quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Lá é meu mosteiro


Vimalakirti

(Monge Genshô) - Esta é a história de Vimalakirti, um famoso comerciante discípulo de Buda. Ninguém podia vencê-lo em debate. Os discípulos de Buda o encontraram, quando iam para o mosteiro, e perguntaram a ele, que vinha após ter visitado Buda:
- Aonde vais, Vimalakirti?
Respondeu: Vou para o mosteiro.
– Para o mosteiro? Mas a direção que você vai é a da cidade!
E Vimalakirti, calmamente, disse:
- Sim. Lá onde eu trabalho é que estão as pessoas que sofrem, precisam de empregos, de ajuda e ensinamentos, lá precisam de mim. Lá é meu mosteiro.

(Monge Genshô) - Entendeu?
- Não sei... então o comerciante era melhor que os monges ascetas?
(Monge Genshô) - Este é o budismo Mahayana e tem uma forte corrente laicizante. Este Sutra (diálogo acima) de Vimalakirti deve ser datado de depois do séc I e reflete uma postura mais aberta à sociedade como um todo. O zen moderno tem isto bem marcado, seus monges não são, em sua maioria, ascetas. Respondendo à pergunta, o “Sutra” realmente exalta o leigo Vimalakirti.
- Então Vimalakirti é um modelo para o senhor?
(Monge Genshô) - Para qualquer um que queira conciliar o Dharma (vida espiritual) com a vida profana, é sim um grande modelo.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Retiro aberto em Novembro - Florianópolis


Clique na imagem para ampliar.

RETIRO ABERTO NO MORRO DAS PEDRAS

O Sesshin, retiro zen tradicional, é uma oportunidade para aprofundarmos na prática através da introspecção e observação profunda.

Num retiro zen budista, tentamos criar as condições exteriores e interiores que nos permitem afastar a agitação e dispersão da nossa mente. Num ambiente envolvente, observamos e praticamos o silêncio, procurando falar somente o indispensável durante as atividades coletivas.

A rotina de um sesshin envolve períodos de zazen (meditar sentado), intercalados com períodos de kinhin (meditar caminhando), teisho (palestras formais), oryoki (refeição em plena atenção), samu (atividades de limpeza do sodô), caminhadas meditativas e recitação de sutras.

Um retiro oferece à oportunidade de experienciar a vida de uma forma mais leve e receptiva. Ao estarmos mais atentos e conscientes de tudo, das nossas relações de interdependência com os outros, refinamos a nossa habilidade de vivermos no "aqui e no agora".

Local: Vila Fátima - Casa de Retiros Morro das Pedras - sul da Ilha de Sta. Catarina

Data: 11 à 15 de novembro de 2011
Início: 19hs do dia 11/11
Término: 14hs do dia 15/11

Valores: 300,00 - membros / 400,00 não contribuintes (podemos parcelar com cheque)

Inscrições e informações com Rosana: rosana@daissen.org.br - (48) 8824.1022

Comunidade Zen Budista de Florianópolis
www.daissen.org.br

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O zen e a fotografia



O Zen e a fotografia, este é o encontro que aqui acontece. O zen e seu foco na atenção, na abertura da mente, e logo, do olhar, para cada instante.

A fotografia, uma ferramenta eletrônica para fixar o que também se chama instante.

Estar realmente presente é ter um olhar estético para o que se passa à volta. É o trabalho da fotografia - do fotógrafo. A prática do Zazen, a meditação vazia, nos traz para o momento atual, sempre, sempre aqui e agora. Assim treinamos a atenção plena. Não estar mais tão preso ao “filtro” da realidade, que são os nossos pensamentos, nos deixa livres para perceber a própria realidade como ela é. A máquina fotográfica passa a ser apenas uma ferramenta para enquadrar e fixar o Olhar sensível.

