quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
O amor ilimitado
(continuação da palestra de Ven. Dhammadipa)
A próxima parte do sutra explica que todos os seres estão inclusos, não há possibilidade de exceções. Quando pratica-se o verdadeiro amor, você deve estender seu objeto a todos os seres. Quebrando a barreira entre você e o próximo, entre você e aquele de que gosta, entre você e aquele que não gosta e entre você e aquele que você é indiferente. Você deve ver todos os seres em um e um ser em todos. Este é o significado do amor como um incomensurável. Quando você abre seu coração, ao mesmo tempo abre sua mente. Uma mente limitada significa sentimentos limitados, como uma mente ilimitada significa sentimentos ilimitados. De fato, todas as fronteiras da mente estão conectadas às fronteiras dos sentimentos. Pelo fato de nos apegarmos ao prazeroso e termos aversão ao não prazeroso, nossa mente torna-se limitada.
A fim de reverter essa tendência, que é a causa do sofrimento, Buddha ensinou amor ilimitado, compaixão ilimitada, alegria ilimitada e equanimidade ilimitada. Como o amor torna-se ilimitado? Na medida em que você observa um ser em todos e todos em um. Este é o segredo do amor ilimitado, que está fundado na sua determinação de desejar o bem a todos os seres. Este é o verdadeiro significado da amizade. O amor no budismo é apresentado como amizade. Você sabe porquê? Porque o verdadeiro amigo é aquele capaz de sacrificar-se pelo próximo. Este é o significado do amor genuíno, quando nos tornamos capazes de louvar igualmente todos os seres. Com isso, você torna-se amigo de todos os seres. O Buddha explica em outros trechos, o amor como não enganar seus amigos. Ele explica que a virtude mais importante no sutra do amor está relacionada a ser direto. Quando você é direto com os outros, será capaz de amá-los, bem como a si. Somente assim será capaz de beneficiar-se nos outros. O desejo que os outros sejam felizes é o desejo de beneficiar-se nos outros. Isso também está vinculado à tolerância. Quando alguém ama, possui tolerância. E o Buddha explica que não há nada mais elevado que a tolerância. Portanto, é assim que pratica-se a tolerância: você deve desejar que todos os seres estejam a salvo e sejam felizes.
E quem são todos os seres? Ele explica “Ye keci pānabhūtatthi, tasā”, não importa se são grandes, médios ou pequenos. Até os seres microscópicos, invisíveis. Os seres que não podemos ver são muito mais que aqueles que podemos ver. De acordo com o Budismo, temos em nosso corpo 8000 famílias de diferentes organismos microscópicos. Todos eles devem ser incluídos. Até quando estamos escovando os dentes matamos alguns organismos microscópicos, por isso devemos fazê-lo com amor. Não importa se estão longe ou perto, se são visíveis ou invisíveis, todos devem ser incluídos em seu amor. Mesmo aqueles em processo de nascimento, todos esses devem ser incluídos em seu amor. A seguir, vale lembrar que tais desejos e, de fato, a prática do amor compassivo devem ser ativos, não só passivos. Buddha explica que não se deve enganar o próximo, rebaixar o próximo. Devemos sempre ter a mais alta estima por todos os seres. Devemos sempre desejar que nenhuma resistência, ódio e aversão surja na mente de nenhum ser.
Então tem-se uma comparação muito famosa, que vocês já devem ter ouvido. Buddha diz que, tal como a mãe protege com a vida seu único filho, assim devemos estender nosso cuidado a todos os seres. Devemos estender esse cuidado nas quatro direções, aonde quer que tais seres estejam, sem impor nenhuma resistência. Há um sutra na coleção dos discursos “médios”1 que alguns podem achar um exagero, mas demonstra uma importante atitude. É o sutra da “Analogia da Serra”2. Buddha supõe que houvesse dois homens fortes com uma serra e que tais homens tentassem cortá-lo ao meio. Caso surja qualquer resistência ou aversão para com eles, Buddha diz que você não é um discípulo dele. Então, podemos achar um pouco difícil nos tornarmos discípulos de Buddha, mas não tomem isso literalmente. Buddha apenas quer mostrar a importância da não-resistência. A não-resistência é, de fato, uma das mais nobres forças. Aquele que obtiver tal força terá sucesso em tudo. Portanto, o modo de obtê-la está explicado exatamente neste sutra. (continua)
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
A grande dúvida
4) Quais são então os obstáculos para a iluminação no Budismo? Ele me parece extremamente liberal em algumas coisas, mas...
