias ocorrerem sem nos movimentar. Portanto, um koan não pode ser interpretado como uma história edificante, antigo modelo de nossa literatura.
Se você olhar em termos de 'certo/errado', dentro de uma forma cultural, vai salvar a anciã da água, mas no caso do koan, o monge não vê a água como uma condenação, nem a morte da mesma forma e seu conceito de salvar pode ser muito diverso.
Semelhante problema poderia ocorrer hoje em uma UTI. Vejamos:
Uma velha senhora, sua mãe, está em uma UTI amarrada em máquinas e o médico lhe pergunta se deve continuar prolongando artificialmente aquela vida,ocupando um leito necessário. Você tem de decidir se a máquina de diálise deve deixar de ser usada, e isso significa a morte em 48 horas. Você deixa a natureza seguir seu curso ou intervém mandando continuar o prolongamento artificial da vida? Se você decide deixá-la morrer, ditando, inclusive, o momento da morte afogada em líquidos retidos no corpo pelos rins que não funcionam, você se põe ao lado dela e, sabendo que você ordenou aquele processo, você ora profundamente sem nenhuma dúvida? Você consegue aceitar o curso dos acontecimentos? Você permanece tranqüilo? Você percebe que todos os seres do universo são sua mãe? E que aquela ali morrendo por sua ordem é apenas um fenômeno no universo, além de vida e morte? Você alcança que a morte em si é uma ilusão sua? Que seus atos não podem ser ditados pelos seus desejos pessoais de sentir-se justa, mesmo que à custa do momento adequado para o outro partir e do leito necessário para outra pessoa?

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Livrou-se completamente



Quando meditava profundamente o bodisatva Avalokitesvara viu claramente o vazio dos agregados e assim livrou - se completamente de toda dor e sofrimento.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Mesmo assim



Penso constantemente no vazio de um eu inerente em todos os fenômenos, e que neste fluxo contínuo não nascemos nem morremos, apenas prosseguimos nos manifestando enquanto há energia de desejo para tanto. Mas mesmo assim, olhando o oceano imenso, sinto as memórias voltando e elas me movem internamente com ansiedade e tristeza, lembro um soneto de minha mãe e seu final: “e há quem ame, por demais sofrendo,/ sinto aos poucos ir me esquecendo/ espero em breve não lembrar-me mais”

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Buscando a luz



Praticantes zen de Florianópolis, fazem trilhas em busca da luz.

Carta aos Entes Queridos



Carta aos Entes Queridos, por Chagdud Khadro
O texto a seguir é o esboço de uma carta escrita por Chagdud Khadro com o intuito de preparar sua família e seus amigos para a ocasião da sua morte.

"A minha querida família e amigos, instruções para a hora da minha morte:

Em primeiro lugar, quero que vocês saibam o quanto são importantes para mim, profundamente. Nossa conexão nesta vida, especialmente nossos momentos de afeto e alegria, representam a minha grande boa fortuna. O processo da morte confirma, de forma poderosa, a constatação de que, do mesmo modo que nos unimos, inevitavelmente teremos de nos separar, e de que o tempo entre uma coisa e outra é breve demais. É claro que sinto pesar, mas sinto também uma doce e intensa gratidão por aquilo que compartilhamos.

No entanto, conforme a morte se aproxima, todo o apego costumeiro que tenho por vocês não será de grande ajuda, já que não tenho poder para voltar desta viagem. E o seu apego a mim, apesar de muito natural, também não é útil, já que pode distrair minha atenção para aquilo a que não posso retornar – as circunstâncias da minha vida com vocês – e me atrapalhar nas delicadas transições da morte. O que preciso de vocês agora é tranqüilidade, desprendimento, e o reconhecimento de que, seja qual for a aparência externa da minha morte, internamente consiste numa profunda oportunidade espiritual. Suas orações, nascidas do seu próprio amor e compaixão mais profundos, certamente apoiarão a minha realização desta oportunidade.

(...)

Obrigado por tudo o que vocês fizeram e irão fazer. Eu sei que honrar minha crença espiritual, que é diferente da sua, requer uma certa dose de tolerância, mas espero que o respeito que demonstram aos meus pedidos se torne uma fonte de energia positiva que pacifique a sua mente no momento da sua própria morte. Segundo os ensinamentos que recebi, se tudo correr bem, depois da morte encontrarei liberação das preocupações egoístas nos reinos além da morte, e obterei uma capacidade enormemente ampliada de beneficiar a vocês e a todos os seres. É isso que eu desejo.
Que assim se realize!"

sábado, 5 de julho de 2008

Minha mãe - últimos dias



Agora é um estado terminal, estamos nos despedindo...
Ela teve uma linda vida e passou os últimos anos aqui comigo, entre árvores, tomando sol no jardim, à beira da praia, com os netos a beija-la, os filhos a lhe dar amor. Que todos nós possamos ter uma vida tão frutífera e com o bom carma de ser amados em nossos últimos dias.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Gostaria de saber se existe diferença entre shikantaza e hishiryo




R: Shikantaza significa apenas sentar, sem objetivo.

Texto de T. Deshimaru sobre hishiryo:
"Que é Hishiryo? É pensar sem pensar, não pensar, mas pensar. É o além do pensamento, o pensamento absoluto. Não pensamos, mas o inconsciente se eleva, e pensamos inconscientemente, a partir do tálamo, do cérebro central. O verdadeiro pensamento aparece, o pensamento sem pensamento, para lá de todo pensamento.

Querer cortar os desejos, as ilusões é impossível, a nossa vontade, por si só, é impotente. Por intermédio do zazen, todavia, os desejos, pouco a pouco, deixam de perturbar-nos, diminuem por si mesmos, inconscientemente, naturalmente. Não se deve tentar nem cortá-los, nem segui-los. Nem cortar, nem seguir: isso é Hishiryo."