Além da prática da meditação Zen e de saídas para fotografar, o curso NADA NA CABEÇA E UMA CÂMERA NA MÃO irá apresentar ao público fotógrafos e suas obras, conceitos de composição associados à pintura e noções de luz e exposição fotográfica digital.

O curso é aberto para o público em geral, tanto fotógrafos iniciantes ou amadores, como para profissionais. Qualquer câmera fotográfica poderá ser usada.

Orientação: Bruno Mitih. Fotógrafo, videomaker e monge zen

Informações: com Seigen pelo email: brunoviana@uol.com.br

http://www.zenfotoconsolacao.blogspot.com/
Comunidade Zen Budista de Florianópolis
www.daissen.org.br

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Há alguem?


P: Neste diapasão é correto afirmar que o carma contém a identidade e uma vez extinto restará extinta qualquer sombra de identidade?

R: Correto afirmar que o carma gera um ser que pensa, por pensar produz uma identidade, e sim extinto o carma não há como produzir a ilusão de uma identidade.


P; Haverá então consciência (após a morte), em termos absolutos, do deleite e da eterna alegria na fusão com o Vazio?

R: Não. Até porque o Vazio é uma qualidade da forma não algo que existe além das formas ou um substrato delas. O Vazio se manifesta como forma, a forma é vazio o vazio é forma.

P: Em caso positivo "Quem possui tal consciência"?

R: Não há alguém para possuir.

P: Me refiro a um Buda que extinguiu todo o carma não mais fazendo distinções entre ele e os outros.

R: Ele se extingue. Não se manifestará mais.

P: Caso contrário, como quem perde a memória, também a consciência é dissolvida? Ou seja o estágio final é um estágio inconsciente?

R: Não há alguém para ficar inconsciente.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Certo e errado


pergunta: [...] como podemos determinar o que é certo e o que é errado para nós em termos de disciplina moral?

Chagdud Rinpoche: Em primeiro lugar, examine a sua motivação e depois, os resultados das suas ações. Se os venenos da mente aumentarem por causa de algo que você está fazendo, a atividade é perniciosa. O que é certo reduz o apego, a aversão e a ignorância, e o que é errado os aumenta.
Chagdud Tulku Rinpoche (Tibete, 1930 – Brasil, 2002)
“Para abrir o coração”, parte III

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Nambei Sesshin



Nambei Sesshin
Retiro de treinamento para monges da América do Sul.

Inscrições abertas.

O Templo Busshinji de São Paulo realizará no período de 31 de outubro a 04 de novembro de 2011 o Nambei Sesshin - Retiro para Treinamento de Monges da América do Sul.

O Templo Busshinji dispõe de 30 vagas para acomodação que serão disponibilizadas de acordo com a ordem de efetivação das inscrições.

Aos interessados solicitamos que encaminhem as informações abaixo por email para o seguinte endereço:

busshinji_sp@hotmail.co.jp

Nome :
Email:
Tel.
Cel.
Restrições Alimentares:
Nome Búdico:
Mestre:
Data da Ordenação:
Templo ou Dojo:
Número de vezes que participou de Sesshin no Templo Busshinji de São Paulo:


Regras Fundamentais:
0 - O Nambei Sesshin destina-se aos monges e para todo aquele que deseja seriamente se tornar monge;
1 - O Nambei Sesshin 2011 inicia no dia 31 de outubro às 12h e vai até o dia 04 de novembro às 10h30;
2 - O valor é de R$ 350,00 (trezentos e cinquenta reais);
3 - Os inscritos devem ingressar até as 10 horas da manhã do dia 31 de outubro;
4 - Após o ingresso no Sesshin, a permanência é obrigatória até o dia e hora de encerramento no dia 04 de novembro;
5 - Em caso de desistência, após a inscrição ou no decorrer do Sesshin, o valor pago não será devolvido;
6 - Não há a possibilidade de participação intercalada durante o Sesshin;
7 - Convidamos a todos os praticantes a participarem do Sesshin. Mas, desestimulamos àqueles que não tenham treinado zazen suficientemente;
8 - É obrigatório manter silêncio durante o Sesshin, inclusive nos momentos de outras atividades;
9 - Não será permitido utilizar o telefone, inclusive os celulares (Em casos de extrema necessidade, o templo fará o recebimento das ligações e o devido encaminhamento);
10 - O alimento oferecido durante o sesshin é fresco e vegetariano, todos devem aceita-lo sem discriminação;
11 - Durante o período do Sesshin, não será permitido deixar o local para cuidar de assuntos pessoais;
12 - Recomendamos o uso de roupas pretas com calças mais largas, dogui ou similar;
13 - O templo não disponibilizará roupas de cama, portanto recomendamos que tragam lençóis e manta (as temperaturas costumam cair bastante à noite). Recomendamos também, para uso pessoal, toalhas, um par de sandálias de borracha, produtos de higiene pessoal e outros de sua necessidade;
14 - Com exceção do dia 31 de outubro, as atividades terão início às 5h45 e término às 19h30;
15 - O despertar será às 5h30 e o recolhimento às 22h00.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

As muitas práticas


Monge Fukuda, está saindo do Templo Busshinji e indo residir nos EUA, fará o sesshin desta semana em Florianópolis como visitante.

Pergunta – No zen budismo, além da meditação, existe outra prática que a gente possa fazer para manter o equilíbrio?
Monge Gensho – Muitas. Mas a meditação é a principal, pois ela cria estabilidade e um conhecimento de sua mente. Então, você pode retornar a essa mente do zazen quando o mundo criar movimento. No zazen, se você estiver realmente, como um espelho, refletindo todas as coisas, sem fazer quaisquer considerações, sem passado ou visitas ao futuro, você não está produzindo carma. O zazen corta o carma. Se você conseguir, em algum momento de sua vida, através de plena atenção, da prática das ações, da prática do caminho óctuplo, que são as oito práticas ensinadas por Buda - ação correta, fala correta, meio de vida correto etc., se você fizer essas práticas, elas extinguirão seu fogo. Haverá, em primeiro lugar, mais calma e serenidade, o que, depois, poderá conduzir você cada vez mais profundamente, até um grande esclarecimento. Quando você vir sua verdadeira natureza, quando vir, com clareza, a vacuidade de todas as coisas, quando enxergar o vazio de seu próprio eu, você não poderá mais ser ofendido. Se você vir tudo isso, ainda sentirá compaixão por todos os seres, porque todos os seres se percebem como “um”. Sendo assim, você será incapaz de fazer coisas que causem sofrimento, e isso se chama mente de Bodhicitta. Se você criar esse tipo de mente e fizer esse tipo de prática, vindo a alcançar um grande esclarecimento, chamaremos esse esclarecimento de iluminação, e essa iluminação é o fim de toda dor. Se você extinguir as energias cármicas que movem você, seu redemoinho cessará e você não será obrigado a voltar, a menos, evidentemente, que queira. Mas só existe um motivo para querer, que é a própria mente de Bodhicitta, compaixão pelo pesadelo dos outros seres, o desejo de acordá-los. Por isso, a palavra buda vem da raiz bud, “desperto”, e Buda significa “aquele que acordou”. Se você acordar, acordará do sonho e desejará acordar do sonho os outros que gemem e sofrem.

Trecho de palestra do M. Genshô 'publicada hoje no site Daissen http://www.daissen.org.br/hp/index.php?id=0&s=textos&txt_id=123

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

As bolhas que dizem "eu sou"