Monge Genshô – Os obstáculos são seríssimos. Coisas com as quais as pessoas não lidam, como ignorância, falta de clareza e ilusão.
Aluno - A dúvida?
Monge Genshô – Não, pelo contrario, é necessária uma grande dúvida. O budismo não encoraja a crença, é muito melhor que você tenha uma grande dúvida. É bom que você chegue ao seu professor e manifeste sua dúvida, mas deve estar preparado para a resposta e admíti-la, seja ela qual for, por exemplo, se eu digo que esse banco é feito de pedra você não deve discutir e dizer que é feito de plástico. Você deve presumir que exista alguma razão para o seu professor dizer que é de pedra e você deve lidar com esse paradoxo. Não é o caso de admitir que seja de pedra, mas sim que você tenha dúvida de sua convicção de que é feito de madeira. A questão é a dúvida, e não a crença. Os koans servem para isso, instigar a dúvida e o paradoxo na mente dos praticantes. Então, voltando à pergunta, os obstáculos à iluminação são: a ignorância, os desejos, apego aos ritos e cerimônias, paixões e a raiva. O amor ou a paixão pelo próprio budismo também é um obstáculo. O pensamento de que as únicas verdades provem do Zen e todos os outros caminhos estão equivocados também é um grande problema.
Aluno - Esses são os dois extremos, o apego e a rejeição.
Monge Genshô – Exato.
quinta-feira, 20 de março de 2014
Juntando os cacos
Temos então duas grandes fontes de sofrimento: apegos, principalmente afetos, meu filho está passando as férias aqui comigo, amanhã pela manhã ele irá embora, ontem eu sonhei que ele estava indo embora, então me emocionei. A outra fonte de sofrimento é a aversão, o “não gosto”. É claro que na nossa vida comum, se temos um problema difícil de resolver e você não consegue ficar junto, é melhor não conviver. Mas aí não é a vida dos mosteiros. No caso, fora dos mosteiros, o melhor é evitar os relacionamentos perturbadores. Mas com relação ainda aos apegos, não é porque sofreremos por termos apegos que deixaremos de ter amor. O que temos que fazer é admitirmos que a vida é constituída desses envolvimentos e das consequentes perdas, e aceitar que os afetos vêm e vão, que as coisas surgem e terminam.
Para quem trabalha com pessoas e ouve esses tipos de problemas o tempo todo, acaba aprendendo, pois vem uma pessoa e lhe diz - “Eu tinha um relacionamento, um amor, e agora aconteceu uma separação e estou sofrendo muito”. Sei que o sofrimento é real, mas também sei que em alguns anos ao encontrar essa mesma pessoa e ao lhe perguntar sobre o relacionamento ela dirá, “que bom que acabou, encontrei outra pessoa”. Por isso no Sutra do Coração está escrito que “aquele que atinge a iluminação livra-se de toda dor, agonia e sofrimento”. Sua dor e sofrimento desaparecem, pois sua visão de mundo mudou. É como você gostar muito desta xícara, mas ela cai no chão e quebra, o que deve ser feito? Buscar a vassoura e juntar os cacos. Não existe muita utilidade você lamentar sobre os cacos. Não tem muita utilidade essas coisas que arrastamos. Quando as coisas caem e quebram o que temos que fazer é juntar os cacos.
PERGUNTAS
1) Quais são as causas do sofrimento que o Senhor falou?
Monge Genshô – O apego, a aversão e a ignorância. A ignorância é a falta de compreensão. Conhece as pessoas que fazem escândalo porque quebra alguma coisa? Elas brigam e criam um mal estar tremendo por causa de algo que não tem conserto, esse é um dos aspectos da ignorância.
quarta-feira, 19 de março de 2014
Apego e aversão
O sofrimento provém do apego, essa é a informação que a gente ouve. Por causa do apego é que nós entramos em sofrimento. Isso é bem verdade, em geral sofremos pelas coisas nas quais colocamos nosso coração, aí estará a possibilidade de nosso sofrimento. Nenhuma das coisas do mundo é permanente, sólida ou estável, tudo está sempre mudando e iremos perder as coisas que julgamos preciosas. Perderemos os amores, as pessoas, o crédito, a fortuna e a fama. As coisas surgem e desaparecem. Porque nos agarramos à elas e nelas colocamos nosso coração, então sofremos pelas perdas.
Temos muita dificuldade de nos libertarmos desse tipo de sofrimento porque sempre fomos ensinados desde pequenos a chamar as coisas de “meu” e “minha”. Primeiro aprendemos que temos um “eu”. Logo depois aprendemos o “é meu”. Como agregamos essas coisas ao nosso “eu”, quando elas partem, sofremos. Quanto mais memória você guardar disso, mais sofrimento terá. Agora mesmo estava me lembrando de quando era pequeno e minha irmã ganhou uma caixinha de música, girava-se uma manivelinha e tocava uma melodia. Eu e meu irmão ficamos muito intrigados e resolvemos desmontar a caixa para ver como funcionava. Evidentemente destruímos a caixinha de musica. Lembro que minha irmã entrou no quarto onde estávamos e viu o que fazíamos. Isso deve fazer uns 55 anos. Mas da última vez que estive com ela, ela me acusou de ter destruído sua caixinha de musica. A caixinha de musica de 55 anos atrás ainda causa sofrimento.
Hoje um aluno me escreveu porque eu havia dito a ele que não era um ser perfeito. Mas o que interessa nessa história é que, porque havia apego, houve sofrimento. Como houve intenção, isso criou um carma e esse carma ainda vive depois de tantos anos. Mas existe outro aspecto que nos causa sofrimento que normalmente é esquecido - a aversão.
Buda ensinou: “sofremos por apego, por aversão e por ignorância”. Nós sofremos também quando sentimos aversão. Aversão a pessoas, coisas, alimentos, enfim, todas as coisas. Desenvolvemos preferências e dizemos: “eu gosto disso”, “não gosto daquilo” e dessa forma criamos sofrimento.
Por causa disso, nos monastérios Zen, quando se servem os alimentos, isso também nos nossos retiros, são servidos alimentos diferentes e você não pode recusar, não pode deixar de comer nenhum deles. Eu pessoalmente nunca gostei muito de comida japonesa não sei porque resolvi ser monge de uma escola japonesa. Já estive em mosteiros onde a comida servida era tipicamente japonesa, não a comida que a gente come em restaurantes, mas a comida mais do dia-a-dia do japonês, ameixas salgadas, pudim que tem pimenta dentro, café da manhã com papa de arroz sem sal e legumes cozidos. Para um brasileiro que não está acostumado, quando se depara com esse tipo de refeição pela manhã, estranha.
O que acontece é que você tem que sentar, receber a comida e comer sem julgamentos de “eu gosto, eu não gosto”. Depois de repetir a mesma comida por dez refeições, você acaba gostando, acaba descobrindo sabores que não conhecia, mas para isso o julgamento “gosto”, “não gosto” tem que cessar. Esse treinamento é feito para superar o sentimento de aversão. Os mestres costumam fazer algumas coisas um pouco incompreensíveis, por exemplo, existe um mal estar entre dois monges, eles não se entendem muito bem. Lembro-me bem de um episódio entre duas monjas que foram reclamar ao mestre, cada uma dizendo odiar e ser odiada pela outra. Então o mestre tomou a providência de colocá-las a dormir juntas no mesmo quarto. Você deve aprender sua aversão. O ensinamento é “Sente-se com seu desconforto”. As opções são: ou você vai embora ou fica e resolve a questão.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
OS TRÊS VENENOS DA MENTE
Os três venenos da mente são o apego, a aversão e a raiva. São eles que transformam todos os nossos bons sentimentos em prisões. O apego transforma o amor em ciúmes, por exemplo. O apego gera sofrimento quando o objeto de nosso apego é perdido. O apego transforma a própria vida em uma prisão quando nos agarramos à ela sem compreender que nascimento e morte fazem parte de um fluxo, um mero evento ao longo de nossa vida.
O outro grande veneno da mente é a aversão, e ele se manifesta em tudo que não gostamos ou detestamos. É tudo o que olhamos como reprovável nos outros e nos perturba com um sentimento de afastamento e separação. Vemos o outro claramente. A aversão é um sentimento oposto ao apego, enquanto o apego quer agarrar a aversão quer afastar. Ela se manifesta em todos nossos sentimentos de repulsa, desgosto ou através das nossas críticas.
O terceiro grande veneno é a raiva. Esse veneno surge quando nos deixamos tomar por um sentimento turbulento, agressivo e que se manifesta das mais diferentes formas. Como se fosse uma espécie de loucura que nos tira a sanidade. Essa é a mensagem de hoje para vocês, esse tema tão presente nos discursos de Buda. O apego é um grande problema e, para sermos verdadeiramente livres, não podemos ser apegados.