Quando surge um universo, dentro dele há naturais irregularidades,essas irregularidades acabam provocando fenômenos, por sua vez esses fenômenos num crescendo de complexidade fazem surgir vidas, essas vidas quando atingem consciência, dizem a si mesmas, “eu sou”. Mas o que são os fenômenos? Um bom exemplo é o que são bolhas dentro de uma garrafa. Dentro de uma garrafa de champanhe, por exemplo,há gás carbônico dissolvido no líquido, quando diminuímos a pressão tirando a rolha, formam-se bolhas, essas bolhas surgem, expandem e formam espuma, mas as bolhas em si, quando nós as olhamos, são fenômenos, mas são vazios de um eu. Esse conceito, vazio de um eu é muito importante. Vamos examinar o que é a bolha. A bolha é gás carbônico dentro da água,nós a olhamos e ela tem superfície, é como se tivesse um invólucro, é como se ela fosse algo, no entanto ela é nada mais que um fenômeno provocado pela interação entre o gás expandido dentro do líquido, que tem uma forma, surge, cresce e desaparece, deixa de existir como fenômeno.
Podemos imaginar que uma bolha pense, “eu sou independente das outras bolhas,
sou separado, sou algo, eu existo”. Mas ela é interdependente, interconectada com todo o gás e todo líquido. Ela é dependente das outras coisas para existir. Nós também somos assim, nós somos fenômenos, somos forma extremamente mais complexas do que uma bolha numa garrafa de champanhe, mas somos fenômenos no universo, dizemos a nós mesmos, “eu sou”.
O que o budismo essencialmente ensina é que isso é uma ilusão, não poderíamos dizer “eu sou”, porque todos os fenômenos no universo são vazios de um eu, não tem um eu inerente,esse eu que acreditamos tão sólido e nítido é uma ilusão proporcionado pelo funcionamentoda nossa mente, assim como existe um funcionamento do gás com o líquido na garrafa, que faz com que a bolha pareça ter uma existência, nós, por pensarmos, termos memoria,conceituarmos, percebermos, sentirmos, termos formações mentais e consciência,acreditamos que temos um eu. Esse “eu” é essencialmente ilusório. Se não escaparmos desse “eu” ilusório não conseguiremos perceber nossa verdadeira natureza nem nos integrarmos ao universo como um todo, ficamos pensando como nós mesmos separados. Essa ilusão, ignorância fundamental, provoca uma coisa nessa consciência que faz com que ela continue se manifestando repetidas vezes como fenômeno, com as mesmas características e impulsos, conservando-os e congelando-os nas suas existências. Por isso dizemos que existe um renascimento uma “re-manifestação” cármica no universo. Mas essa “re-manifestação” nada mais é do que a permanência da ignorância. Permanência da ignorância da existência de um “eu”. Essa ignorância é que faz com que surja o nascimento e todas suas consequências,
velhice, doença, sofrimento e morte.

Trecho de palestra de Monge Genshô, decupada por Ápio San.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A Morte do Zen budista e vegetariano Steve Jobs


Faleceu há algumas horas, com 56 anos, nos EUA, o zen budista Steve Jobs, por duas vezes líder inconteste da Apple, foi ligado a Kobun Chino Otogawa um monge da escola Soto Zen, tentou domar um temperamento irascível e tão exigente que levava ao desespero seus colaboradores, ao mesmo tempo é cultuado como um realizador brilhante que com sua obsessão por produtos ideais mudou a face do mundo moderno.
Sua empresa lançou novidades que as pessoas sequer sabiam que queriam, produtos que se tornaram a seguir ícones do mundo digital, este sucesso guindou a Apple ao posto de uma das empresas mais valorizadas da terra.
A contradição aparente entre sua vida de CEO e empreendedor com sua ligação com o budismo aparecia em sua simplicidade na vida pessoal, seu hábito de andar descalço mesmo comprando no supermercado, seu vegetarianismo que partilhava com sua espôsa mãe de 3 dos seus filhos ( teve uma filha com uma namorada anteriormente) e a seu desapego por móveis suntuosos. Ele fazia o que queria, lutava por um resultado brilhante, mas não por enriquecimento em si e sim porque era o que desejava fazer, trilhava seu caminho sem se importar com a opinião alheia.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Batizado budista



José Carlos e Bruna batizaram seu filho Tomaz em uma cerimônia budista, o avô sorridente é Jeferson De Zorzi membro ativo da comunidade e que hoje está viajando pela China.
O batizado budista é uma cerimônia nova e com cara bem ocidental, não se trata de remover pecados mas sim de rememorar os preceitos com os quais um budista deve se educar e apor um nome do Dharma que seja um guia para a vida, este nome é dado em um momento de inspiração sem que seja preparado racionalmente.

Batizado

terça-feira, 4 de outubro de 2011

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Zen e fotografia, curso em Floripa



Clique na imagem para ampliar.

O Zen e a fotografia, este é o encontro que aqui
acontece. O zen e seu foco na atenção, na abertura da mente, e logo, do olhar, para cada instante.
A fotografia, uma ferramenta eletrônica para fixar o que também se chama instante.

Estar realmente presente é ter um olhar estético para o que se passa à volta. É o trabalho da fotografia - do fotógrafo. A prática do Zazen, a meditação vazia, nos traz para o momento atual, sempre, sempre aqui e agora. Assim treinamos a atenção plena. Não estar mais tão preso ao “filtro” da realidade, que são os nossos pensamentos, nos deixa livres para perceber a própria realidade como ela é. A máquina fotográfica passa a ser apenas uma ferramenta para enquadrar e fixar o Olhar sensível.

Além da prática da meditação Zen e de saídas para fotografar, o curso NADA NA CABEÇA E UMA CÂMERA NA MÃO irá apresentar ao público fotógrafos e suas obras, conceitos de composição associados à pintura e noções de luz e exposição fotográfica digital.

O curso é aberto para o público em geral, tanto fotógrafos iniciantes ou amadores, como para profissionais. Qualquer câmera fotográfica poderá ser usada.

Orientação: Bruno Mitih. Fotógrafo, videomaker e monge zen. 22 e 23 de outubro das 9 às 17h.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O começo do fim das touradas


AFP

Enquanto se digladiam os defensores e opositores é inegável que um movimento mundial de consciência torna o fim dos espetáculos de tortura e morte uma tendência para a humanidade do futuro. A notícia é sobre o fim das touradas em Barcelona, capital da Catalunha.

"Os admiradores das touradas defendiam uma tradição cultural enquanto que os adversários reclamavam o fim da tortura contra os animais.

"As touradas são um espetáculo da tortura", afirmou o porta-voz do grupo verde Iniciativa Per Catalunya-Els Verds (ICV-EUIA), Francesc Pané. Para a organização AnimaNaturalis trata-se de um primeiro passo para a abolição das touradas em todo o mundo.

A atriz francesa Brigitte Bardot, famosa por sua defesa dos direitos dos animais, comemorou a decisão.

"É uma vitória da democracia sobre os lobbies taurinos. Uma vitória da dignidade sobre a crueldade. A tourada é de um sadismo incrível. Já não estamos nos jogos circenses e é necessário pôr um fim imediato a esta tortura animal", afirmou em um comunicado."