Podemos amar, mas não podemos nos apegar. Para sermos livres e nos sentirmos um com todos os seres, não podemos selecionar qualquer ser e dizer que temos aversão por ele. Se cultivarmos esse sentimento estamos cultivando o contrário do apego e esse sentimento também irá nos separar de tudo e nos tirar o equilíbrio. Não teremos equidade com todos os seres se cultivarmos a aversão. Quando esse sentimento surgir, temos que considerar as boas qualidades das pessoas, animais ou objetos que são alvos dele.
O sentimento de raiva deve ser evitado como se fosse fogo, pois ele é perturbador e devemos mudar nossa mente, nosso modo de falar e pensar a fim de evitá-lo. Essas são as palavras de Buda.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
O mestre é um guia
Pergunta – O mestre pode ser um amigo?
quarta-feira, 27 de junho de 2012
"Do" ou o caminho
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
A amplitude na compaixão
Hanamatsuri 2011
Pergunta – (...) O que é a compaixão?
Monge Genshô – A compaixão depende do esquecimento de nosso próprio ego. As pessoas têm um eu que, normalmente, nas mais primitivas pessoas, termina na sua pele. Tais pessoas cospem e jogam lixo no chão porque não enxergam que o mundo vai além de sua pele. Há pessoas cujo “eu” termina na superfície da tinta de seu automóvel, então jogam latas pelas janelas do carro, porque fora do automóvel já não é mais seu mundo. Paulatinamente, podemos ver de que tamanho é o mundo de alguém. Se o mundo vai até a pele, até o carro, aos limites de sua casa. Nunca me esqueço do dia em que vi uma mulher na Alemanha varrendo a rua na frente de sua casa, porque há pessoas que varrem um pouco além de sua casa. Neste caso, esse “eu” estava mais ampliado. Outros pensam que o mundo tem fronteiras, às vezes é sua raça, seu time de futebol ou a fronteira de seu país e os que estão além dessas fronteiras podem ser considerados inimigos. Outros, ainda, pensam assim em relação a sua religião. Tudo depende de como é seu ego. A compaixão surge à medida que você amplia os limites de si mesmo, se estendendo para chegar a abranger todo o universo. Se abranger todos os seres humanos, todos os animais, todos seres vegetais, será difícil quebrar uma pedra, porque não matar, como preceito, inclui não quebrar uma pedra quando não há necessidade, não destruir nada. Porque o mundo é mais amplo, a compaixão se expande. O crescimento da compaixão então compreende esquecer-se de si mesmo, o que significa morrer para si mesmo. Assim fazendo, podemos, então, abarcar tudo, e ao acontecer isso, existe a libertação, porque quando nós manifestamos a ignorância de nos acreditarmos separados de tudo - e os venenos da mente como o apego, a aversão, a raiva, enfim, todos eles dependem de eu acreditar em mim mesmo como ser separado – não temos compaixão. Esta é a ignorância fundamental, a de acreditar que somos um “eu” separado. Porque acreditamos que somos um ser separado de todos os outros, não temos compaixão. Quando morremos para nós mesmos, nasce um ser muito mais amplo e esse ser é naturalmente compassivo, porque a dor do outro dói nele. Na realidade, essa ideia – e isso nos mostra abrangência do Dharma – ela existe nos escritos de Paulo dos evangelhos, “Não sou mais eu quem vive, mas Cristo que vive em mim”. Isso significa morte do “eu”. Também encontramos o Dharma nos poemas de São João da Cruz, “Morro porque não morro”. Ou seja, morro porque não consigo morrer para mim, e por isso eu não consigo conhecer Deus. Em termos budistas, porque não consigo morrer para mim mesmo, não me ilumino. É a mesma coisa, em outras palavras.
terça-feira, 3 de março de 2009
Perguntas e prática

Bodhidharma
P: Existe alguma pergunta que mereça ser perguntada, e que não pode ser respondida pelo praticante através da própria prática?
Em tese não, todas as perguntas da vida espiritual podem ser solucionadas na prática pessoal, isto foi o que sucedeu com Buddha. Porém, mesmo ele, se apoiou em treinamento com mestres antes de sua iluminação. Os professores auxiliam muito, ao ajudar o aluno a evitar os caminhos errados, já testados anteriormente. Como na ciência em que Newton diz "pude ver mais longe porque subi nos ombros de gigantes" referindo-se a seus grandes antecessores, como Galileu e Kepler. Nós subimos nos ombros dos mestres, eles podem nos ensinar a evitar os venenos mentais do apego, da aversão e da raiva, por exemplo, impedimentos certos para o progresso individual.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Como o Dharma vê o redator de cartas anônimas?