Fonte : O Estado de SP

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O lugar de descanso


JOKO: Sim. Não podemos nos aborrecer, a menos que nossa mente nos tenha removido do presente e levado para pensamentos irreais. Sempre que estamos contrariados estamos literalmente "de fora": deixamos algo de fora. Somos como um peixe fora d'água. Quando estamos no presente, plenamente conscientes, não conseguimos ter uma idéia do tipo: "Oh, essa vida é tão difícil. Tão sem sentido!". Se fazemos isso, deixamos
alguma coisa de fora. Só isso! Um bom aluno reconhece quando se distanciou e retorna à vivência imediata. Às vezes apenas balançamos a cabeça e restabelecemos a base de nossa vida, os alicerces da vivência. Desses alicerces brotam pensamentos, ações e uma criatividade perfeitamente adequados. Tudo isso nasce desse espaço da vivência, em que o sentidos simplesmente se encontram abertos.
Quando estava com dezesseis, dezessete anos eu gostava de tocar os corais de Bach no piano. Um que me agradava em especial era chamado "Em Teus Braços Eu Me Descanso". A tradução prossegue assim: "Os inimigos que me atacariam não conseguem encontrar-me aqui".
Embora seja da tradição cristã, em geral dualista, esse coral trata do estar presente e desperto. Existe um lugar de repouso em nossas vidas, um lugar onde devemos estar para podermos funcionar bem. Esse lugar de descanso - os braços de Deus, se quiserem chamá-lo assim - é simplesmente aqui e agora: ver, ouvir, tocar, sentir odores e sabores, sentir a vida como ela é.
Podemos até acrescentar "pensar" a essa lista, se entendemos o pensar como apenas o funcionamento natural e não como as reflexões do ego que se baseiam em medo e apego. Apenas pensar, no sentido funcional, inclui o pensamento abstrato, o
pensamento criativo, ou planejar o que temos para fazer hoje. Com excessiva freqüência, porém, acrescentamos pensamentos não funcionais, baseados no ego, que nos levam às dificuldades e nos retiram dos braços de Deus.»
Charlotte Joko Beck

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Reencarnação x manifestação cármica


Trechos de respostas acessáveis no site www.daissen.org.br em "perguntas" opção "reencarnação". Mais respostas podem ser lidas aqui
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Queremos que algo renasça porque queremos permanecer existindo. Isso é apenas mais um truque do ego. Só permanece o carma. Consciência individual é fenômeno de funcionamento da mente. Cessando seu funcionamento, cessa essa consciência.

Eventuais "lembranças" de vidas passadas, se existem, são manifestação da "consciência depósito" (arquetípica) que a humanidade partilha (chama-se "älaya" de "depósito" em sânscrito). Se elas parecem se concentrar em uma determinada manifestação, algumas linhas budistas reconhecem aquele ser como um "herdeiro" de um ser passado, mas que não se trata, em absoluto, da mesma pessoa. No Zen, não há a tradição de reconhecimento, a qual é mais praticada entre os tibetanos.

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Não sou um especialista no Budismo Tibetano, mas até onde sei os conceitos sobre 'o que renasce' são idênticos aos do Zen. Ou seja, este algo que permanece está ligado ao carma, mas não a um ego particular. Esse ponto é comum em todo o Budismo.

No Budismo Tibetano, os conceitos do bardo e de anatman (não alma permanente) convivem sem conflito. É como se a experiência do bardo fluísse até que um renascimento criasse um novo conjunto de agregados, uma continuação da vida anterior, porém com outros componentes, admitindo-se mesmo que várias pessoas diferentes fossem simultaneamente renascimentos de um mesmo carma de alguém passado.

"O uso da palavra reencarnação é um problema de tradução, na falta de um conceito que explique claramente o entendimento complexo do budismo usa-se um termo eivado de conotações vindas de outras fontes que dá a entender que um eu se perpetua ganhando um novo corpo, ora o conceito budista é que o carma se manifesta gerando um novo eu, semelhante ao anterior, mas não uma continuidade egóica, para isto seria necessário memória plena que ninguém carrega nitidamente."
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Numa imagem metafórica, é como perguntar por que uma onda de água, ao bater num rochedo, reflui para o mar com igual força. Isso ocorre porque um "quantum" de energia tende a se propagar, e se manifestar com a mesma força e mesmas características básicas do fenômeno que o antecedeu. Percebemos, assim, que o "eu", sendo um fenômeno temporário, uma construção aparente, não pode ser permanente, e,
portanto, não pode se manifestar novamente como o mesmo eu. Apesar disso, sua energia acumulada, sua onda "cármica", esta sim, manifestar-se-á de novo, com características semelhantes. Logo, não existe "um mesmo ser" ou "um eu" para reeencarnar. Prefiro a palavra "manifestação" a "renascimento", o "re" leva à crença em um nascimento que se repete, do mesmo indivíduo, tese do filósofo Senika que Buda refutou.

Uma imagem normalmente usada no Budismo: uma semente de manga produz uma mangueira que produzirá mangas do mesmo tipo (Nagasena responde assim ao rei Milinda). Não são as mesmas mangas, mas são uma continuidade semelhante, determinada pelas características anteriores. Nesse entendimento podemos dizer que um "eu" particular não renasce, pois sua existência é uma delusão. Porém, a carga cármica de cada ser manifesta-se novamente, mantendo sua força e características anteriores. No Zen Budismo, praticamos para alterar o carma e, até mesmo, a extingui-lo, voltando ao seio de nossa natureza última, não distinta nem perturbada por marcas particulares, nem pela crença em um "eu" separado, que é a ignorância fundamental.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Palestra na SVB em Brasília


A Sociedade Vegetariana Brasileira, unidade de Brasília, promoveu uma palestra no Jardim Botânico, sobre Zen Budismo e suas tradições alimentares, em especial a cozinha vegetariana nos mosteiros. A Monja Noviça da Comunidade do Guará, Sodô San, esteve presente, e fomos presenteados com Bonsais, na foto todos ao lado de uma estátua de S. Francisco na entrada do Jardim.
Mais fotos de Amanda podem ser vistas aqui

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Reencarnação e budismo


A definição da “Realidade Suprema” é uma noção que geralmente tende a separar o Cristianismo do Buddhismo. A questão é menos de contradições intransponíveis que de compreensão mais profunda dos termos envolvidos. Outra das dificuldades entre cristãos e buddhistas tem sido o conceito de reencarnação.
Infelizmente, isto que parece separar estas duas grandes religiões, não passa de um grande erro, pois, ao contrário do que muitos pensam, o Buddhismo não tem uma doutrina reencarnacionista, pelo menos não quando interpretado corretamente. A reencarnação no Buddhismo, quando é mencionada por alguns, é apenas uma crença popular e exterior, apropriada para aqueles que só conseguem fazer o bem se creditando em um proveito próprio. “Eu faço isto para receber os frutos amanhã ou em outra vida”. É uma crença popular, sustentada seja por orientais que desconhecem qualquer coisa mais profunda de sua tradição, seja por ocidentais iniciantes. É semelhante àqueles cristãos que acreditam que Deus é, realmente, um homem velho e barbudo sentado em um trono de madeira pousado nas nuvens. A idéia ocidental da reencarnação, ou seja, a de que uma alma ou “espírito” imutável ocupa diferentes corpos humanos indefinidamente, nem mesmo existe no Buddhismo (lembremos seu ensinamento fundamental sobre o não-eu), sendo fruto das concepções espíritas surgidas no fim do século XIX. O que o Buddhismo de fato ensina é o renascimento, algo por completo diferente da reencarnação tal como é concebida no Ocidente. No processo de passagem do Buddhismo para o Ocidente entretanto os tradutores e intérpretes ocidentais começaram a fazer uso de suas próprias concepções influenciadas pelo espiritismo para interpretar doutrinas buddhistas, o que teve como resultado um engano que permanece até hoje na mente de alguns que estudam o Buddhismo superficialmente e isto principalmente no Brasil. Como diz o monge Khantipålo: “Uma sucessão de vidas com uma alma encarnando em uma série de corpos é freqüentemente chamada de reencarnação. No Buddhismo, o ensinamento referente a este tema é fundamentalmente diferente... Não há re-encarnação no Buddhismo pois não há entidade espiritual imutável; em termos últimos, nenhuma alma pode ser encontrada que possa se reencarnar. O Buddhismo não constrói a dicotomia entre um corpo perecível de um lado e uma alma eterna de outro” (Buddhism Explained. Bangkok: Mahamakut Rajavidyalaya Press, 1986). Renascimento significa no contexto buddhista a transmissão ou influência das ações intencionais nos seus frutos. Toda ação intencional, para o bem ou para o mal, gera conseqüências. Diz-se, assim, que a ação “renasce” nos seus frutos, ou seja, há uma interdependência entre ações e reações.