Creio que a pergunta se refere as pessoas que, ocultas por pseudônimos ou sem assinar, despistando o lugar de onde escreve, redige com o intento de perturbar, alimentar conflitos ou acusar, ameaçar e ofender. Evidentemente ela descumpre o preceito da fala correta do nobre caminho óctuplo, que Buddha recomendou como caminho para a libertação, e também o preceito de não mentir ou falar a verdade com má intenção, as próprias falsidades implícitas no seu disfarce de identidade revelam a mente desequilibrada do redator, ele deveria examinar suas motivações internas e perceber que ao alimentar a aversão e a raiva dá alimento a dois dos três venenos mais deletérios para a mente (apego, aversão, raiva).
É difícil ajudar as pessoas dedicadas à cizânia, pois sua perturbação toma tal vulto que impregna sua mente em todos os momentos do dia, maquinando as palavras e manipulações que usará para aumentar os conflitos no mundo, normalmente seu prazer, mãos tremendo à frente de um teclado, será ver o maior mal possível ocorrer às pessoas objeto de sua aversão. A ação correta, em contraponto, é falar do carma e jamais reagir diretamente, alimentando o desequilíbrio, exortar ao bem, não fazer o mal, um erro jamais justifica outro.
O carma resultante obviamente é mau, e a recuperação deve começar pelo voto de arrependimento que leigos e monges recitam na cerimônia de Uposatta:
De todos os atos negativos alguma vez cometidos por mim,
Devido a meu apego, aversão e ignorância,
Nascidos de meu corpo, boca e mente,
Agora, de todos eu me arrependo.
sexta-feira, 28 de março de 2008
O medo que gera as agressões
Trecho extraído do blog de Monja Isshin:
"Vi, com meus próprios olhos, durante minha viagem a Tibete, as atitudes dos tibetanos e dos chineses uns com os outros. Vi o medo dos chineses sendo expressado como autoritarismo.
Quando existe um conflito, embora um dos lados possa ser visto como “agressor” e o outro como “vítima”, quando olhamos com os olhos do plano Absoluto, percebemos que esta visão não é correta. Em um conflito, a verdade maior é que todos os envolvidos estão agindo da melhor forma possível para eles: cada um de acordo com o seu nível de compreensão.
Ainda que acreditemos que as ações de um grupo com relação a outro possam ser péssimas, o Budismo nos ensina que os erros são cometidos pela ação dos Três Venenos: Apego, Aversão e Ignorância (frequentemente traduzidos por Ganância, Raiva e Ignorância). O medo é Aversão e o medo dos chineses é o medo de perder - que vem do Apego - ambos resultados da Ignorância.
Que possamos incluir não somente os tibetanos, mas também os chineses nas nossas preces. Que possamos incluir não somente os iraquianos, mas também os americanos nas nossas preces. Que possamos responder ao ódio, não com mais ódio, mas com compreensão e compaixão. Mesmo que talvez tenhamos que assumir atitudes firmes, que possamos manter a compaixão - este ingrediente essencial para a Cultura da Paz - em nossos corações, para o bem de todos os seres - sem exceções."
segunda-feira, 9 de julho de 2007
O fim do ódio
quarta-feira, 9 de maio de 2007
A ilusão e a vida
É possível viver na vida sabendo que é ilusão e ainda assim usufruir da vida? Sim e muito mais porque a alegria da vida deixa de estar cheia dos sofrimentos inerentes aos apegos. Não é a vida em si que produz sofrimento. Quem produz sofrimento é nosso apego à permanência na vida, porque desejamos estabilidade, porque desejamos nos agarrar às coisas da vida. Elas são muito fortes. Nossos filhos, nossos amores, nossa casa, colocamos apego nessas coisas e elas são impermanentes, então obrigatoriamente teremos sofrimento, mas nós podemos ter profundo amor sem apego, sabendo que é transitório, impermanente e ilusório. Que é um sonho maravilhoso que estamos vivendo, mas que não tem solidez, então é perfeitamente possível usufruir e viver, e ao mesmo tempo ter uma mente livre. Ter conquistado a liberdade. Não vai haver apego, ódio, ilusão. Não vão haver as três coisas que produzem o sofrimento: o apegar-se, o ter aversão e a ilusão.