O que o Buddhismo ensina é que a vida é una e uma só, tomando formas diferentes, mas estreitamente dependentes e ligadas entre si. É uma só vida que anima tudo. Daí “vida” ser na Bíblia traduzida muitas vezes do latim anima que significa “alma”. Esta única vida ou “alma” assume várias formas, todas elas impermanentes e transitórias, como tudo o que é criado. Estas formas nascem, morrem, renascem, tornam a nascer e assim por diante. Uma semente também nasce, se desenvolve, se transforma em árvore, que por sua vez morre, mas gera muitas sementes. De certa forma, podemos falar que aquela árvore “renasce” na semente.Entretanto, nem a árvore e sua semente são a mesma, nem são radicalmente diferentes. Se falamos que são iguais, então, caímos no reencarnacionismo. É o mesmo que dizer que a árvore se “reencarnou” na semente! Que ela é o mesmo “ser” em um outro “corpo”. Um completo absurdo! Mas falar que são completamente diferentes entre si é cair no que podemos chamar de ceticismo, agnosticismo ou casuísmo: a concepção que vê tudo como isolado e independente. É a concepção de que uma vez que se morre é o fim e pronto! Ou ainda significa falar que tudo acontece por acaso sem nenhuma ligação anterior. O Buddhismo poderia falar, pelo contrário, que a “ressurreição” ocorre quando estas “porções de vida” compreendem que não são isoladas do todo, mas são expressões de uma única vida. É a Libertação da Ilusão, a Iluminação, o encontro com o Absoluto. Isto tem a ver com responsabilidade universal por todas as coisas. O que fazemos aqui se reflete pelos dez cantos do universo. O pecado (ignorância) de um, mancha todo o resto, como uma gota de tinta jogada em uma bacia de água. Mas também a Iluminação de um salva todo o universo, como uma lâmpada que, quando acesa, ilumina todo o quarto escuro. Desta forma, o Buddhismo terá uma preocupação especial para com o sofrimento. Quando os primeiros ocidentais e cristãos chegaram à Ásia, ficaram surpresos de ver, dentro de templos buddhistas, pinturas e quadros com uma figura masculina e outra feminina se abraçando. Tomaram isto como profanação e idolatria do sexo. Pena que não se lembraram de perguntar aos orientais e aos seus monges o que isto significava. Estas duas figuras se abraçando simbolizam a Sabedoria e o Método.

A Sabedoria é a primeira resposta do Buddhismo para o sofrimento nos dias de hoje. É necessário que o homem cultive um maior entendimento de quem é ele, o que é o Real, o que é o mundo em torno. O nível de compreensão que temos de tudo isto é muito superficial. Somente agora, por exemplo, é que o homem moderno, em escala global, está percebendo que tudo está interligado, e isto devido à tremenda crise ecológica em que vivemos. É necessário aprofundarmos nosso entendimento da realidade e isto inevitavelmente colaborará para a diminuição do sofrimento. A segunda resposta vem através do Método. Isto significa possuir formas efetivas de ação. Ter técnicas e ensinamentos que nos levem a compreender o sofrimento e a dor do mundo e atuar convenientemente para extirpar suas causas. No Buddhismo o método mais supremo é a Compaixão. Somente ela poderá fazer com que quebremos a barreira de nossos egoísmos, e num movimento para frente, possamos ir de encontro às necessidades do próximo, com os corações abertos. É porque tudo está interligado que nossa responsabilidade aumenta. Desfrutamos as ações sábias e as ações que rebaixam a espécie humana. De certo modo, tais ações “renascem” em nós, pois sofremos todas as suas conseqüências.

COMPREENDENDO MELHOR O ENSINAMENTO DO BUDDHA
(RICARDO SASAKI, © 1995